arquivos do 'escrita marginal'(sítio) estão agora no morenocris.org

'a alegria é tão introspectiva, que chega como um difusor de aroma de alecrim e ervas: suave, invisível, sentido'. um dos pensamentos do escrita marginal. entrevistas primorosas estão por cá. inesquecíveis. vale o registro. ano: 2011-

A nossa 'Casa Rosada'

O endereço é  rua Siqueira Mendes, 61, no bairro da Cidade Velha. A casa é cor de rosa que, de tanto ser cor de rosa, ficou conhecida como 'a casa rosada', pelos moradores. Uma das poucas peças arquitetônicas do século XVIII, e que insiste em ficar de pé. Diria que essas duas observações pesaram para fechar o negócio de compra e venda do imóvel. Os proprietários? Bem, falam que não tem nada a ver, mas são argentinos.
O projeto de restauro da 'nossa Casa Rosada' é dos arquitetos Maria Beatriz Faria e José Morgado Neto, com parte financiado pelo Projeto Monumenta, do governo federal, apresentado através do Fórum Landi. A inauguração está prevista para o segundo semestre deste ano. Será um espaço multicultural.
Segundo Mena Mata, arquiteta que responde pelo Projeto Monumenta no estado, estão concluídas as obras do Solar Campos Sales, imóvel privado e, prevista para primeiro de maio a inauguração do Mercado Francisco Bolonha(carne), e ainda neste primeiro semestre, o Instituto Histórico e Geográfico.
Atualmente, duas obras de restauro de monumentos tombados se encontram em final de desenvolvimento. A primeira, o mercado Francisco Bolonha, conhecido como mercado de carne, prédio de estilo neoclássico, construído externamente em alvenaria em 1867 e reformado pelo importante engenheiro Francisco Bolonha entre 1905 e 1908, apresenta como destaque em seu pátio interno, uma escada em espiral confeccionada em estrutura de ferro fundido, oriundo da Inglaterra. O mercado está sendo totalmente restaurado, e a obra foi iniciada em dezembro de 2006, no valor de R$ 3.895.510,98, sendo que 30% desse valor é investimento público municipal (R$ 1.168.653,30) e 70% recurso oriundo do programa Monumenta. A inauguração prevista anteriormente para 2009, sofreu alteração não só no tempo, como também no acréscimo, via Tesouro Municipal, de recursos na ordem de 1milhão900 mil reais.
A segunda obra, que está sendo finalizada é a do Instituto Histórico e Geográfico. Prédio de três pavimentos com fachada revestida com azulejos portugueses, com portas e janelas com balcões de ferro. Esse monumento serviu ao Barão de Guajará, que foi presidente das Províncias do Pará, do Ceará, da Paraíba e de São Paulo. A obra de restauro foi iniciada em abril de 2009 e os serviços foram orçados no valor de R$ 1. 450. 518, 53, sendo R$ 435. 155,55 recursos provenientes da esfera municipal e R$ 1.015.362,98 recursos provenientes do programa Monumenta.
Ainda diz o Projeto:
O Monumenta é um programa do MINC com financiamento do BID e apoio da UNESCO, que conjuga recuperação e preservação do patrimônio com desenvolvimento econômico e social. Ele atua em cidades históricas protegidas pelo Instituto do Patrimônio e Artístico Nacional (IPHAN). Sua proposta e de agir de forma integrada em cada local, promovendo obras de restauração e recuperação dos bens tombados e edificações localizadas nas áreas de projeto. O programa procura garantir condições de sustentabilidade do Patrimônio. Cujo objetivo será alcançado com a geração de recursos para o equilíbrio financeiro das atividades envolvidas nas áreas do projeto. Com isto, facilita a manutenção das características originais dos bens, sem que sejam necessários futuros aportes de recursos públicos. Em Belém o programa está sendo desenvolvido em parceria com a prefeitura municipal e iniciou em 2003, entretanto foi implementado a partir de 2004 com a inauguração da Praça Maranhão, e em 2005 com a inauguração da praça Frei Caetano Brandão.
No programa Monumenta, também existe o programa do Edital de Imóveis Privados. Esse programa viabiliza a recuperação de imóveis privados na área de projeto do Monumenta a fim de ampliar a atuação do Programa, atingindo unidades nas quais não se podem investir recurso público a fundo perdido. Os indivíduos credenciados são proprietários ou detentores da posse legal de imóvel localizado na área do Monumenta que querem reformar ou adequar suas edificações ou Inquilinos, parceiros do proprietário, e que se encontram na área do centro Histórico e entorno. O programa através da Caixa Econômica avalia os proponentes inclusive que são autônomos.
Serviço
Para obter informações sobre o Programa Monumenta e seus editais, basta entrar em contato com a Unidade Executora do Projeto, no Palácio Antonio Lemos (Praça Dom Pedro II, s/n° - Cidade Velha), fone 3283-4677, e-mail monumentabelem@hotmail.com.

Forum Landi

O Fórum Landi é um Projeto que nasceu dentro do Departamento de Arquitetura do Centro Tecnológico da Universidade Federal do Pará em 2003 por ocasião da realização do Seminário Internacional Landi e século XVIII na Amazônia para comemoração dos 250 anos da chegada de Landi em Belém. Nessa ocasião foi criado o Fórum Landi com o objetivo de:

realizar estudos, pesquisas e ações visando à recuperação, revitalização e conservação integrada do legado arquitetônico e artístico de Antônio José Landi e do seu entorno urbano;
propiciar a cooperação entre os membros, bem como fomentar uma rede de pesquisadores em estudos históricos, artísticos, arquitetônicos e urbanísticos sobre a Amazônia;
estimular a formação de pesquisadores interessados nas áreas de competência do Fórum;
organizar e gerenciar acervos e bancos de dados nas áreas de competência do Fórum;
promover atividades de extensão, sob as mais diversas modalidades, visando difundir o resultado de suas pesquisas;
divulgar seus trabalhos através dos mais diferentes meios, incluindo reuniões acadêmicas, exposições e publicações;
apoiar políticas democráticas de cultura, o acesso a acervos documentais de interesse público, a preservação dos acervos arquivísticos e do patrimônio arquitetônico, urbanístico e artístico da Amazônia.

01/04/2011 – Cris Moreno - 13h30

O campo minado do jornalismo
Sabe quando você procura algo e é encontrado por ele? Quando você obedece ao chamado de imagens que vêm através da música? É um campo minado de cordas, notas, teclas, sensibilidades e memórias. Dizia-me, antes de iniciar este percurso no site, que buscaria a nossa 'independência latina' tão falada e discutida no espelho cultural já quebrado - estilhaçado, talvez. Sempre escolhemos caminhos e pensei que a música poderia me dar o fio do mapa, feito João e Maria, catando pedaços de pão para chegarem ao seu destino. Estórias infantis. Mas, não é a criança que fomos e que apontará a nossa inclinação para o futuro, e a criança que somos na idade madura que nos faz retornar ao passado? Tudo a ver.
Se você observar a lateral do escrita marginal, desde o início, estão os textos de conversas com a cubana musicista e regente Maria Antonia, Cláudia Oliveira, percussionista,com o pianista Paulo José Campos de Melo e queria fechar a série com o professor Serguei, de violino e viola. Na época, estava na Rússia, em férias com a família e também para deixá-la em terras distantes, por conta da filha, de 21 anos, musicista como o pai, de viola. Três anos de saudades no horizonte. O mesmo para a cubana Maria Antonia e filha. Precisamos nos aprimorar, neste aspecto. Os pais sempre querem o melhor para os filhos. Entenda-me.
E nesse ir e vir à Fundação Carlos Gomes, como um surdo chamando o som, tentava entrevistar Firsanov, até que uma casualidade nos colocou frente a frente. Mas antes, nesse caminho, encontrei a musicista Dóris Azevedo, e que assumirá no próximo mês, a Academia Paraense de Música.
O jornalismo muitas vezes nos surpreende, não pelo fato em si, mas no encontro do que refletimos sobre o ideal de vida, ligação tênue e que pensamos que só existe nas películas. Penso cá, que ele, o jornalismo, muitas vezes no salva também. Durante esses quatro anos analisando América Latina através dos médios, dizia sempre que é possível desenhar o caminho que percorremos, seja no espelho factual, seja na imagem das palavras fantasmas. Há controvérsia. 

