Lei do karma (2)



Por Augusto Toshiro Kasahara Omi

As pessoas não crêem na lei da retribuição, pois ela não é instantânea, automática. Se, para cada má ação, o castigo fosse imediato, o homem, certamente, perceberia o funcionamento da lei. Entretanto, não é assim que funciona, infelizmente.

Li, em um livro de Joseph Murphy (um dos que primeiro escreveu a respeito da  denominada “Lei da Atração”), um episódio  que bem demonstra a aplicação  da lei. Em uma certa cidade dos Estados Unidos, um corretor de seguros enganou centenas de velhinhos, surrupiando, com promessas mentirosas, as suas economias. Questionado por um morador sobre o porquê do embusteiro demonstrar cada vez mais prosperidade, o autor não soube responder  na ocasião.
Passados dez anos, mais ou menos, Murphy retornou à cidade. Soube, então, que o criminoso tinha perdido todos os seus bens e estava internado, louco,  em um sanatório. Concluiu ele sobre o evento: os moinhos de Deus moem lentamente, mas moem.

Eu desafio você a analisar a vida de pessoas conhecidas suas. Aquelas  que fizeram o mal, que prejudicaram, que agrediram pessoas indefesas, pagaram, ou não, pelos  seus atos? Não posso nominar, mas você deve ter conhecido pessoas que se preparavam em academias para agredir gente que nada conhecida de lutas. O que aconteceu com elas?

Será que este universo não tem regras?   

O pagamento não se dá, necessariamente,  da mesma forma. Por exemplo, alguém ficou rico prejudicando um outro. Isso não significa que ele perderá, com certeza,  o dinheiro  adquirido. A retribuição pode se dar por meio de doenças, problemas familiares etc. A respeito, transcrevo o capitulo X da livro Dhammapada:

X -  CASTIGO OU VIDA ETERNA – DANDAVAGGA

129. Tremem todos diante do castigo, temem todos a morte. Considerando isto, não mates e não sejas causa de morte.

130. Tremem todos diante do castigo. Temem todos a morte, a todos a vida é cara. Considerando isto, não mates e não sejas causa de morte.

131. Aquele que, em busca da própria felicidade, a outros que também a desejam faz sofrer, não encontrará nesta vida, e em outra qualquer.

132. Aquele que, em busca da própria felicidade, a ninguém faz sofrer, encontra-la-á nesta vida, ou na seguinte.

133. Nunca uses palavras pesadas: cedo ou tarde, a réplica vem e traz o sofrimento de volta, como quem arremessa poeira contra o vento.

134. Se viveres na quietude interior como um gongo quebrado que ficou silencioso, alcançarás a paz do Nirvana e tua cólera será serenidade.

135. Da mesma maneira como o vaqueiro dirige o gado para o pasto, assim a velhice e a morte conduzem a vida dos seres (para uma nova existência).

136. Praticando o mal por ignorância, o insensato esquece que acende o fogo que o queimará um dia.

137-138-139-140. Ofender, ferir ou prejudicar qualquer ser indefeso, ou puro, é expor-se, cedo ou tarde, aos dez seguintes males: Inimizades, penosas dores corporais, graves enfermidades, acidentes, perturbações mentais, questões judiciais, perda de bens, perda de parentes, incêndio da casa: e após a dissolução do corpo, o insensato renascerá no Niraya.

141. O costume de andar nu, os cabelos trançados à maneira dos ascetas, os jejuns, o dormir no chão ao relento, o cobrir-se com cinzas ou poeira, o sentar-se imóvel nos calcanhares (em penitência), as prosternações, nada disso purifica o mortal que não se livrou do desejo e da dúvida.

142. Embora vestido com apuro, aquele que cultiva a tranquilidade da mente, que é sereno, senhor de si, puro e a nenhum ser vivo maltrata, é um santo, é um asceta é um bhikkhu.

143. Haverá neste mundo um tão puro homem que evite uma censura, ou um corcel bem adestrado ao toque do rebenque?

144. Como corcel bem adestrado tocado pelo rebenque, pela confiança, pela virtude, pela energia, pela meditação profunda, pela investigação da Doutrina, pela sabedoria e plena atenção sobrepujamos o sofrimento da existência.

145. Os lavradores abrem valas e conduzem a água para onde querem; os fabricantes de flechas as retificam; os carpinteiros trabalham a madeira à sua vontade; o homem de bem a si mesmo se controla.

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[...]O Buda observou, refletiu e expôs em forma de argumentação suas Quatro Nobres Verdades: Há sofrimento; O sofrimento tem origem no medo e no desejo; A extinção do medo e do desejo extingue o sofrimento; Seguir o Nobre Caminho Óctuplo é eliminar o medo e o desejo[...]


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