jesús martín-barbero: os ruídos e redundâncias

As formas mestiças da mídia
[....]Gramsci entende a crise como o velho que morre e o novo que não encontra como nascer. Um tempo em que o velho já se foi, mas em que o novo não tem forma ainda. Portanto estamos habitando algo para que ninguém nos preparou, segundo minha amiga Hannah Arendt, que é a incerteza. Ninguém no cristianismo nem no marxismo nos ensinou a conviver com a incerteza. Então, eu habito um tempo de profunda incerteza. Não é uma incerteza escapista, que me dá o direito de fazer o que tenho vontade porque não sei para onde vai o mundo, não sei para onde vai nada e então me abismo em mim e passo a me dedicar aos grandes prazeres intelectuais, corporais, eróticos, o que seja, porque nada vale a pena. E muita gente acha que eu teria o direito de dizer assim, de tal maneira se desconfigurou aquilo em que eu acreditava, aquilo que eu cria que sabia, aquilo que cria que esperava. Entretanto, creio que a minha incerteza é esperançosa, não otimista, mas esperançada. Sabe como tinha esperança um judeu ateu chamado Walter Benjamin? Sem esperança os judeus não existiriam. Veja o que disse Benjamin: “Não podemos viver sem esperança, mas a esperança só nos é dada pelos desesperados”[....]