Para Seguei Firsanov, russo, o jornalismo está no pensamento e não na escrita, que pode nos enganar. Ele acredita na realidade e não na propaganda. Mas, quem é Firsanov, Serguei?
Não é um cello de Bach, instrumento longo e perfeito para quem mede 1.96 de altura, olhos verdes, barbas, cabelos castanhos claros, talvez acinzentado, sotaque estrangeiro, conhecedor de história de mundo e, acima de tudo, preocupado com a degradação, valores e a vida moral do planeta. Direto da Rússia para o Pará, onde é residente há 20 anos, Serguei Firsanov, 58, musicista de viola e violino, com mestrado em música no seu país de origem e também professor da Fundação Gomes, é o protótipo da motivação em pessoa.
Sua história de vida é comovente. Quando adolescente e morava num bairro problemático na Rússia, onde os jovens eram seduzidos pelas drogas, sem perspectivas de futuro, Firsanov decidiu trilhar o caminho inverso e paralelo, através da música, ou melhor, do violino. 'O violino salvou a minha vida pela primeira vez', disse-me. E 'salvou-me pela segunda vez quando fiquei de cara com o problema nas ruas, e por conta dele, liberado pelos viventes desse mundo'.
Acima de bandeiras de luta, de diplomas de doutores, de políticas assistencialistas, Serguei Firsanov é de opinião de que a música é sedutora e capaz de ajudar os jovens, hoje tão entretidos com jogos eletrônicos e as drogas. 'Os doutores precisam ter ideias, podemos trabalhar a música em todas as línguas e disciplinas', alerta-me. Não basta ser técnico, é preciso ser humano e ter a capacidade de olhar para cada criança de rua com um instrumento nas mãos. Imaginar cada ser carente de atenção em volta de notas musicais, ritmos, composições. A música também sabe ser atraente e extasiante.
Para Serguei Firsanov, outras crianças podem ser salvas pela música. Experiência própria.
De quem falo:
Professor de violino e viola, músico, compositor, arranjador, pesquisador na área de educação musical e interdisciplinar, tradutor (russo-português), técnico e afinador de piano, possui mestrado em Viola pelo Conservatório de Nijny-Novgorod (Gorky) (1975). Atualmente é professor-bolsista de violino e viola do Conservatório Carlos Gomes (cursos Básico, Técnico e Bacharelado vinculado com UEPA – Universidade do Estado do Pará) e docente da disciplina Instrumentação no Curso de Bacharelado da UEPA, spalla de naipe de violas da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, coordenador e docente do projeto Vale-Música, financiado pela Companhia Vale e dirigido pela Fundação Amazônica de Música. Tem experiência na área de Pedagogia Musical com ênfase na Formação de alunos de violino e viola nos cursos Básico, Técnico e Bacharelado. Atua principalmente nos seguintes temas:
1. Motivação e incentivo na iniciação dos estudos de música em geral e de instrumentos de cordas com objetivo de ensinar crianças em situação de risco a partir de 05 (cinco) anos de idade;
2. Elaboração de um método dinâmico e conciso para aprendizagem de violino e viola;
3. Criação de repertório, usando temas e ritmos regionais e nacionais brasileiros e outros orientados para todos os níveis de alunos dos instrumentos de cordas e também para conjuntos de música de câmara, orquestra e banda sinfônica;
4. Aplicação das artes e dos elementos de ciências no processo de ensino e aprendizagem musical e no desenvolvimento geral do aluno.
1975, Mestrado em Viola Conservatório Glinka em Nijny-Novgorod (Gorky). Diploma com laude Máster of Fine Arts com a atribuição da qualificação de concertista, solista de orquestra, músico de conjunto de câmara, professor de colégio de música. Presidente da Comissão Estatal de Exames , V. A. Berlinsky.
1971, Curso Técnico em Viola Colégio Acadêmico de Música do Conservatório Tchaikovski em Moscou
1967, Curso Básico em Violino Escola de Música Chaporin em Moscou
ATUAÇÃO PROFISSIONAL E ATIVIDADES ARTÍSTICAS
1996 – Atual Integrante e a partir de 1998, spalla do naipe de violas da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz.
1992-2006 Violista, fundador e arranjador do Quinteto “Vivace” juntamente com Paulo Keuffer (1º violino), Celson Gomes (2º violino), Áureo de Freitas (Cello) e Jonas Arraes (contrabaixo).
1992-1996 Violista da Orquestra de Cordas do Pará.
1990-1991 Violista da Orquestra Sinfônica do “Stas Namin’s Center”, participou em várias turnês pela Finlândia, Alemanha e Reino Unido e nas gravações dos filmes em vídeo sobre a obra dos compositores famosos da série “Maestro”, lançados no mundo inteiro.
1988-1990 Violista, violinista, arranjador e afinador de piano da Orquestra do Bureau de Propaganda de Cinema, Moscou
1985-1988 Violista do Conjunto Instrumental “Rapsódia” do Mosconcert.
1978-1984 Violista do Trio de Cordas “Divertissement”, cujo chefe foi Djamil Mamedov, aluno de V. ª Berlinsky e de M. L. Rostropovitch(integrante da Orquestra de Câmara de Moscou, sob a regência de Rudolf Barchai).
1976 – 1977 Violinista do Conjunto “Violinistas de Moscou” da Filarmônica Regional de Moscou;
1971-1975 Spalla de violas na Orquestra Sinfônica do Conservatório Glinka e integrante da Orquestra Filarmônica de Nijny – Novgorod (Gorky);
1967-1971 Spalla de violas na Orquestra de Câmara e Orquestra Sinfônica do Colégio do Conservatório Tchaikovsky;
1992 – Atual Professor de Violino e Viola de 1º e 2º graus no INSTITUTO ESTADUAL CARLOS GOMES contratado pelo Governo do Estado do Pará através da então Superintendente da FCG, Professora Glória Caputo.
1998 – Atual Professor de violino e viola no curso de Bacharelado em Música mantido por Convênio entre a Fundação Carlos Gomes e a Universidade do Estado do Pará (UEPA).
1995-2002 Professor no curso de violino e viola de 1º e 2º graus na Escola de Música da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Atuando com Professor de Violino e Viola em Belém do Pará a partir de 1992 formou 19 (dezenove) alunos de violino e 07 (sete) de viola, 7 (sete) alunos possuem grau Técnico, 2 (dois) alunos em Licenciatura Plena em Música, 2 (dois) estão se formando no curso de Bacharelado, 10 (dez) possuem grau de Bacharel, 1 (um) possui grau de Mestre, 2 (dois) estão no curso de Mestrado nos EUA e 1 (um) está no curso de Doutorado nos EUA.
Destacam-se entre eles:
Eri Lou Nogueira – violinista, ganhou Menção Honrosa no XIII CONCURSO INTERNACIONAL JOVENS INSTRUMENTISTAS na categoria 12-16 anos (Piracicaba – São Paulo, 1995), posteriormente concluiu o curso Técnico com Concerto de F. Mendelsohn (I,II e III movimentos) no Conservatório Carlos Gomes, cursou Bacharelado em Violino e Mestrado no Conservatório da Antuérpiã (Bélgica), foi concertino da OSTP (Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz). Atualmente é integrante do naipe de 1º violino na Orquestra Sinfônica de Minas Gerais;
Gina Reinert – violinista, concluiu o curso de Bacharelado no Conservatório Carlos Gomes, executando no seu recital de Formatura no Theatro da Paz (dezembro, 2003) Prelúdio em mi maior de J.S. Bach; I Movimento do Concerto de F. Mendelsohn e a Sonata nº 1 de L. V. Beethoven. Posteriormente cursou Mestrado em violino em Porto Alegre. Atualmente está no curso de Doutorado no Texas (EUA);
Marcus Guedes – violinista, concluiu o curso de Bacharelado no Conservatório Carlos Gomes. Atualmente é concertino da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e regente da Orquestra de Cordas do Conservatório Carlos Gomes;
Andrei Matos – violinista, concluiu o curso de Bacharelado no Conservatório Carlos Gomes, com o Concerto nº 1 de N. Paganini (versão do Wilhelmi). Atualmente é integrante do naipe de 1º violino da Osquestra Sinfônica do Theatro da Paz;
Luciana Arraes – violinista, estudou no curso de Bacharelado no Conservatório Carlos Gomes. Posteriormente concluiu o curso de Bacharelado na USP onde foi spalla da Orquestra Sinfônica. Atualmente está cursando o Mestrado nos Estados Unidos da América;
Thais Carneiro – violinista, concluiu o curso Técnico no Conservatório Carlos Gomes. Atualmente é spalla de 2º violino da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e professora da Escola de Música da UFPA;
Márcio Heraldo – violista, concluiu o curso de Bacharelado no Conservatório Carlos Gomes. Atualmente é concertino do naipe de violas da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz;
