repórter-cinematográfico: vocação e acaso



imagem: cris moreno
hélio furtado é repórter-cinematográfico por vocação e está na profissão há 31 anos. já ronaldo silva, repórter-cinematográfico escolhido ao acaso. ambos são fotógrafos, também. um era operador de projeção(cinema) e o outro, eletricista nas forças armadas.

hélio furtado
para hélio de souza furtado, 55, a mudança tecnológica que atravessa o tempo, é fantástica. 'a primeira câmera que liguei na vida, funcionava através de válvula. lembro-me como se fosse hoje. chegava pela manhã para trabalhar(tv guajará), e ligava o equipamento, para que pudesse fazer o jornal à noite. a válvula ficava aquecendo. com a mudança de prédio, chegaram modernos equipamentos – tubo de imagem. só tinha um problema, não podia ver o sol que ficava tudo manchado. depois chegaram as -mil e oitenta-, -mil oitocentos e vinte-, -meia sete-, -meia meia-(referências), com tecnologia mais avançada. e aí mudei pra cá, para a tv cultura(1988). e peguei as câmeras -m três a-, -m três b-, com o formato comprido. vieram as câmeras integradas, com os componentes internos e maior sensibilidade. formato bem menor. surgiram os vhs e super vhs. recordo que comprei o meu videocassete em um consórcio de 12 parcelas, descontados do meu contracheque. e entramos no formato hd. hoje a cultura pode dizer que é top de linha. a minha entrada para a televisão vem do meu trabalho no cinema de belém. era operador de projeção e trabalhei em todos os cinemas da capital – olympia, iracema, nazaré, palácio, guarani(bairro da cidade velha), paraíso(bairro da pedreira). e na televisão, fui para operar o telecine(máquina para colocar os filmetes). nesse tempo, como não tinha vídeo tape, todos os comerciais eram feitos em slides, ou em películas de 16 a 35 mm. ia para o laboratório e fazia a revelação. e assim, fui entrando no ramo da televisão', explica furtado.

pergunto-lhe(1): e hoje, a qualidade mudou completamente? diz-me: completamente. vou dar um exemplo, o futebol. o tempo é de 45 minutos. naquela época, você tinha que levar um vt de mesa, com um metro de tamanho e 80 de largura. era o único vt que recebia a fita de uma hora. eram quatro pessoas para carregar essa mesa. precisava de uma fonte grande para alimentar a câmera, energia para ligar o vt.... era tão difícil trabalhar, que até o veículo para carregar todo esse material, tinha que ser imenso. atualmente, você pega uma câmera dessa pmw 320 e colocar um cartão, e gravar até três horas de duração. depende da resolução. hoje em dia é tudo mais prático para trabalhar. e a qualidade é muito melhor.

pergunto-lhe(2): quanto mais a máquina é potente, não exige também mais criatividade? responde-me: exige mais criatividade e cuidado com o equipamento, porque ele pode te denunciar. como é supersensível, a máquina vai denunciar qualquer falha que pode existir dentro de um plano de filmagem. se tiver uma mancha na parede, vai denunciar, um fio de cabelo pra cima, vai mostrar.... por isso, o olhar tem que ser apurado. daí que foi criada a função de supervisor de cenário. o olhar passou a ser criterioso. (uma repórter o chama para mais um dia de trabalho).

ronaldo silva
entra em cena o repórter-cinematográfico ronaldo luiz rodrigues da silva, 48, que além de ser fotógrafo, também é graduado em marketing, pelo rio de janeiro. silva pega o gancho final da entrevista com hélio, e acrescenta que por conta da modernização nos equipamentos, até a maquiagem dos profissionais da rede globo é especial, porque a sensibilidade é imensa.

há 17 anos que ronaldo silva está no ramo. e tudo começa na marinha, em manaus, onde realizava serviço de eletricista, sua função, na garagem do hangar. 'um dia o helicóptero ia voar e precisa de alguém para gravar imagens. e de repente, me perguntaram se não gostaria de tentar. foi o acaso. de eletricista a cinegrafista. quatro anos depois, já em belém, fiz o curso de cinegrafista promovido pela tv liberal. fui para o rio de janeiro e me formei em marketing. logo depois, surgiu uma vaga na rede globo de macapá, para repórter-cinematográfico. fui e permaneci na cidade durante 12 anos. se você não se capacitar, ficará para trás. na época do hélio, ele tinha que correr para o papel para estudar, agora, com a internet, existe inclusive, curso online. um dos problemas de hoje é a qualidade do material, porque há cinegrafista, como há apertador de botão.

- entrevistas concedidas no café cultura, e imagem captada na biblioteca(cultura), em 03/04/2012.