Nas periferias, chave para novo projeto de país

Márcio Pochmann contesta ideia de que quebradas sejam “liberais”, enxerga nelas traços de anarquismo e as vê como essenciais para ação emancipatória na era pós-industrial
Patricia Fachin entrevista Marcio Pochmann, no IHU
A recente pesquisa publicada pela Fundação Perseu Abramo, intitulada “Percepções e valores políticos nas periferias de São Paulo”, tem gerado uma série de debates sobre qual é a visão de mundo das pessoas que vivem nas periferias brasileiras, já que muitas, segundo o estudo, se declararam favoráveis ao mérito e ao individualismo. Contudo, para o presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, ainda “não está muito claro que os valores identificados se associam, necessariamente, ao liberalismo”. Ao contrário, diz, “eles podem, inclusive, ser uma nova forma de manifestação do anarquismo, que foi importante, por exemplo, no Brasil, no final do século XIX e início do século XX, dada a especificidade da formação da classe trabalhadora naquele momento”. E reitera: “Quero chamar a atenção de que não é muito clara essa perspectiva de que agora o liberalismo reina na pobreza. Pelo contrário, há sinais que apontam para uma perspectiva mais radical, mais à esquerda do que os partidos existentes hoje no Brasil se propõem a fazer”....