o amor vai se afastando, para dar lugar à pesquisadora?


imagem: divulgação
é isso que vamos ver, para nos responder. até o presente momento, falar de elizabeth bishop era o mesmo que falar de lota macedo. agora, a atriz regina braga nos traz a bishop pesquisadora, desgarrada de lota como sentimento, e a transforma em referência, apenas. por cá, é a escritora que nos revisita. quer se responder? vá ao teatro, porque estão falando de você. não é incrível?



Espetáculo consagrado pela crítica e público chega a Belém

Em 1951, a poeta americana Elizabeth Bishop (1911-1979) veio passar alguns dias no Rio de janeiro e ficou por quinze anos. Depois de vencer as resistências diante dos contrastes geográficos e culturais do Brasil, ela mergulhou em um intenso romance com a arquiteta urbanista Lota Macedo Soares,  responsável por sua estadia no país, onde produziu uma parte importante de sua obra. 

Baseada  nesse  período  da  biografia  da  autora,  a  jornalista  e  dramaturga  Marta  Góes concebeu  o  monólogo  dramático “Um  Porto  para  Elizabeth  Bishop”,  feito sob  medida para  o  talento  da  atriz  Regina  Braga.  A  peça  estreou  em  2001  e    teve  várias  outras temporadas, inclusive fora do país. 

O  espetáculo,  com  direção  de  José  Possi  Neto,  ganha  apresentações  nos  dias  7  e  8  de março, sexta e sábado, às 21h, e dia 9, domingo, às 18h. A produção nacional é da Ágora Produções Teatrais e Artísticas.  Os ingressos (R$ 20,00 e R$ 10,00 a meia, para qualquer lugar  no  teatro),  à  venda  na  bilheteria  do  Theatro  da  Paz,  das  9h  às  18h.  A  turnê  pelo Norte tem patrocínio do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura. 

“Esse espetáculo me faz bem, me faz retornar a esse texto da Marta, que eu adoro, porque é muito direto e de grande comunicação com a plateia. Todo mundo se interessa em saber o que é que essa gringa, inteligente e sensível, viveu aqui no Brasil . Aliás, ela esteve no Pará e escreveu um relato muito interessante chamado Viagem a Vigia”, conta. 

O encontro entre Bishop e o Brasil exuberante e inquieto dos anos 50 e 60 rendeu a sua trajetória,  poemas,  livro-reportagem  (Brazil,  publicado  pela  Life)  e  cartas  (reunidas em  Uma  arte,  sua  correspondência  completa).  Bishop  teve  seu  nome  incluído  nos  mais importantes balanços da produção literária dos últimos 100 anos. 

“Estou  muito  feliz  de  fazer  essa  peça  em  Belém”,  diz  a  atriz  Regina  Braga,  que  estará pela  primeira  atuando  no  palco  do  Theatro  da  Paz.  “Será  um  prazer  apresentar  este espetáculo ao público paraense, pois ele tem sido muito bem recebido nas diversas vezes em que já foi remontado. Ano passado fomos para Portugal e tivemos vários convites para apresentações em SP”, diz. 

A  história  de  Elizabeth  Bishop  por  aqui  também  traz  à  tona  personagens  da  história recente do Brasil, como Carlos Lacerda, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Mello Neto e, sobretudo, Lota Macedo Soares, a razão pela qual Elizabeth, que  pretendia  apenas  fazer  uma  escala  no  Rio,  durante  uma  viagem  em  torno  do continente, e acabou permanecendo no Brasil por tanto tempo. 

Regina  vive  a  personagem  dos  40  aos  67  anos  e  acredita  que  o  tempo    beneficiou  o espetáculo.  “Ganhei  um  olhar  sobre  a maturidade.  Se  antes  eu  focava  no  encantamento dela em relação ao Brasil, hoje tenho uma visão mais voltada para o fim de sua vida”, diz a atriz.