Anna Firsanova – violinista, estudou no curso Técnico no Conservatório Carlos Gomes, executando no Recital de Formatura o Concerto nº 4 de W. A. Mozart; Variações “Moisés” de N. Paganini e Perpetum Móbile de Novacek. Posteriormente concluiu o curso Técnico em Viola no Colégio Acadêmico de Música do Conservatório de Tchaikovski em Moscou (Rússia). Atualmente está cursando o Bacharelado em Viola no Conservatório de Tchaikovski (Rússia).
2005 – Atual Coordenador e Professor de violino do Projeto Vale-Música, dirigido pela Fundação Amazônica de Música. Desde agosto de 2005, vem trabalhando com crianças da rede pública de ensino e coordenou, através de um método original e dinâmico e de repertório variado e atraente a criação de uma Orquestra operística infanto-juvenil e de um Conjunto de violinos (com cerca de 18 crianças) dentro do projeto Vale-Música, patrocinado pela Companhia Vale e administrado pela Fundação Amazônica de Música. Presidente - Prof. Glória Caputo.
Atua também neste projeto como professor de violino e entre outros tem dois alunos de destaque que já se apresentam em recitais com sucesso: Fábio Santos (spalla da Orquestra e do Conjunto de violinos) e Alexandre Negrão.
2006 – Atual Professor da disciplina Instrumentação para os alunos do Curso de Bacharelado em Música FCG/UEPA;
2004-2005 Professor da disciplina Leitura das Grades Sinfônicas para os alunos do curso de Bacharelado em Música da FCG/UEPA;
1998 Professor da disciplina Leitura à Primeira Vista para os alunos do curso de Bacharelado em Música FCG/UEPA;
A partir de novembro de 2001 esteve participando na elaboração, junto com o Planetário do Pará / UEPA no projeto de sua autoria “Harmonia da Vida” usando material científico e música. Esse trabalho entre outros objetivos prevê gerar um interesse firme à cultura dos povos indígenas e à preservação do meio ambiente. O projeto ia realizar-se através de uma série de palestras no Planetário do Pará e contava também com apresentações musicais.
APRESENTAÇÕES DE COMPOSIÇÕES ORIGINAIS E OS ARRANJOS
Janeiro de 2009 Três (03) apresentações da Ópera “O Viajante das Lendas Amazônicas” (escrita em parceria com o poeta paraense João de Jesus Paes Loureiro, para coral infantil e orquestra sinfônica infanto-juvenil do Projeto Vale Música) no Theatro da Paz em Belém do Pará dentro da programação cultural do Fórum Mundial Social.
Agosto de 2008 Duas (2) apresentações da Ópera “O Viajante das Lendas Amazônicas” no Theatro da Paz durante o FESTIVAL INTERNACIONAL DE ÓPERA com a participação especial do Coro Infantil e da Orquestra do Projeto “Vale Música”.
Novembro de 2007 Duas (2) apresentações da Ópera “O Viajante das Lendas Amazônicas” no Palácio de Belas Artes e gravação do DVD em Belo Horizonte com a participação dos alunos do Projeto “Vale Música”.
Estréia da Ópera “ O Viajante das Lendas Amazônicas” no Theatro da Paz.
Novembro de 2006 Apresentação da “Pequena Cantata Natalina” escrita para orquestra e coral dos alunos do projeto Vale-Música.
Dezembro de 2005 Participou como arranjador do Festival “Encontro de Violoncelos da Amazônia” fazendo por encomenda do Maestro e renomado violoncelista Antonio del Claro vários arranjos para esse evento.
Novembro de 2005 A SECULT realizou uma gravação da “Fantasia sobre dois temas de Waldemar Henrique” executada pelo pianista Paulo José Campos de Melo, coral Marina Monarcha e Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, regida pelo maestro Mateus Araújo (a obra encomendada pelo Ministério da Cultura em 2000).
Outubro de 2005 A “Fantasia sobre dois temas de Waldemar Henrique” foi apresentada na abertura do Festival Internacional de Dança da Amazônia na forma de ballet no Theatro da Paz.
Outubro de 2005 “Ave _ Maria” de Schubert – Apresentação na festa do Círio de Nazaré , arranjo para coral e orquestra dos alunos do Projeto Vale- Música.
Agosto de 2005 Participou como arranjador e fez supervisão dos arranjos do CD “Paranamerica” do grupo musical “Quorum”. A partir dessa data atua como arranjador do grupo.
Maio de 2004 Traduziu do russo para português e fez várias romanças e canções russas que foram executadas durante o FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICA DE CÂMARA na Igreja de Santo Alexandre com participação da cantora Dione Colares.
Janeiro de 2004 Apresentação do “Prelúdio para grande orquestra” da série “Imagens sonoras de Belém” escrita por encomenda para a Prefeitura de Belém, na ocasião de Abertura da Bienal organizada pela Prefeitura de Belém na presença do Exmo Sr. Ministro da Cultura Gilberto Gil. A grade foi impressa no álbum Banda Sinfônica Municipal – Grandes Interpretações, editado pela FUMBEL em 2004.
Outubro de 2003 Dentro do Encontro de Arte da UFPA no Theatro da Paz foi apresentado o prólogo de um show operístico infantil-juvenil “Viajante de Lendas” de sua autoria que trata das lendas da Amazônia com letra do João de Jesus Paes Loureiro.
Dezembro de 2002 Participou da solenidade de inauguração do Parque Ecológico em Tucuruí, junto com orquestra formada em sua maior parte de seus alunos apresentando dois arranjos de sua autoria (“Dança de Sabres” de A. Khatchaturian e “Suíte Outubro de 2007 Amazônica” de Altino Pimenta) feitos para a Orquestra de Cordas, onde na ocasião estavam presentes o Exmo. Sr. Presidente da República Fernando Henrique Cardoso e os Governadores do Estado do Pará, Dr. Almir Gabriel e Simão Jatene.
Maio de 2002 Fez por encomenda da SECULT restauração das cinco cenas da Ópera de Gama Malcher “Iara” com redução para piano, executadas pelos cantores paraenses e o coral “Marina Monarca” na Igreja de Santo Alexandre dentro do Festival Internacional de Ópera.
Novembro de 2000 Apresentação da “Fantasia sobre dois temas de Waldemar Henrique” (escrita por encomenda do Ministério da Cultura) para tenor, piano, coral e orquestra sinfônica no Palácio do Planalto, no dia Internacional da Cultura na presença do Exmo. Sr. Presidente da República Fernando Henrique Cardoso e as demais autoridades brasileiras e estrangeiras, com participação de Augusto Ó de Almeida (tenor), Arthur Moreira Lima (piano), Coral do Teatro Cláudio Santoro e três corais do Rio Grande do Sul, Orquestra Sinfônica do Teatro Cláudio Santoro, regida pelo maestro Silvio Barbato. Sobre esse evento o Ministério da Cultura produziu um filme que foi transmitido várias vezes pela TV nacional.
Novembro de 2000 Fez a tradução do poema de Korney Tchukovsky do russo para o português e compôs a música para a Ópera-Ballet Infantil “Enfim um milagre aconteceu” que foi apresentada no dia 9 de outubro de 2000 no Teatro Maria Silvia Nunes com a participação do Coral Infantil Itacy Silva da Escola de Música da UFPA e Coral Infantil do Colégio Adventista Grão Pará.
1999 Gravação no Theatro da Paz da “Rapsódia sobre dois temas de Waldemar Henrique” para piano e orquestra com participação de Arthur Moreira Lima (piano) e Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, regida pelo Maestro Barry Ford. A obra foi incluída no disco “Arthur Moreira Lima Interpreta Waldemar Henrique”, lançada pela SECULT com selo UIRAPURÚ (Coleção “A música e o Pará”, vol 4).Obra encomendada pela SECULT.
1995 Participou como arranjador e violista na gravação do CD “Mestre Drago” junto com o Quinteto “Vivace” executando as peças “Valsa Regina”, “Valsa Sublime Amor”, “Brincadeira Sonora”. Os arranjos das peças foram encomendadas pela SECULT.
1995 Participou como arranjador no disco “Homenagem a uma família paraense” lançado pela Universidade Federal do Pará.
1988 Escreveu música para dois espetáculos teatrais: “!4 cabanas vermelhas” sobre a peça do A. Platonov e “Tio Vânia” do A. Tchekov para o teatro da cidade de Kimry na região metropolitana de Moscou.
1985 Escreveu a ópera infantil “O Conto do Tempo Perdido” baseado na peça de Evgueni Schwartz apresentada várias vezes na região metropolitana de Moscou.
1983 Escreveu o musical “Dama Duende” através da comédia do dramaturgo espanhol Pedro Calderón para o teatro de Noguinck na região metropolitana de Moscou.
TRABALHO DE AFINADOR E TÉCNICO DE PIANO
Trabalho de Afinador e Técnico de Piano e cravo durante muitos anos. Preparou instrumentos para artistas de renome internacional como: Duo I.Oistrach e N. Zertzalova, Duo Fichtehgolz, E. Gilels, M. Pletnev, Dang Thai Son, M. Bratke, E. Szekely, E. Ratchev, Duo Antonio Del Claro e Paulo José Campos de Melo e Nacional como: Leila Pinheiro, Hebe Camargo entre outros.

