de ponta cabeça para a poesia....


AREIA
Casas viram poeira em meio à fumaça
Corpos viram poeira sob toda a fumaça
Eu vi ao vivo na televisão
E quase não me espantei
Surpreendido depois de tanto tempo?
Mas, engoli em seco e baixei os olhos
Vi poeira sobre meus sapatos
Deformados de tanto caminhar
Queria não saber da poeira e fumaça
A revelar tanto ódio no tempo
A encobrir vaidade nas horas
A descrever o poder de fogo das armas
Das palavras, das notícias, da guerra
Essa guerra nossa de todo dia
Essa guerra estúpida a nos restringir
Em povos armados até os dentes, até a morte
Até quem sabe...
Sim, engoli em seco e baixei meus olhos
Na poeira e na fumaça...
Em Gaza
Eduardo Rocha - 29/7/2014
imagem: cris moreno