Estudando Giddens: Karine Pedrosa


Em “As consequências da modernidade”, Anthony Giddens faz uma leitura da sociedade por meio das teorias mais difundidas na sociologia e acrescenta seu olhar sobre a modernidade a partir de um plano de análise institucional. Sua argumentação é abstrata-geral, pois a instituição de que fala é a própria modernidade, no entanto, Giddens utiliza argumentos empíricos-descritivos, visto que, a modernidade, de que fala, é conceituada como um estilo, um costume de vida que opera na organização social da europa, a partir do séc. XVIII e se expande no tempo e no espaço, afetando o mundo de forma globalizante e totalitarista.
 
Giddens está interessado em compreender a natureza da modernidade para diagnosticar suas consequências e entende que alguns pontos de vista dominantes na sociologia, enquanto disciplina voltada para o estudo da vida social moderna enfrentam dificuldades nos debates sobre modernidade e pós-modernidade. Para o autor, a modernidade está ligada ao evolucionismo por meio de uma história totalizada que dá consistência a grande narrativa e agrega o governo totalitário as suas características fundamentais, contemplando a militarização de forma sem precedentes.

Relembrando os conceitos de Marx, Weber e Durkheim para sociedade e modernidade, Giddens conclui que “O dinamismo da modernidade deriva da separação do tempo e do espaço e de sua recombinação em formas que permitem o zoneamento tempo-espacial preciso da vida social. O autor desenvolve esta ideia argumentando que a modernidade caracteriza-se pela padronização mundial do tempo, gerando por meio das instituições locais moldados por determinações extra-espaciais, um desencaixe que incita a progressiva diferenciação interna. Conceito fundamental para que as instituições possam exercer essa influência é o de confiança, que nesse caso remete a crença e fé, a modernidade caracteriza-se por uma separação entre pensamento e ação, a reflexividade na modernidade gera “contínua produção de auto-conhecimento sistemático, (mas) não estabiliza a relação entre conhecimento perito e conhecimento aplicado em ações leigas”.

Para Giddens, em seu tempo, pensar a descontinuidade é fundamental e nessa descontinuidade da modernidade que o autor percebe a emergência de uma pós-modernidade que exprima a transição dos períodos, o fim da história, da grande narrativa ocidental, o declínio da hegemonia global europeia, os esvaziamentos do progresso pela mudança contínua, o controle declinante do ocidente sobre o resto do mundo, a dissolução do evolucionismo anunciando o reconhecimento de uma reflexividade meticulosa e constitutiva.

Fonte: Karine Pedrosa