26/03/2011 - Cris Moreno – 15h34

Arquivo Público equipa centro de digitalização com projetos externos
Em outras palavras, se vira. Sem arquivistas como função e sem gerência nomeada, quem responde pelo Arquivo Público é Eduardo Lobato Neto, da administração. O órgão do estado avança com as suas próprias pernas para preservar nossa memória, em forma de documentos. São mais de 4 milhões a massa documental do Arquivo, sendo que, 60%  do material estão tratados e os 40% restantes empacotados, ainda. De um ano e meio pra cá, conta-me Neto, o Arquivo Público do Pará se transformou em depósito de pessoas e de papel antigos, contudo, desde 2000(talvez até antes dessa data), não recebe documentos do Legislativo, Executivo e Judiciário. Trabalha com o material existente na Casa.

Da imagem para o texto, lá e cá. Na semana passada coloquei na vitrine desta página, do 'escrita marginal', imagens do Arquivo Público, clikadas por mim no ano de 2009. Hoje, resolvi visitá-lo:

A partir de 2 de abril, inicia o processo de digitalização dos arquivos sobre a escravatura, trabalho programado para o período de um ano, dentro do projeto aprovado pela Caixa Cultural, com recursos de mais de 300 mil reais. São 124 mil peças(documentos) que ficarão disponibilizadas para pesquisa interna e externa. Outro projeto aprovado é o da Petrobras, sobre tratamento dos documentos. Ao todo, recursos na ordem de 800 mil reais para executar obras culturais, e com isso, montar o seu centro de digitalização. O passaporte de aprovação tem nome no mercado: Prêmio Unesco, em 2010 – Memória do Mundo.
O Arquivo Público reivindica várias lutas. A primeira, é a designação da gerência ligada à Secretaria de Cultura do Estado, como Diretoria, por seu porte de importância documental e passar à Casa Civil, sua ligação funcional. A segunda, já em companhia de projetos mais amplos com a Associação dos Amigos do Arquivo Público, requer uma nova morada, espaço físico, inclusive dispõe do terreno localizado na Perimetral. A terceira, criar uma política de arquivo documental, e quarto, implantação da função de arquivista.
Eduardo Neto fala-me que a atual localização do prédio do Arquivo Público, no centro comercial de Belém, enfrenta diariamente vários problemas, desde a entrada de ladrões, poluição sonora,dificuldade de acesso até para os bombeiros, entorno agressivo, pichações, carros nas calçadas, infiltrações nas paredes, mas enfim, 'o Arquivo Público não é tudo isso, mas os documentos de memórias preservados', resigna-se o administrador.
Para funcionar, o Arquivo precisa de pelo menos 50 funcionários, no entanto, trabalha com apenas 21, e destes, quatro serão devolvidos ao Centur e dois, passaram em concursos de outros órgãos do estado. São historiadores, sociólogos, administradores, bibliotecários. No norte do país, somente o Amazonas possui o curso superior de Arquivista. É um trabalho minucioso, técnico e de qualidade. Para você ter uma ideia, todos os documentos(20 obras) da Coleção do Iterpa 'Sesmarias', do século XIX(1803/1824), já estão digitalizados e disponibilizados no Arquivo para pesquisa e cópias de interessados, além da venda do DVD(30 reais). Você pode, ainda, levar o seu DVD ou pen drive, e copiar o material(grátis).
O Arquivo Público do Pará recebe diariamente a visitação de mais de 10 pesquisadores, alguns, inclusive, há anos seguidos, pesquisam um mesmo tema. Também recebe e-mails em quantidade. São pesquisadores de todo o mundo, de todas as línguas. Consulte a página, que sofrerá modificações em breve: http://www.apep.pa.gov.br/ e o microblog: @apepsecult (alimentado pelo Eduardo).

Arquivo Público do Pará:
Travessa Campos Sales, 273 / Centro Comercial de Belém
Funcionamento: De 08h às 14h30, de segunda a sexta-feira.

