memória é identidade, sem constrangimentos


aos poucos, a imprensa oficial do estado(ioe), vai se distanciando da sua prática gráfica, tão somente. obras para serem impressas, agora passam pelo filtro de qualidade, credibilidade, confiabilidade. mudanças profundas, para quem trabalha com a memória, principalmente.

ana carmen palheta alves, 40, diretora de documentação e tecnologia do órgão, faz o exercício da aprendizagem que vem da cadeia do conhecimento através do jornalismo e mestrado em comunicação e imagem institucional, este, realizado em buenos aires, argentina.

carmen palheta trabalha com a memória. várias peças literárias estão sendo revisitadas para que sejam acopladas informações complementares, como créditos e históricos autorais, além da checagem na pesquisa. um braço da avaliação, para evitar os constrangimentos de conteúdo, bem como, possíveis problemas de legalidade. e tudo se desenvolve no diálogo com o autor. 
paulatinamente, vamos zelando pela nossa memória, com todas as suas implicações formais, com a preocupação para não cairmos no rótulo local, quer dizer, fechando o tema latinoamericano, sem perder de vista a mesma característica.
jorge luis borges, em discussão(companhia das letras, 2008), levanta a questão do ser argentino – creio que a nossa tradição é toda a cultura ocidental. já adolfo bioy casares, em histórias de amor(l&pm, 2008), reflete sobre a presença de argentinos em todo o mundo – o quanto encompridou. ambas citações me fazem o corpo introdutório para a obra de adriana morán sarmiento – buenos aires, la outra cidad – una mirada del extranjero em tránsito(buenos aires, 2009): são dez propostas teóricas produzidas por estrangeiros em trânsito no país vizinho. duas de peru, venezuela, brasil e colombia. uma de ecuador e uruguay. uma das propostas de brasil, é de carmen palheta – un paso por la memória – sobre cómo la historia de los outros deja huellas en nuestra propia vida. fala do incêndio ocorrido em dezembro de 2004, quando 194 jovens morreram em um show musical. carmen morava às proximidades do local. o livro já foi lançado na venezuela e na argentina.
a sua tese de mestrado retrata a memória da banda de música do município de vigia. memória e identidade. 'em buenos aires é muito forte a memória, por causa da ditadura. é o tempo todo essa questão do estudo e do resgate. lá, o curso de comunicação é de seis anos, se formam como comunicólogos, tratam a comunicação de uma maneira mais ampla. você percebe que eles têm um ótimo preparo teórico', conta-me palheta. no convívio com a língua espanhola, uma das ideias de carmen é expandir o pensamento em cima das palavras que são falsas amigas(español e português).

- entrevista concedida na sala de carmen palheta(diretoria de documentação da ioe), em 19/03/2012.
- imagens: cris moreno