o mundo está gonzozóide!


não concordas? quando foi a última vez que você leu uma informação pela simples informação? hummmm....mmmm... pois é, estás ruminando?(rsrs) - o século do jornalismo gonzo. caramba, quando vou parar de falar mal deste século? só no próximo, se for bem pior(rsrs).  o jornalismo gonzo me veio através da mastigação de um texto em que o trago de volta, idem. falo de blaise cendrars(ou frédéric sauser). e ele chegou-me via seu interesse, também, pelo fato jornalístico de um serial killer. cendrars é fonte para muitos aspectos, inclusive o gonzo no jornalismo. diria uma figura estranha, misteriosa e de infindáveis interpretações. olha um de seus pensamentos: ‘A humanidade vive em sua própria ficção. É por isso que os conquistadores sempre querem transformar a face do mundo à sua própria imagem. Hoje, cubro até mesmo os espelhos.'


reveja:

Blaise Cendrars

Ou Frédéric Sauser, de La Chaux-de-Fonds(01/09/1887), dito como o poeta da aventura vivida e das grandes viagens. Conhecia o mundo. Amigo de Gustave Le Rouge(O misterioso Dr. Cornélius) e Remy de Gourmont(O Latim Místico), divide quarto com um pequeno estudante que seria mais tarde Charles Chaplin. Em 1909(Rússia), publica seu primeiro poema, A lenda de Novgorod. 1912, extenso poema em versos livres que nunca mais revisará, Páscoa em Nova Iorque, momento em que se transforma em Blaise Cendrars. Em Paris, dois grandes poemas, A prosa do trans-siberiano e da pequena Jehanne de França(1913) e O Panamá ou as aventuras dos meus sete tios(1918). 1915 é gravemente ferido durante a guerra, na ofensiva de Chamnpagne, e perde um braço. Lança a obra A mãos decepada(1946). Aprende taquigrafia e datilografia. Da  América Latina à África negra, escreve Dezenove poemas elásticos(1919), Kodak e Folhas de viagem(1924). Chega ao cinema e profetiza: 'uma raça de homens novos vai aparecer'.  Trabalha com Abel Gance e Arthur Honnegger. Chegam os romances, reportagens, novelas, biografias. Anthologia negra(1921), O ouro(1925), Moravagine(1926), As confissões de Dan Yack(1929), Rhum(1930), Histórias verdadeiras(1937), O homem fulminado(1945), Vida de viagens(1948), O loteamento do céu(1949)...  /Na Sibéria troava o canhão, era a guerra/A fome o frio a peste o cólera/E as águas lamacentas do Amur carreavam milhões de cadáveres/ … Escreveu após oito anos de vivência na revolução... Morre em Paris, em 21 de janeiro de 1961. Cendrars conhece o Brasil e principalmente, Tarsila do Amaral. Vasto material pode ser encontrado sobre.

Em Feuilles de route(Folhas de viagem, Le Formose I), Brasil:


Borboleta


É curioso

Depois de dois dias com terra à vista nenhum pássaro veio ao nosso encontro ou se meter na nossa esteira


Por outro lado


Hoje


Ao alvorecer


Enquanto penetrávamos na baía do Rio


Uma borboleta grande como a mão veio viravoltar em torno ao paquete


Era preta e amarela com grandes estrias de um azul


desbotado


Em Sud-Américaines(Sul-americanas, 1924):



[…]


Pois a felicidade é uma coisa muito pesada de se levar


[…]


Em De: 'Brésil, des hommes sont venus...' (Brasil, uns homens chegaram...) - Dois Poemas 'Brasileiros':



I


[…]


Adoro esta cidade


São Paulo é conforme ao meu coração


Aqui nenhuma tradição


Nenhum preconceito


Nem antigo nem moderno


[...]


 


II


 


[...]


Atravessamos alguns raros lugarejos


Colônias bem pequeninas de pequenos colonos italianos e


plantações de árvores frutíferas cuidadas minuciosamente


e infantilmente conservadas que pertencem a uns japoneses


Numa curva de repente é a floresta virgem


[…]


Blaise Cendrars foi traduzido pelo poeta italiano Sérgio Wax, adotado por Belém do Pará, a partir de 1978, e que dedicou poemas/poesias aos intelectuais da terra, como Maria Lúcia Medeiros, Gilberto Chaves, entre outros, além da produção de sete poemas para o escritor paraense Max Martins e tradução para o italiano de 'Per aver andare', dele. É de Sérgio Wax este haicai, selecionado de sua produção: /Sai a lagarta/do casulo invejando/a borboleta.

Todas as informações disponibilizadas tiveram como fonte duas obras Feuilles de route sud-américaines(poémes) – Folhas de viagem sul-americanas(poemas) e, O Panamá ou as Aventuras dos meus sete tios / 19 poemas elásticos / A guerra no Luxemburgo / Poemas negros. Ambos saem pela editora da UFPA, sendo que a primeira é datada de 1991 e a segunda, 1993. A apresentação(nas duas) é do ex-reitor da Universidade Federal do Pará, professor Nilson Pinto de Oliveira. E ele fala, 'Um dia o poeta Blaise Cendrars chegou ao Brasil', e agradece à cessão dos direitos autorais da Editora Denoel, de Paris, e a Sérgio Wax, claro, o tradutor.

 

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