24/03/2011 - 19h20

Mastigando o Exodo(ou remoendo a memória)
Foi o que me disse a irmã Sebastiana, 70, do Colégio Santa Rosa, onde estudei. 'Muita coisa a gente esquece e precisa fazer essa transferência, mudança, principalmente ao reler a Bíblia', esclarece-me. A religiosa está a fazer o meu caminho, no paralelo, no entanto, não conseguiu me responder por que o colégio de 79 anos no mercado educacional, ainda não tem sua história registrada em livro. O mesmo se dá com a história de nossas joalherias e calçadistas. Mas a memória da religiosa é fascinante quando vai buscar os três primeiros proprietários da casa que se transformou em colégio, em 1932. Inclusive um deles, talvez o último a testemunhar nesse capítulo, faleceu no mês passado.
O colégio mudou tanto, como o vento no tempo, e se expandiu(não só fisicamente), por conta da média de seus 2.300 alunos. Para a religiosa, essa mudança é benéfica, 'pois a escola deve evoluir e crescer de acordo com a realidade'. Sobre o tempo, diz-me que este é melhor, para compreender os jovens. Para quem está há 53 anos, só de Santa Rosa, conheceu Argentina, Paraguay e Roma, onde cursou duas disciplinas do curso de Teologia(Dogmática e Mariologia), 'o mundo virou do avesso, mas as amizades daquele tempo ainda são cultivadas', revela-me, ao lembrar de três ex-alunos que estão no Japão(preocupada), Inglaterra e França. Irmã Sebastiana declara que o colégio Santa Rosa é de uma generosidade que poucos sabem, e exemplifica com a escolinha Bambino Madre Rosa, fundada há 26 anos, no bairro do Jurunas, só para crianças carentes, no total 120, com a sua coordenação. Penso cá, que seja difícil de perceber essa generosidade, quando os valores das mensalidades escolares são significativas, como também, aceitar que só os religiosos(homens), podem estudar Filosofia, além da Teologia. Mas, deixando de lado este preâmbulo da conversa e meus pensamentos, a minha finalidade estava na saia plissada. E sobre, a irmã Sebastiana já confeccionou e vendeu muitas na escola.
Atualmente, aliás, de um bom tempo aos dias de hoje, o uniforme básico é calça jeans e camisa/blusa branca de malha. Saia plissada só no maternal e a camisa/blusa de malha, nas cores do colégio. Fui da época do colégio só para meninas, da saia plissada e blusa de tecido. Do tempo em que a escola fazia a produção do uniforme. Agora, cabe às malharias, a fabricação. E para isso, basta atravessar a rua. Na Art-Malha está o estoque, para atender diversas instituições de ensino. Segundo Cilene Alves, vendedora, só a saia plissada infantil do colégio Santa Rosa custa R$ 38,26. O atelier tem fabricação própria.
O universo entre linhas e agulhas, concorre com a produção caseira e o mundo profissional das costureiras. Pois é, estamos em terras em que costureiras é artigo de luxo, em meio ao mapa das regiões que abrigam estilistas de moda. Para nós, isso sim, que é luxo. Casar botão, não é fácil.
E de volta ao shopping, encontro esse pensamento em carne e osso, com o nome de Glória Jägger, paraense e viúva de um suíço, no armarinho Arte & Costura, em busca de uma peça para fazer consertos numa roupa, danificada por uma costureira. Contudo, as reclamações desaparecem feito fumaça, diante do quadro da qualidade de tecidos, malhas e produção em larga escala, no mercado de vestimentas. É do tipo, se ficar o bicho come e se correr o bicho pega. Mas, para quem viveu 12 anos na Europa e ter que consumir esse tipo de produto em três estações, como o inverno, verão e outono, só resta dizer: não se faz mais costureiras como antigamente. A frase, que está mais para ditado popular, é confirmada pelos clientes do armarinho, como disse Deise Maia, atendente, de que a maioria é formada de pessoas idosas. No armarinho, o movimento é imprevisível e sai em abundância linhas e agulhas para bordados. Glória confirma a oferta de tecidos bons e baratos no mercado, no entanto, reforça Deise: as boas costureiras não existem mais.
Procurar uma costureira profissional é como procurar uma agulha no palheiro, assim como a memória. Como disse a irmã Sebastiana, é preciso mastigá-la, nhaum, nhaum, nhaum...

15/03/2011 - 20h00

Nossos calçados: De 'asilo' no passado, ao asilo do futuro/presente?
Quando era criança e ainda adolescente, minha mãe nos comprava alpercatas. Para os meninos, estilo franciscano e para mim, as acolchoadas e femininas. Mas, as alpercatas variam atualmente de modelos, sem alterar o estilo para os homens, e para as mulheres, passaram a ser chamadas de sandálias, que de franciscano não têm nada. Enfim, alpercatas para os homens, sandálias para as mulheres, com múltiplos modelos.
Faz tempo que procuro uma alpercata de meu passado. Taí mais um dado de memória. Se já não existem nas lojas do ramo, procurei em uma das poucas casas de fabricação de calçados na capital, a Calçados Bessa, de Jaime Bessa, é claro. Não encontrei as alpercatas, mas deparei-me com as pegadas de uma história, nossa história de calçados, abocanhada pelo progresso e esquecimento de um estado, no investimento local. E olha que temos matéria-prima.
Jaime Bessa, 64, está há 39 anos no mercado de confecções de calçados. Sua entrada no mercado inicia com um desafio, do dono da sapataria onde trabalhava. Dizia Jaime que seria capaz de produzir tamancos iguais da loja. Dito e feito, o aprendiz resolve abrir o seu próprio negócio, levando para a banca profissionais antigos e experientes. Daí que ficou conhecido como 'asilo' no meio, porque os profissionais, homens entre 50 e 60 anos, eram considerados 'velhos', naquele tempo. Bessa levava em conta que quanto mais experiência do trabalhador, melhor seria para o produto final. Penso cá, que foi profético.
Mas, só ter o dom não era garantia de êxito, e Jaime viaja para o Rio Grande do Sul onde fez um curso de designer de calçados e promove outro em Belém, trazendo especialistas também do sul do país. Os conhecimentos absorvidos agruparam-se com os adquiridos através de seus funcionários contratados e antigos.
Como entrar no mercado para competir com as fábricas de calçados existentes como a da Família Morgado e principalmente Boa Fama, esta que tinha referência internacional e vendia sapato tipo trançado, para todo o mundo, já que não existia publicidade do produto? Bem, isso é outra história. Entre 1974/75, Jaime não confirma a data, haveria o casamento do ano em Belém, a ser realizado na igreja da Sé. A noiva, que precisava urgentemente de um par de sapatos para substituir o que fora reprovado, estava inclinada a mudar a data de cerimônia, o que causaria grandes transtornos para os convidados internacionais. Surgiu o nome de Jaime Bessa. Em dois dias, estava pronto o calçado da noiva. No dia do casamento, lá estava o nome do estilista em todas as colunas sociais dos jornais impresso da capital. Jaime fazia sua estreia na moda de calçados. Do tipo, amor com amor se paga. Ainda hoje, as estilistas de renome no mercado da moda local, indicam o calçadista para tudo, desde 15 anos, formaturas, casamentos, noivados, concursos de moda, entre outros.
O Calçados Bessa já passou por três endereços, antes do atual, onde está há 15 anos. Dispõe de quatro funcionários: um mestre, que sabe fazer de tudo, outro mestre para determinados serviços, e dois costureiros. A matéria-prima é adquirida quando viaja para Piauí e Goiânia. Pela internet, absorve parte de São Paulo. Nos últimos 10 anos, estão catalogados mais de 3 mil clientes fixos, que fazem parte dos mais de 5 mil da loja. Dos quatro filhos, dois rapazes e duas meninas, um apenas segue o caminho do pai. Uma das meninas reside na Inglaterra e a outra, está na carreira de advocacia. O filho mais velho, depois que retornou da Europa, montou seu próprio negócio, no ramo empresarial.
Janeiro e fevereiro são os meses de maior movimento na loja, por conta de colações de grau e carnaval. De toda nossa conversa, ficou-me um toque humanitário. Jaime também confecciona calçados sob medida para portadores de deficiência física. Apesar de existir calçados no mercado para esse tipo de problema, Jaime entra na concorrência com um olhar de estética, e não de doença.
'Há carência de bons profissionais', ressalta-me. Na história de nossos calçados, tudo é dito 'há 50 anos atrás...' tínhamos cursos nas escolas Lauro Sodré e Artífice(modelo de escola técnica). Atualmente, Jaime está solicitando cursos da área no Senai, por fazer parte da Federação das Industrias. A realidade é dura: 'perdemos todo o nosso poderio na fabricação de calçados após a abertura da Belém-Brasília e o Pará era o terceiro polo calçadista no Brasil', relembra Bessa, de onde destaca que 'dos 100% do couro, 90% são sintéticos. Os sapatos atuais são descartáveis'. Nos perdemos, ainda, na falta de modernização de nossas criações e investimento por parte do estado, lamenta. 
Para você ter uma ideia, enquanto um atelier produz cerca de 60pares/mês de calçados, uma fábrica coloca no mercado, no mesmo período, 1 mil a 20 mil pares/dia. Enquanto a mão de obra do atelier varia de 30 a 60 reais, na fábrica a variação é de 1 a 8 reais. O metro do couro custa 70 reais. O sintético, 18 a 20 reais. Para um sapato de couro, faz-se, em média, quatro a cinco pares. No sintético, de 12 a 15. O couro é trabalhoso e apresenta falhas. O sintético é linear e não tem defeito.
Jaime Bessa exerce a profissão por prazer e por toda uma história, ainda não escrita. Seria o 'asilo'? Pelo menos é um passado que nos ronda, mas que tem pegadas. 
Calçados Bessa:
Endereço: Av. Nazaré, 1013 
Fone: (91) 3224.6621 
* Em frente ao colégio Santa Catarina.