Sobre Regina Braga - Reconhecida intérprete, versátil nos registros cômicos e dramáticos, além  desse  espetáculo  que  corre  sempre  paralelo  a  sua  carreira,  a  atriz  também interpretou  um  texto  argentino  chamado  “Desarticulações”,  de  Sylvia  Molloy,  com temporada no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, este anos em SP.

“E já  tenho planos de remontá-lo”, confessa a atriz que este ano já  tem inúmeros outros compromissos. “Agora estou indo para a Bahia fazer um filme sobre a vida da Irmã Dulce. E assim que acabar a filmagem vou pra Manaus fazer a Bishop”, complementa. 

 A  atriz acumula,  em  sua  formação,  o  curso  da  Escola  de  Arte  Dramática, estágios realizados  na  França  e  junto  à  formação  em  psicodrama.  Estreia  profissionalmente  em 1967 no espetáculo A Escola de Mulheres, de Molière, com direção de Isaias Almada para o Núcleo 2 do Teatro Arena. 

Participa,  em  1970,  de  A  Cantora  Careca, de  Eugène  Ionesco,  encenação  de  Antonio Abujama; A Longa Noite de Cristal, de Oduvaldo Vianna Filho, e O Interrogatório, de Peter Weiss e encenações de Celso Nunes. Com o mesmo diretor, em 1971, é a vez dela estrear E Se a Gente Ganhar a Guerra?, de Mário Prata. Seu primeiro destaque surge em Coriolano, de William Shakespeare, ao lado de Paulo Autram, em 1974. 

No ano  seguinte, em Equus,  de  Peter Shaffer,  há novas  colaborações  com  Celso Nunes e boas oportunidades surgem nas encenações de Bodas de Papel, de Maria Adelaide Amaral Neto, sendo  dirigida  por  Cecil Thiré, em  1978 e em  Patética,  de  João Ribeiro  Chaves Netto, em 1980. Em 1983 protagoniza Chiquinha Gonzaga, Ó Abre Alas, também de Maria Adelaide Amaral , para o Teatro Popular do Sesi, trabalho que lhe rende diversos prêmios. Em 1986, é dirigida por Marcio Aurélio, em O Segundo Tiro, de Robert Thomas. 


imagem: cris moreno - atriz após participação
 no sem censura, da tv cultura, local.
Regina Braga cresce em prestígio na peça Uma Relação Delicada, com direção de William Pereira, tradução  de  Zélia  do  Vale  Resende  Brosson,  em  1989,  ganhando  o  Prêmio Mollière de melhor atriz. Em  1996  retorna  ao  palco,  ao  lado  de  Toni  Ramos, para  uma  versão  de  Cenas  de  um Casamento, baseado  no  roteiro  de  Ingmar  Bergman. Em  1998,  interpreta  Amanda Wingfield, de À Margem da Vida, de Tennessee Williams, com encenação de Beth Lopese. Mais  recentemente  Regina  Braga  também  dirigiu  um  espetáculo  sobre  a  obra  de  Luiz Tatit (compositor aqui de SP) com a Zêlia Duncan. “Esse espetáculo precisa ir para Belém porque é muito lindo e a Zélia faz um ótimo trabalho de atriz”, finaliza.

 Serviço 

“Um Porto para Elizabeth Bishop”. Apresentações nos dias 7 e 8 de março, sexta e sábado, às  21h,  e  dia  9,  domingo,  às  18h.  Produção  nacional  é  da  Ágora  Produções  Teatrais  e Artísticas.  Patrocínio do  Programa  Petrobras  Distribuidora  de  Cultura. Os  ingressos custam R$ 20,00 e R$ 10,00 a meia, para qualquer lugar no teatro, à venda na bilheteria
do Theatro da Paz, das 9h às 18h. 

