compra da casa própria fortalece o mercado de paisagismo


paisagismo humaniza a arquitetura, e nos sensibiliza

imagem: cris moreno
thibault monchecourt(30, paisagista, francês), brenda monchecourt(30, arquiteta, paraense) e josé cândido(54, economista e empresário no ramo de floricultura), estão interligados como projeto de vidas. thibault se especializou em plantas tropicais. brenda integra a arquitetura no paisagismo(não seria o inverso?). cândido(floricultura) confirma: o mercado do paisagismo cresce aceleradamente. todos têm o mesmo pensamento - a natureza aproxima as pessoas.
 



paisagismo
graduado na frança em paisagismo e botânica, com estudo complementar e aprofundado sobre plantas tropicais, thibault já trabalhou nas guianas francesas, onde se especializou no conhecimento de plantas tropicais, 'porque na frança não há esse tipo de planta, apesar de já conhecer no meu país uma parte desse verde, mas no interior, planta de residência. os jardins franceses(exterior) utilizam outras espécies, devido o clima. viajei várias vezes ao brasil para conhecer melhor branda(são casados) e pensar num projeto local', explica o paisagista.
brenda e thibault trabalham juntos há dois anos, com um ano de casados, tempo para montar uma empresa de arquitetura e paisagismo(le jardin paisagismo), inaugurada no início deste ano, 2012. um detalhe, o pai de brenda é engenheiro civil e de vez em quando faz consultoria para os projetos do casal.
a floricultura verdes flores, de josé cândido, é uma das fornecedoras de matéria-prima para o le jardin paisagismo. mas os monchecourt já estão nesse caminho, também. são proprietários de um sítio em benfica, região próximo da capital, que abriga experiências em botânica e cultivo de várias espécies de plantas.'queremos ter a nossa produção própria, não só para o paisagismo, como ainda a criação de um viveiro para novas mudas', esclarece o senhor monchecourt.
com sotaque ainda carregado, um pouco de francês e na mesma medida de português, thibault conta-me que 'a diversidade de espécies aqui é muito grande. a própria botânica é muita rica, apesar do paisagismo no brasil ser mais recente'.
com a união com brenda, e por ser arquiteta, profissões interligadas, os projetos podem ser em conjunto, 'trabalho também com iluminação nos jardins, porque todo jardim precisa de cuidados, à noite. o paisagismo não é só planta, por exemplo, a área da piscina, área de lazer, churrasqueira, diversidade de pisos, mobiliária.... e aí entra a arquitetura', complementa brenda. para thibault, o jardim é como uma casa, necessita de planejamento. o paisagista gosta muito de trabalhar com jardim zen para contemplação, paz de espírito, além de lançar mão da água, pedras, fontes.
'em belém, as pessoas gostam de sofisticação, falando em arquitetura, acima do estilo regional', diz brenda. 'os prédios estão crescendo cada vez mais na cidade, com a mesma proporção do paisagismo, nos condomínios. os pequenos jardins estão nas sacadas', revela a arquiteta. thibault reforça a sua cultura, dizendo que uma horta caseira nas sacadas seria interessante. 'todas as casas na frança dispõem de uma horta caseira - ('tem outro gosto a comida, porque você sabe de onde veio e foi você que cultivou', interfere a senhora monchecourt). 'temos muitas ideias', explica thibault, 'o benefício de um jardim é muito grande, além da valorização do imóvel. se você pratica paisagismo numa praça, o seu imóvel será também valorizado'.
os dois adoram antiguidades. 'temos uma coleção de máquinas fotográficas, projetor de super8 que ainda funciona, e que era do meu avô, a gente escuta vinil.... conta brenda. 'eu gosto de belém, do clima, o povo é muito receptivo. assim como observo que as pessoas poderiam aproveitar mais os espaços de suas casas para as plantas, porque o paisagismo aproxima as pessoas da natureza, percebo também, que poderiam utilizar as plantas da amazônia, que são bonitas, quando preferem importá-las', declara o francês.
ambos concordam que o paisagismo estar entrando com força no mundo. o blog do casal está cheio de dicas, inclusive com vídeos disponibilizados no youtube.
 
floricultra
josé cândido cavalcante, 54, economista, é um dos fornecedores da matéria-prima para o trabalho do casal. iniciou com a loja de plantas no bairro da cidade velha, chamada casinha, em 1985. com o crescimento do negócio, de 2003 pra cá, está na rua padre eutíquio, 2196, no bairro de batista campos, com a verdes flores. 'nós atendemos o consumidor final, arquitetos, paisagistas, jardineiros.... e temos desde a terra, do vaso plástico, de cimento, cerâmica, cipó, de louça, sofisticado, ferramentas, adubo, .... tudo que tiver ligado ao ramo de plantas, nós vendemos. 70% vem de são paulo, 10% de outras regiões do país e 20% de belém(terra, algumas plantas e flores que são produzidas na cidade, artesanato, vasos de barro e cimento). de fora recebemos plantas através das empresas aéreas e estradas(caminhão).
pergunto ao economista, esclarecendo que, segundo o casal monchecourt, arquitetura e paisagismo se juntaram para aproximar mais as pessoas da natureza, tanto que os jardins estão sendo projetados verticalmente. tem saído muito esse tipo de vaso? responde-me: 'não só ele, o vaso de parede. sai tudo. desde os modelos mais antigos, ao mais modernos. o que produzo no meu sítio, não dá nem para atender a necessidade da loja. o mercado está crescendo cada vez mais, motivado pela compra da casa própria, além da profissionalização, exigência e variedades de mercadorias', finaliza cândido.
 
entrevistas concedidas(casal monchecourt) nas dependências da fox vídeo em 04/04/2012.
entrevista concedida(cândido) na floricultura, em 05/04/2012.