14/03/2011 – 16h00

Tempo não é prioridade... para os relógios!
Foi-se o tempo em que se dava corda no relógio. Coisa do tempo. Mas, penso cá, que há duas maneiras para registrar o tempo de sua memória. A primeira, revisitar o passado e, a segunda, tentar situá-lo no presente, se possível, para reconhecimento de pegadas. Infelizmente, sobre o relógio de cordas, como se diz, já era. O passado, ficou no passado, mesmo.
Hoje, estou iniciando uma série sobre as minhas memórias que me acompanham com o tempo, e de vez em quando, são atiçadas de diversas maneiras. Uma delas, através de leituras, com passagens breves que fazem remexer um dos campos cerebrais. O relógio, é um deles. Não o tempo, mas o objeto que marca uma de minhas lembranças, como se fosse possível falar do tempo, sem as horas.
De dentro das páginas de uma obra que li em 2009, há o registro da fábrica de relógios da Rússia(Moscou), Vtorói Moskovski, que só em 1980, produziu 8 milhões 675 mil relógios. E ainda, cerca de 70 países, incluídos os que também fabricavam o produto, adquiriram os relógios daquela fábrica. O assunto em questão, obrigou-me a fazer esta citação em um dos blogs que tive, no ano passado, se não me engano.
Esse cálculo histórico de balanço de ganhos, caiu diretamente na minha memória, de família. Meu avô, português, era proprietário de joalherias, no centro comercial de minha cidade. A cada aniversário ou qualquer data representativa no mercado/calendário, dava-me de presente uma joia. Joia era joia, e relógio era relógio. Objetos bem distintos, o relógio marcava as horas, somente. E um deles ficou. Era bem pequeno, de ouro, pulseira de couro legítimo, com o fundo branco e os números redondos, talhados carinhosamente. No acaso do tempo e na facilidade do levar objetos alheios(roubados), perdi tudo. Ficou a lembrança do relógio. Não recordo a marca.
Levei anos procurando um igual, trabalho em vão e agora, a certeza do impossível, pelo menos por cá. Se você observar nas películas, principalmente as francesas, as atrizes costumam usar um semelhante, quer dizer, nem tudo está perdido. Mas entre achados e perdidos, resolvi, ontem a tarde, confirmar a minha suspeita.
No shopping ao lado de minha residência, o Pátio Belém, percorri as lojas de joias e relógios. Não procurei me prender nas marcas, mas na preferência do público. Das sete lojas que dispõem dos produtos, duas fazem parte de grandes marcas(Visão e Y.Yamada), e cinco vendem diretamente aos clientes, contudo, destas, quatro são de proprietários de origem judaica.
Segundo Idaliana Campos e Iliane Pereira, as lojas Visão trabalham com 10 marcas, distribuídas em oito vitrines. São nove lojas no estado, com inauguração prevista para breve, de mais uma, no município de Paraopebas. Para quem está no mercado há 45 anos, a venda de 10 a 20 mil peças, em época de pique, como o dia das mães e natal, está dentro do retorno previsto. E isso, só de relógios, destacando que as vendedoras do shopping, cinco no total, repassam aos clientes cerca de 10 peças de cada marca, normalmente. Como disse a Iliane, o relógio é acessório de moda feminina, para combinar com a bolsa, sapatos, vestido, brincos. O inusitado, revela, é a procura pelo relógio de bolso.
A grande loja Y.Yamada faz exposição de seus relógios nas nove vitrines, mais dois cantos(torres altas ao fundo), com nove marcas. Para Creni Torres e Solange Silva, a sua maior concorrente é a loja matriz. Nos movimentos de dias das mães, natal, namorados e outros, mais de 10 mil relógios têm novos donos, repassados só por uma vendedora, alcançando a média de mais de 50 mil. Diariamente saem cerca de 20 peças/dia. Quatro mil relógios estão na vitrine para pronta entrega. Olhou, gostou, levou. Dois fatos que fogem da rotina: Muitos compradores querem relógio do modelo da internet e solicitam se podem mandar buscá-lo. Há um precedente nada positivo, quando resolveram atender um interessado que até hoje não compareceu e outro, um cliente queria um relógio de mergulho porque ia para Fernando de Noronha. Não vendem. Solange e Creni dizem que a pedida do momento é o relógio de pulseiras coloridas, para todas as idades. Basta trocá-las, de acordo com a ocasião.
Relógios automáticos ou de baterias, os de corda, somente para alguns tipos de despertador. Muita saída para os infantis, também. Esta é a realidade das grandes lojas, grandes vendas.
Na Vivara, Samantha Pantoja confirma o já revelado: relógio é conceito para compor o visual. São nove marcas na loja, fazem estoque, e o relógio masculino sai mais, diante das joias, independente de datas comemorativas. 'A grande maioria vai pela estética', conclui.
Pois bem, restam-nos as quatro últimas: Fábio Joias, Orum, Ruth's, Princess. A primeira, com 52 anos no mercado, é a única que faz exposição de relógios de ouro na vitrine(masculino/feminino), porém, a última venda foi há um ano, declara Juliana Bezerra. São 12 marcas e oferece o que está exposto. A segunda, Orum, está no mercado há 19 anos, tempo do shopping, dispõe de vários artigos e duas marcas de relógio suíço. Leni Oliveira diz-me que todo relógio tem nome e tem história e dá exemplo do tipo da loja: além de relógio para aviador, Breitling, Orum mantém clientes fieis. Quem adquiri alianças, volta para o presente de nascimento do filho(a), 15 anos, e principalmente os maridos, nas datas de aniversário de casamento. Compram relógio como joia. Para Leni, Orum torna-se familiar. O interessante, de todas as lojas visitadas, é que Leni Oliveira não te oferece apenas o relógio.

Ela sabe toda a história de cada peça da loja. Foi-me gratificante. A Ruth's trabalha com seis marcas e também mantém a fidelização do cliente. Princess, conta-nos Marlucia Lobato, vende o que está na vitrine, trabalha com sete marcas, algumas exclusivas, e declara que há clientes que procuram saber detalhes do maquinário. Na Princess, o investimento está ainda no atendimento, pois como disse Lobato, cliente não é só o que tem dinheiro, mas o que tem bom gosto.
Notas:
I] Como você pode observar, apesar do tempo não ser prioridade, seja joia ou joia relógio, o que vale mesmo é carregá-lo no pulso, senti-lo como um carinho que alguém lhe proporcionou um dia. O tempo? Ah, ele se encarregará de marcar as horas na memória.
II] Infelizmente os relógios de corda não existem mais. E nem os modelos bem pequenos, com pulseiras de couro.
III] Os dados fornecidos pelas vendedoras são aleatórios e não correspondem às estatísticas oficial do estabelecimento. São vistos à olho nu, como se diz.
IV] Agradeço as meninas que falaram comigo e assumiram as identidades.

10/03/2011: 24h04

19/02/2011: Memórias

    'Haikai's da Cris'
  • /quero escrever
    algo pra ti
    não te esqueço
    jamais – amai/

  • Haikai's em rio

    /nos escombros
    está o amor
    a dor
    ....
    a saudade
    esconde
    ardor
    ....
    nos fragmentos
    encontramos
    o teor da cor
    ....
    nos escombros
    fragmentos
    de dor do amor
    ....
    instantes de cor
    sem fim esconde
    amor sem ardor
    ....
    sem amor
    cem saudades
    é o teor
    da dor/
E mais:
Quando a Renascença italiana reacendeu o pensamento grego clássico, os manuscritos gregos, especialmente os de Platão, foram divulgados imediatamente, principalmente pela recém-inventada imprensa escrita. A visão, adivinhe, pagã, completamente. Imagens de deuses e deusas começaram a aparecer na arte renascentista. Daí, surgiu o pensamento que o homem era um grande milagre, co-criador do Universo, ao lado de Deus. É aqui que entra o cavalo, não o da imagem, neste momento, mas ela puxou o outro, o de Troia, que me trouxe Ulisses, o herdeiro da astúcia e a esperteza. Como grande estrategista concebeu a ideia do cavalo de Troia. De todos os heróis da mitologia grega ele foi o mais brilhante e o mais criativo. Não era um aventureiro, apesar de seu expatriamento interno. Tinha princípios elevados com relação à Bondade e à Justiça. O cavalo da imagem retrata-me justamente essa força, velocidade, alegria, determinação e sabedoria, sensações que estão embaixo da pele. Ela me trouxe Ulisses.

