'....nesse novo mundo....

a comunicação tem dimensão antropológica, incidindo sobre a formação de percepções desde a infância do ser humano, revolucionando as formas de sociabilidade e reabrindo numa escala superior, as possibilidades da democracia direta, ou plebiscitária, antes só possível em pequenas  comunidades. a própria natureza de democracia se modifica. a cidadania ganhou o seu  mecanismo ideal para uma sociedade de massa. os movimentos políticos e sociais ganharam uma ferramenta superior que aproxima funções ideológicas, de articulação e mobilização. nesse novo mundo, muitas das demarcações clássicas da comunicação já foram atropeladas, entre elas a distinção entre comunicação pessoal e pública, entre emissor e receptor da mensagem, entre produto jornalístico e não jornalístico, entre comunicação de massa e de pequena escala. nesse  novo mundo, ainda em processo de definição, haverá uma realocação das funções dos diferentes meios de comunicação, suportes, meios de transmissão  e linguagens. os jornais impressos já estão perdendo para a internet sua função principal informativa, embora mantenham  e até tenham exacerbado sua função interpretativa e ideológica. a televisão está perdendo a hegemonia absoluta que a caracterizou nos últimos 30 anos. mas isso é só o começo dessa revolução. nós, jornalistas, governos e comunicadores somos em geral conservadores. a indústria da comunicação fundada em máquinas pesadas, das quais não consegue ou não quer se livrar e no consumo de grandes quantidades de papel é ainda mais conservadora. mas o negócio de gastar toneladas de papel e tinta para imprimir informações velhas  disponíveis de graça na internet foi ferido de morte pela internet. não se trata de uma simples realocação de espaços pela entrada de uma nova mídia. trata-se de transformações no modo de produção do conjunto das mídias comerciais, na interação entre elas, no lugar de cada uma no mercado. fim do monopólio da mediação pelo jornalista: qualquer cidadão em sociedade pode dizer o que pensa numa nova esfera pública virtual'. bernardo kucinski.