Eduardo Rocha: Sobre ler, escrever e Vicente Salles

Coluna Ponto de Vista do jornal ‘Comunicado’, da Unama, o jornalista Eduardo Rocha fala sobre o ato do escrever, a partir da leitura, motivado pela feira do livro, realizada recentemente na capital. E ainda, relembra Vicente Salles, o nosso pesquisador inesquecível, com uma programação especial na Universidade da Amazônia. Veja:

Ler para escrever
PONTO DE VISTA
Eduardo Rocha *

Uma lição que fica da XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, promovida recentemente no Hangar pelo Governo do Estado, é a ratificação da tese defendida por autores, leitores e, sobretudo, por quem ama a literatura: só escreve quem lê. Nos dez dias da Feira, que este ano rendeu homenagem ao poeta paraense Ruy Barata e ao “país” Pará – a partir do verso de Barata , “eu sou de um País que se chama Pará” – muita gente esteve em contato com letras, palavras, imagens, formatos, expressões artísticas, conceitos e sentidos, basicamente nos livros. Matéria-prima para se escrever. Como ressaltaram os filhos de Ruy Barata, Maria Helena e Tito, na abertura da Feira, o autor do verso “esse rio é minha rua” era um leitor voraz, e a homenagem ao Paranatinga ganhou relevância por relacioná-lo aos livros. Podemos não escrever como Ruy escreveu e sempre escreverá nos livros, mas somente a partir dos livros, poderemos escrever melhor em trabalhos escolares, redações para Vestibular, nos TCCs, no Facebook ou no Twitter e até mesmo em um recado bem simples. No mundo atual em que mais do que nunca a informação é veloz e decisiva para tomada de decisões, ler é imprescindível. O interesse dos leitores na Feira foi notado por autores como Cristovão Tezza, para quem a Internet faz com que quem nunca se deu ao hábito de ler ou escrever passe a praticar essas ações para não ficar de fora do que acontece na Grande Rede. Autores como Antônio Juracy Siqueira, que em Afuá, quando menino, lia literatura de cordel levada pelo pai. Para Juracy, se os pais têm livros em casa e gostam de ler, os filhos tendem a ser leitores. Foi assim com ele, e, com certeza, “Foi Assim” com Ruy Barata e deverá ser com todos nós.

* Jornalista profissional e colaborador na Ascom-Unama
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Vicente Salles é homenageado na Unama

A vida e a obra do historiador Vicente Salles -- primeira personalidade a receber o título de doutor honoris causa  da Universidade da Amazônia  e recentemente falecido -- serão tema de uma programação na Unama na próxima quinta-feira, dia 16, a partir das 19 horas, no auditório David Mufarrej, no campus Alcindo Cacela.

Será realizada a mesa redonda "Vicente Salles, inteligência a favor da Amazônia, estudos multiculturais", servindo para apresentação dos temas: “Vicente Salles e os estudos dos folguedos populares”, pela professora mestra Elaine Oliveira; “Vicente Salles entre a antropologia e os estudos culturais”, a cargo do professor mestre Jerônimo Silva.

O tema “O saber que ilumina a Negritude no Pará”, será apresentado pelo professor doutor Paulo Nunes, e “Correspondências com Vicente Salles, palavras de afeto e carinho”, pela professora doutora Rosa Assis. 

O evento, aberto ao público (entrada franca), terá a participação do estudante Thiago Rosa Nascimento, do curso de Letras da Unama, e dos professores Célia Jacob e Francisco Cardoso. A programação é uma iniciativa do Programa de Licenciaturas/Centro de Ciências Humanas e Educação (CCHBE) da Universidade da Amazônia.

Contribuição

Vicente Juarimbu Salles deu vasta contribuição à cultura e história da Amazônia, como historiador, antropólogo, musicólogo e folclorista, inclusive, com reconhecimento em outros centros do País e no exterior.  Vicente Salles foi agraciado com o título de doutor "honoris causa" pela Unama, por decisão do Conselho Universitário (Consun), datada de 19 de junho de 2002. 

A iniciativa da Universidade em homenagear Vicente se deu porque o professor "sempre dedicou sua vida ao ensino e à pesquisa - sobretudo da cultura amazônica e da literatura feita no/sobre o Pará, assim como pelo seu trabalho de recuperação e registro de valores e de manifestações culturais da Região Amazônica". Vicente Salles morreu na madrugada do dia 7 de março passado, aos 81 anos de idade. Ele nasceu no dia 27 de novembro de 1931.