(2007)

31/01/2011: Quando a Percussão, repercute
Falar de América Latina é falar de 'som', então, 'ouvir' seria o caso, mas não é bem assim, quer dizer, coloque um pouquinho do acaso no desejo, ou uma pitada do despertar. Talvez uma estória infantil de fadas e batutas.
Cláudia Oliveira, 42, paraense, musicista/percussionista, bem simboliza a música de família. Pai(saxofone), mãe(piano). Inicia realmente sua profissão aos quatro anos de idade, e forma-se em piano, aos 16. A percussão entrou em sua vida através de uma atividade extra classe, já como educadora na área. E ficou. Cláudia possui no seu acervo particular de partituras uma biblioteca inédita no norte do país.
Foi durante um evento concorrido em São Paulo convidada para fazer parte do quadro musical no México, onde viveu sete anos, fez mestrado e única mulher na percussão, na orquestra local. E do México, como revela Cláudia Oliveira,'o novo me atrai'. A musicista recebe convite para a França, reside sete anos, e se casa. Já em Belém, exerce a função de percussionista no grupo Tacape, quinteto da Amazônia, do Conservatório Carlos Gomes.
Quando assumiu a diretoria técnica da Fundação Carlos Gomes na gestão passada, o lado percussionista comprovou que 'somos um núcleo musical de qualidade no estado, porque no mundo e observado no mapa mundi, há musicistas paraenses em todo e qualquer lugar', declara Cláudia com exuberância e entusiasmo, porque lembra-se de uma passagem no momento, em que existe sim, discriminação com os músicos latinos, apesar de já termos ultrapassado um bom pedaço, desse tipo de preconceito, explica.
E quando se entra no assunto de preconceito, a musicista reforça em alerta, que fazer parte da percussão sendo mulher foi muito difícil no início, porque as pessoas limitam o instrumento como de força, portanto, para homem. Hoje, a realidade é diferente, 'apesar de ter precisado de dar baquetada um dia'. Isso tudo fala para as suas alunas, como exemplo.
Uma de suas pesquisas(conferir texto abaixo) é sobre a Perda de Audição entre os músicos, principalmente da geração passada. E a outra(rsrs), é que o número de divórcio entre os percussionistas é muito grande. A atividade é intensa. Os percussionistas são os primeiros a entrar e os últimos a sair, nos eventos. 
Engraçado como encerramos a nossa conversa: 'olha, a vida é como um ônibus da sorte, se parou e você não entrou...'. É isso aí,  Cláudia Oliveira.

31/01/2011: Perda Auditiva, por Claudia Oliveira

Musicista do Conservatório Carlos Gomes
Este texto servirá como um alerta aos músicos, para que eles fiquem conscientes, e comecem a tomar precaução, seja no local de trabalho, estudo, ou concerto.
Muitos músicos (clássicos e/ ou populares) têm problemas auditivos, e eles não sabem que podem afetar a vida profissional e normal deles.
Creio que eles devem pensar um pouco mais na saúde auditiva, e procurarem sempre que possível fazer um exame, para saber se perderam um pouco da escuta.
Nós músicos estamos, na maioria das vezes, sempre em contato com sons fortes, então claro que estamos sujeitos aos riscos da surdez.
Eu gostaria, junto com especialistas, fazer uma análise de quantos profissionais (professores e alunos) do IECG, já estão afetados por este problema.
É certo que nosso trabalho como músico, muitas vezes chega a ser estressante; e terminamos nosso dia com um zumbido no ouvido que nos deixa nervosos.
Eu sou percussionista, e tenho amigos da mesma classe, que reclamam do som alto quando tocamos juntos.

Outros tipos de profissão, não sabem, mas nós músicos estamos expostos a níveis de ruído, muito alto, durante mais ou menos quatro a oito horas por dia.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera que um som deve ficar em até 50 db (decibéis – unidade de medida do som) para não causar prejuízos ao ser humano. A partir de 50 db, os efeitos negativos começam.
Por exemplo, um contrabaixo pode chegar a 83 dB, e uma flauta ou instrumentos de percussão pode produzir não menos de 95 dB de ruído; a orquestra sinfônica pode produzir 112 dB e uma banda de rock 130 dB.
Seria muito bom, se nós pudéssemos utilizar protetores auriculares , e sempre que possível fizéssemos testes auditivos para preservar a nossa saúde,mas.... quem colocará o sino no gato????
....
Cristina, aí vai o artigo. Muito obrigada pela oportunidade de mostrar meu trabalho. Um abraço,C. e-mail: garfofino@yahoo.com

31/01/2011: Regência com um toque feminino revolucionário


2011 será o ano para o XII Concerto de Música Sacra e também, de comemorações de 16 anos do Coral Carlos Gomes. A regente é a musicista Maria Antonia Jimenéz, cubana, 47, e que está entre nós desde 1995, direto da Rússia, onde residiu durante cinco anos. O Coral já foi premiado na Itália. 
Jimenéz traz a música da escola de Guantánamo, Cuba, uma das melhores do mundo. Foi-me impossível conversar com a professora sobre a nossa latinidade musical, sem antes entrarmos no aspecto da educação de qualidade para todos, marcando bem a diferença de que seu país é revolucionário, característica diferente da brasileira. 'Eu sou uma pessoa otimista', o crescimento humano traz a evolução em todas as áreas - me conta -, para início de diálogo. Acredita no Brasil, mesmo surpresa em saber que é um país tão grande e cheio de brasis, com estranhamento entre regiões, o que provoca a ausência de uma identidade nacional única. Estudando, aprendendo, buscando o que se quer com muito trabalho e disciplina. Filosofia básica de vida. 
Quando montou o coral,  Jimenéz sugeriu um concerto ao final de cada ano com toda a orquestra, porque o Pará dispõe de material humano para realizar o projeto. E assim foi feito, com a sua iniciativa. Ainda através de sua interferência, colocando o grupo à prova em alguns concursos nacionais, e sem obter retorno real, em termos de resultados justos, partiu para um maior fora do país e nos traz o troféu(2002). Ela estava correta. O grupo era de grande valor profissional. Uma parte do espelho. No canto coral.
E de pais afinadíssimos, família cantante, Maria Antonia Jimenéz aposta no talento da filha que irá estudar em Cuba, no segundo semestre.

31/01/2011: Espelhos Latinos: Imagem
Fotografia Paraense, por Maria Christina(fotógrafa)

