na hora 'h'... a infraero informa: heloísa huhn



imagem: cris moreno

com tanta confusão nos aeroportos, que nem sei se é um bom caminho abrir este texto falando de algo que ecoa nesses espaços, de forma suave e de bonita audição, a voz que nos informa os procedimentos aeroviários. 

mas, para quem diz 'bonita audição', considerar o som de beleza, com todos os seus graves e agudos em acordes, vou arriscar. é heloísa helena avelar huhn, a senhora dos quatro h's, dona da potência audível no nosso aeroporto, da capital.
com o nome de guerra heloísa huhn e que fará 53 anos no dia 6 de setembro, e completos 33 de rádio, jornal e tv, inicia de forma singular, talvez inédita, na nossa história da comunicação. 

em 1978, começa na rádio liberal am, depois rádio guajará, tv guajará, rádio rauland, carajás fm(agora 99), rádio cultura e lib music(rádio liberal fm), ou seja, foi atendendo convites. mas, no primeiro semestre do curso na academia(turma de comunicação social de 1976), huhn, decide, por conta própria, procurar emprego e bate na porta do jornal o estado do pará. sem ter noção nenhuma da plataforma jornalística em um jornal, fez o pedido e recebeu como tarefa, produzir três entrevistas com personalidades que se negavam sempre a falar com a imprensa(parece película de james bond). um deles, inclusive, era o professor joão paulo mendes. ok. helô não se intimidou. como estávamos na época das comemorações de 100 anos do teatro da paz, huhn aproveitou e pegou os três personagens de uma só tacada e com imagens. bravo! e pasme, das 4 horas da tarde às 4 horas da manhã, estava concluída a performance jornalística, mesmo catando todos os milhos na máquina de escrever. depois, o jornal o liberal. e daí, entra o seu sacerdócio, sua paixão, o rádio... até hoje.

'sou da época que se fazia rádio com responsabilidade. eu vejo as rádios por onde passei, com exceção da cultura e da lib music, muito prostituídas. eu vou usar esse termo porque é só o que me ocorre agora. se prostituíram essas rádios de uma forma tamanha, que estão no caminho de uma disputa pelo mercado popular, transformando em popularesco, uma coisa que poderia ser popular, mas com qualidade. estão, infelizmente, enveredando por um caminho perigoso, que é o caminho do desrespeito ao ouvinte. as exceções citadas, são rádios que fazem a diferença e que posso exercitar a profissão, a mesma que fazia lá atrás, no tempo. rádio, antes de mais nada, é tesão. você não tem feriado, final de semana, natal, ano novo, dia da mãe, dia do pai... você está trabalhando sempre. é um sacerdócio'. explode e dilata, a senhora dos quatro h's, que não gostou da experiência na televisão.

o que nunca envelhece é a voz, diz a proprietária da voz do aeroporto, do amazônia celular, do pão de açúcar quando esteve em belém... a sua maior trava está nas redes sociais, revela. não gosta e se mantém distante. seu negócio ainda é o olho no olho.

quem sabe teremos em breve um livro. poesia é o seu ponto forte e a gaveta está abastecida. lê atualmente biografias, porque as obras ficaram repetitivas.

'para quem está me lendo agora e deseja seguir o caminho do rádio, seja bem vindo à loucura, porque rádio é amor, acima de tudo', e encerra a entrevista com o seu encantamento diário, de anos seguidos.

- entrevista concedida no estúdio da rádio cultura, em 15/07/2011.