'quem vai levar mariazinha para passear?': do teatro, para o curta de animação

contagem regressiva para o lançamento oficial do curta de animação paraense 'quem vai levar mariazinha para passear?'. na primeira quinzena de março será encaminhado para avaliação do ministério da cultura e, em abril, provavelmente, belém poderá ter a exibição no cine olympia ou no cine libero luxardo, no centur, a animação tão esperada. lugares mimosos, como diz na entrevista andré mardock, ator e realizador de audiovisual. mas, faço uma dobradinha com andrei miralha(por cá e por cá), arquiteto, especialista em desenho. tudo a ver.

quem vai levar mariazinha para passear? é uma peça teatral, de 2007, do grupo desabusados cia, um sucesso, e que durante uma apresentação na feira do livro de 2009, despertou o interesse da galera do audiovisual. ester sá, teatróloga e co-autora da peça(divide autoria com maurício franco), produz o roteiro do futuro curta de animação, categoria de opção, dentro do edital curta criança, do minc, selecionado entre diversos concorrentes no país(2010). 'desde o ano passado que estamos produzindo o curta, e entramos na fase de fechamento da trilha sonora e de animação, os processos técnicos', revela andré mardock.

p - e o que é a peça, que será o curta?
r – o espetáculo fala da aventura de dois anjos que a princípio têm o tom infantil, mas não são crianças. esses dois anjos aproveitam o momento de soneca dos anjos adultos e fazem uma peraltice, para conhecer o mundo aqui embaixo, na terra. como eles são feitos em série, os números gigantescos de cada um termina em 001 e 002. saltam das nuvens e caem na terra dentro de um teatro. começa a chover. um deles tem a ideia de superstição, que é dos homens, a construção da boneca de papel, mariazinha, para colocar atrás da porta e faz uma promessa: mariazinha, se você fizer a chuva passar, te levo para passear. mas, o que acontece enquanto essa chuva não passa? é feita a construção de um segundo boneco, que seria o par da mariazinha, e que na história, cria-se uma história paralela, na imaginação deles, na relação entre eros e psiquê - por que, o que é que a gente vai fazer? vamos brincar. ah, tá. melhor, vamos contar histórias. que tipo de histórias? ah, sei lá, vamos falar da chuva? não, outra coisa, vamos falar do amor. aí pronto, é aí que a gente pega o ponto de partida para falar, através da animação, um detalhe, toda essa primeira parte, no filme, dos anjos caindo, da relação dos anjos dentro do teatro, tudo é ação direta, com atores reais, jogando, interpretando. a história que eles vão contar, toda se passa com a animação, então tudo é narrado.

p – qual o tempo do curta?
r – precisa ficar em 12 minutos.

p – como selecionar a trilha sonora?
r – a trilha sonora é autoral, de fábio cavalcante, e que mora em santarém. ele produz de lá.

p – qual o instrumento escolhido?
r – vai pelo som do acordeón, realejo, artesanal, da sanfona. no espetáculo, na peça, nós usamos sons semelhantes da película amélie poulain. e ficou esse carimbo, essa sonoridade, meio marimba....

p – e a equipe de animação?
r – andrei miralha coordena uma equipe formada por thiago souza e maurício franco. tudo que você vê de animação, foi recortado à mão e manipulado digitalmente. papel por papel recortado. o programa é o 3d.

p – o que faz a diferença no curta?
r – ver o envolvimento da equipe, de um projeto que nasceu no teatro e se adaptou para a tela. isso é muito mágico. um desafio!

p – abril para exibição. é um mês chuvoso....
r – (rsrs). no espetáculo, no hall da escola de teatro, quando da sua estreia, tínhamos um varal cheio de bonequinhos de papel, confeccionado pelos presentes. era quase o depoimento de cada um. no final da temporada, o varal estava repleto de mariazinhas.

segundo andrei miralha, 'o projeto é composto em animação 3d, digitalmente. o curta não é em 3d, mas utiliza a câmera do 3d. a gente optou pela possibilidade que ela dá para fazer uns passeios no ambiente 3d, quer dizer, não é a aquela composição mais chapada. os recursos são maiores de correção, de não precisar de ter um estúdio, compor um estúdio com iluminação real, pra você produzir animação. nós temos tudo isso, num ambiente digital 3d'.

p – andrei, e sobre a divulgação das películas do óscar?
r – sinceramente, eu acho que o óscar é uma premiação da indústria americana, daquela indústria cinematográfica. é uma premiação deles, e se tiver um filme brasileiro como resultado, acho legal, mas não é a coisa mais importante do mundo. o óscar, inclusive, já não tem tanta importância, e tendo uma compreensão melhor, você percebe que é justamente isso, deles pra eles, por isso que eles têm a categoria de filmes estrangeiros. temos outras premiações, outros festivais, como o de gramado, no brasil, e isso é que é importante pra gente. esse negócio de ficar babando o ovo do cinema americano....

p – é a mesma linha de pensamento sobre o mangá?
r - quando a gente vai fazer uma história em quadrinhos, e se eu pegar o estilo mangá, não estarei sendo original e honesto, até com a minha cultura. por exemplo, você gosta de curtir mangá? legal, mas para fazer.... não é relevante para a nossa cultura brasileira e paraense. mas, é uma possibilidade, já que tudo está globalizado....

p – e o livro brasil 1500?
r - é uma história em quadrinhos, que remonta uma parte da história do brasil, época do descobrimento. provavelmente o segundo volume será lançado agora, fevereiro ou março, pela editora devir. até agosto, serão lançados os três volumes da série.
- entrevistas concedidas na praça de alimentação da imprensa oficial do estado(mardock) e no departamento de arte da cultura(andrei), em 26/01/2012.