A história da fotografia paraense se confunde com o próprio advento da fotografia no mundo. Pouco mais de duas décadas depois de captada a primeira imagem por um heliógrafo, nos idos de 1820, por Nicéphore Niépce, já havia quem fizesse registros fotográficos em Belém, cidade de grande afluência de todas as novidades do Velho Mundo, com uma economia crescente, que teve seu auge no ciclo da borracha, atraente de condições para o desenvolvimento das atividades que aqui viessem se estabelecer.
O advento oficial da fotografia data de 1839. Daguerre fixa em 1837 numa placa de metal uma imagem em positivo, isto é, uma imagem única, independente de um suporte como a conhecemos no negativo; os seguidores e continuadores desse processo foram chamados daguerreotipistas. O termo photographia data do mesmo ano e existem controvérsias sobre seu criador: o inglês Jonh Herschel o teria usado cinco anos depois de Hercule Florence, desenhista francês radicado no Brasil, que já em 1832 experimentara uma forma de impressão através da luz.
Inaugurando uma nova ética do "ver", um novo código visual, a fotografia veio pra ficar, revolucionando todo o entorno, obrigando outras formas de expressão a repensar o próprio processo em função da novidade, ainda cheia de mistérios, mas determinante na formação de novos conceitos sobre a imagem, porque ampliou o conceito do que "valia a pena olhar" e o que efetivamente podia-se observar.
Segundo alguns poucos e primários registros locais, o primeiro fotógrafo a chegar na Amazônia, atraído pelo exotismo da região, foi Charles Fredricks, em 1844. Depois de uma passagem conturbada, retornou em 1846 e inaugurou o 1º estúdio fotográfico, dando início a uma prática que veio confrontar o medo diante do novo, porque se supunha que aquele invento "roubava-lhes a alma". Sem sucesso, permaneceu apenas três meses na cidade onde oferecia "em superior grau de perfeição (...) uma semelhança de seu original (...) por módicos preços".
Em 1867 chega a Belém o fotógrafo português Felipe Augusto Fidanza para registrar a Abertura dos Portos da Amazônia ao Comércio Exterior, e aqui se estabeleceu tornando-se um dos maiores nomes da fotografia paraense, abrindo o Photo Fidanza, maior referência na cidade, que se manteve por aproximadamente 100 anos sobressaindo-se em qualidade e solidez, não obstante os outros estabelecimentos de igual porte que já existiam no final do século, como o Photo Oliveira, inaugurado em 1884.
A trajetória da fotografia no Pará é peculiar quando se pensa nas enormes distâncias a serem percorridas, tanto para que aqui chegassem as informações, como para as pessoas que eram (e são) atraídas pela região, que desde sempre ocupou um lugar de destaque no imaginário popular. Mas as próprias características regionais, pelo mistério ainda indecifrado, a arquitetura remanescente do ciclo da borracha, cheia de fausto e encanto, ou o estilo de vida reproduzindo o modelo europeu, formou um olhar agudo, sensível e comprometido com a contemporaneidade, independentemente da época a que nos reportarmos.
Poder-se-ia fazer paralelo da fotografia de Walda Marques e a das Irmãs Oliveira: o estilo rebuscado, utilizando recursos de paisagens criadas em estúdio. Cada qual guarda no conceito as tendências do seu tempo, mas com o olhar profético e amplo sobre o entorno, sem perder a personalidade, contudo. Daí percebe-se que criar paralelos resulta em uma investigação mais minuciosa do agente e, chega-se a distâncias imensuráveis.
Com a chegada de Miguel Chikaoka, na década de 1980, e a criação do ateliê FotoAtiva, a fotografia paraense tomou novos rumos: deixou de ser uma prática já corriqueira, mas invulgar quando realizada nas experimentações de Gratuliano Bibas, no fotojornalismo pontual e diferenciado de Porfírio da Rocha e Pedro Pinto, dentre outros que compõem uma galeria extensa de nomes que enriquecem a nossa história visual, sobressaindo os retratos e registros externos de Luiz Braga, anterior à chegada de Chikaoka e que participou e colaborou na formação desse novo núcleo de difusão, que começou a exigir nas entrelinhas uma nova forma de aprender fotografia, o pensar fotográfico, e (re)inaugurou um aprendizado a partir da percepção do todo, e não apenas do objeto a ser registrado, mas envolvendo todos os sentidos, alertas para o mundo e suas manifestações, sejam intrínsecas ou extrínsecas.
Vale ressaltar, ainda, a existência dos fotoclubes na década de 1960, que congregou tendências e nomes que deixaram registros memoráveis, e foram responsáveis pelos mais importantes salões de fotografia que aconteceram por aqui. Parte dessa experiência ainda é vivida por grupos saídos das oficinas de Chikaoka, que desenvolvem trabalhos de pesquisa e retomam discussões sobre o porquê fotográfico, inaugurando novas tendências, à luz de novas experiências.
Ocupando o cenário artístico, jornalístico, ou mesmo o publicitário, a fotografia é um diferencial, sem perder de vista as tendências e a região onde é realizada. E mesmo fora do eixo artístico do país, tem lugar de destaque por sua produção profícua e constante. Isso ajudou a transpor fronteiras da indiferença para alcançar um patamar de respeito e figurar entre os diversos pólos de produção nacional, merecendo a atenção de estudiosos e pesquisadores de outras regiões e fora do Brasil.
Entre a geração mais nova de fotógrafos encontram-se nomes que se sobressaem com trabalhos valorosos nos vários campos possíveis de leitura fotográfica, sendo documental, jornalística ou conceitual. Raros são os que não acumulam prêmios; todos, de uma estirpe sofisticada, crescidos à sombra de uma elaborada composição, pesquisa, intuição e sensibilidade.
Alberto Bitar, Claudia Leão, Elza Lima, Flavya Mutran, Mariano Klautau Filho, Octavio Cardoso, Orlando Maneschy, Paula Sampaio e Walda Marques são alguns fotógrafos que, com olhar apurado, trabalham a luz, legando imagens à posteridade, que compõem um acervo ainda por ser organizado, mas de extensa amplitude por sua diversidade.
Similaridades nas noites e movimentos urbanos de Alberto e Mariano, contrapõem-se às novas cidades criadas pela memória de Claudia, que com Orlando e Flavya, constrói imagens, relendo o factual e determinando luz, sombra e novos personagens compensando a ligação precária que temos com o passado. Fictícios são os personagens que saem do estúdio de Walda, cheios de vida e banhados de cor, contando suas próprias estórias. Paula e Octavio registram a Amazônia com poesia e virilidade, assim como Elza consegue imprimir às imagens todo o misticismo da região.
Se a fotografia, mais do que a interpretação do mundo, é também um convite à dedução e à fantasia, pode-se dizer que através das imagens captadas e/ou criadas por esses fotógrafos ela consegue libertar o conteúdo humano, redimensionando e dando à arte o exato escopo, de apropriar-se do mundo, relendo-o e recriando-o, inexaurivelmente.

30/01/2011: América Latina: Oxidada, mas precisa de oxigênio
Diz o musicista Paulo José Campos de Melo, presidente da Fundação Carlos Gomes , 'temos a vantagem de termos a formação cultural mais complexa e densa produção cultural do país' porque carregamos as três influências: africana, europeia e indígena, e esta, representa a nossa independência, através do carimbó.
Paulo José aposta no caminho de ir em busca de nossa memória, principalmente como fator palpável, ou seja, documentos de partituras. O primeiro passo foi delegar a tarefa para a Academia Paraense de Música, coordenada pela também musicista Doris Azevedo, e por sua vez, já está contactando o pesquisador paraense Vicente Salles,estudioso renomado de nossa cultura. A APM dará posse aos novos membros no dia 25 de março. 
Necessitar de um processo mais apurado de preservação, perceber a nossa personalidade em culturas adquiridas e, estabelecer uma cultura de memória, são pontos cruciais para o surgimento de nossa imagem no espelho, enquanto latino americano. E isso importa muito para o Conservatório Carlos Gomes, que pode ser comparado com qualquer conservatório do mundo, reafirma o musicista,'como diz o nome(conservatório), a forma de ensinar é conservadora, universal, formar instrumentistas'.
E, nessas pegadas retomadas, com o hiato desses últimos quatro anos, da sua primeira gestão, também no governo de Simão Jatene, que Paulo José prosseguirá. Tentará, em parte impulsionado pelos prêmios em 1997 pela Fundação Getúlio Vargas e, em 1999 pela ONU, na categoria de Direitos Humanos, reintegrar o estado novamente. É daí que vem o conservadorismo instrumental, levado para o interior do Pará, acrescentando a característica de cada região. Dentro desse projeto, 101 localidades foram contempladas, número redondo entregue ao governo anterior, final de 2006. De redondo, Paulo José encontrou a subtração, apenas sete. Durante este mês já recebeu a visita de oito municípios interessados, e agendados mais quatro,'varias entidades que se sentiram órfãs, retornaram', explica o presidente da Fundação Carlos Gomes.
Mas, uma ambição também está incluída na sua atual gestão. Após organizar a Orquestra do Pará, unificar o estado, Paulo José pretende criar a Orquestra de América Latina. 'O povo que tem cultura, sabe se cuidar melhor'. E assim, se encerra a entrevista com Paulo José, intercalada com um telefonema de um dos membros da Orquestra Real de Amsterdã(chique).