SUCESSO DE CRÍTICA 

Há quantos anos não saía do teatro com alguma coisa acrescentada à minha vida? Saí gratificado e feliz, querendo conversar mais, partilhar com amigos a hora e meia que relata o trajeto feliz/dolorido que foi a passagem de Bishop pelo Brasil e sua paixão Por Lota Macedo Soares. Sou anacrônico, gosto da alta qualidade de um texto e me deixo envolver quando a direção é perfeita. E poderia ter assistido de joelhos a interpretação comovente de uma atriz que só tem crescido.
Ignácio de Loyola Brandão. O Estado de S. Paulo 15 de junho de 2001 

A encenação é despojada e muito bem concebida para o amparo ao monólogo. A direção de José Possi Neto é limpa, simples, explora o espaço cênico de modo a dar a variedade possível a um espetáculo solo e cria gradações emocionais com cuidado. Estas últimas, é claro, ele pôde buscar porque tinha como sua intérprete Regina Braga, que realiza aqui talvez o melhor de seus muitos bons trabalhos.
Barbara Heliodora. O Globo.

Elizabeth Bishop, de capa de chuva e óculos escuros, ocupa o centro do palco, agarrada numa valise e num passaporte (...) Surpreendentemente, esta cena de abertura de uma poderosa peça inédita sobre a consagrada poeta americana, não acontece na Broadway, mas num teatro em São Paulo. E a atriz que recita a métrica elegante do verso de Elizabeth, levantando as platéias a cada noite, fala português.
Mac Margolis. Newsweek, 30 de julho de 2001 

A peça Um Porto para Elizabeth Bishop vem contribuir para o resgate da memória de uma das mais importantes poetas da história, que viveu no Brasil seus anos mais produtivos. Mas não vá pensando em um espetáculo sobre poesia como um recital interminável. O texto leve e elegante trata do Brasil em uma visão apaixonada, doce e sem ufanismo. O cenário, a trilha e a iluminação dialogam com a atriz e traduzem o espírito da época em que a poeta viveu aqui.
Tatiana Alves. O Tempo. Belo Horizonte, 26 de outubro de 2001 

(...) Um monólogo que nem parece um monólogo, de tão fluente que é, interpretado à risca por Regina Braga. A gente nem nota que ela está sozinha no palco. Ela contracena com fantasmas o tempo todo. Quase podemos vê-los.
Eugênio Bucci. Jornal do Brasil, 16 de agosto de 2001 

Que combinação extraordinária entre um excelente texto, uma admirável interpretação e uma impecável direção -- sem falar no cenário, na trilha sonora e na iluminação--. Que rara harmonia entre emoção e estética. Fui para ver um monólogo e "vi" duas mulheres em cena. Elizabeth e Lota. Não me perguntem como isso acontece.
Zuenir Ventura. O Globo, 25 de agosto de 2001 

Uma partitura complexa e fecunda, que teve a felicidade de ser composta para uma atriz que parece atingir sua maturidade plena. Regina domina com tranquilidade todas as sutilezas requeridas. (..) Não é seguro o porto que recebeu Elizabeth Bishop, mas a sua lucidez de poeta nos ajuda a recordar a utopia que se perdeu no golpe militar e que agora buscamos de volta.
Sergio Salvia Coelho. Folha de S. Paulo 

O texto de Marta Góes costura com agilidade algumas das melhores passagens das cartas reunidas em Uma Arte, para contar os 15 anos da poetisa no Brasil. Encadeia insights da poetisa a favor e contra o País e desse modo equilibra-se até o fim.
Daniel Piza. O Estado de S. Paulo, 15 de julho de 2001 

A peça Um Porto para Elizabeth Bishop descreve o período em que residiu no Brasil, do começo cheio de esperança ao atormentado final, apoiando-se fortemente em seus poemas e cartas. Mas seu principal foco é o romance turbulento com a arquiteta e paisagista Maria Carlota Macedo Soares e o impacto que essa relação teve sobre o desenvolvimento de Bishop como escritora.
Larry Rohter. New York Times, 6 de agosto de 2001  

Assessoria de Imprensa