Ministério de salvar vidas: Mais Médicos

Por e-mail, o reverendo Marcos Souza encaminha-me sua opinião sobre a questão, preocupado com o tema e ‘sentir grande silêncio social sobre isso’. Confira.

O MINISTÉRIO DOS MÉDICOS 
Rev. Marcos Fernando Barros de Souza*

“Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão...”

Assim começa uma linda canção, cantada nas igrejas, e vem em encontro ao meu sentimento de que está havendo um silêncio muito estranho da sociedade civil em relação à postura das entidades médicas, como o Conselho Federal de Medicina, contra o programa Mais Médicos, do Governo Federal.  Graças a Deus não são todos os médicos.

É preciso que a sociedade deixe claro para essas entidades que a atitude delas não é contra o governo, contra a Presidente Dilma, ou contra o Ministro da Saúde. Torna-se mais claramente uma posição contra o povo brasileiro, e principalmente os mais pobres. Precisam perceber que a desculpa de que os médicos estrangeiros são perigosos para atuar no Brasil, não engana ninguém, pois se um brasileiro está em qualquer um desses países e precisar de um médico será com os de lá que irá contar. Alguém precisa dizer a eles, que usar as absurdas e vergonhosas dificuldades das Unidades de Saúde Públicas para justificar a falta de médicos no interior é menosprezar a inteligência das pessoas. Seria como Imaginarmos uma pessoa passando mal em um avião, em plena travessia do Oceano, e alguém da tripulação pergunta se há algum médico a bordo para socorrer aquela pessoa. Agiria certo um medico que por não dispor das condições para o correto socorro, não se apresente ficando no anonimato? Onde estaria o ministério de salvar vidas?

A postura destas entidades de classe deixa transparecer mesquinhez, e um tipo de corporativismo que não parece em nada com a grandeza e a dignidade que esperamos e tantas vezes vimos nesses profissionais.

Sim, pois quem não tem uma história de heroísmo, de humanidade, misericórdia, e ministério de amor protagonizado por um médico ou uma médica. Eu mesmo tenho uma que jamais esquecerei.

Por isso peço, encarecidamente, aos médicos e médicas de boa vontade que independentemente de partido ou ideologia, lutem sempre pela saúde de acesso universal, pela qualidade progressiva dos serviços de saúde, pelo financiamento adequado da saúde no Brasil, pela valorização da sua profissão, mas não se furtem à missão de cuidar das pessoas onde e como elas estiverem e pronunciem-se contra a posição corporativista e mesquinha dessas entidades.

Que a Luz do Senhor os ilumine.
Rev. Marcos Fernando Barros de Souza.
Diocese Anglicana da Amazônia, IEAB.
CAIC – Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs.
                        Coordenador
 (imagem: Reverendo)