digitalização salva a memória



quando você digitaliza uma obra, automaticamente faz a indexação por temas, em todo e qualquer tipo de acervo. 

o departamento discoteca da cultura não é exceção, contudo, quanto mais se digitaliza, fica acentuada a ausência de informações importantes e porque não dizer, básicas. por exemplo, há peças em que não constam o ano de produção.

e toda memória que se preza, deve carregar o seu tempo exato. cair no vácuo, compromete os arquivos. no mês passado, fiz registro do sistema de documentação da cultura, de forma superficial, uma vez que o gancho foi o segundo ano de morto de um de nossos cantores, walter bandeira, e que também foi funcionário da cultura.

segundo coeli almeida, bibliotecária coordenadora, o departamento já está digitalizando todo o acervo da discoteca, e durante o processo, as relíquias apontam certos vazios nos dados. se uma peça destaca a vida do autor/compositor, não indica o ano de fabricação, e por aí vai, então o trabalho torna-se dobrado, revela, principalmente no inventário do acervo paraense. 
com certeza quem organizava as informações para o layout do áudio não era bibliotecário, ou esquecia de amarrar o produto no passado, olhando para o futuro.

Coeli desenvolve as atividades diárias com dois funcionários, o augusto césar pinheiro(verbeno), 54, desses, 30 de rádio cultura e, kauê almeida, 27, recente aquisição, via concurso. coeli e kauê não são parentes.

verbeno jr, como é conhecido o augusto, herdado de seu pai, músico, morto há 19 anos, foi técnico em torre, operador de rádio, de gravação, programador, produtor, reportagens, passou do analógico para o digital, antes de ser setorizado na discoteca, onde está digitalizando o acervo de músicas paraenses. 

se tivesse que pegar uma relíquia, verbeno pinçaria dalva de oliveira, e para ele, a discoteca com referência na região norte é da cultura, palavras de quem é músico também.

e quem vem do cinema e vai parar numa discoteca? kauê é originado do curso de cinema no rio grande do sul e de família musical. faz experimentação no empresariado com o grupo black soul samba, com todas as tendências da música negra no planeta, além de manter um arquivo sonoro particular com mais de 70mil canções. 
o cinema precisa de trilha, diz kauê, sua referência é o paraense leonardo venturiere. quanto à digitalização das obras da cultura, kauê almeida está encantado e preocupado, porque todo o acervo da música brasileira está no departamento, desde que a gente se entende por gente, revela, principalmente os gravados em vinil, e que têm que ser salvos, de alguma forma, há muita lenda viva aqui, declara.

link: (confira o primeiro texto citado, por cá)

'[…] Coeli Almeida, 50, Bibliotecária desde 1988 e está há 25 na Cultura, responde pelo departamento Discoteca(+2 funcionários), com o acervo de mais de 16 mil peças...'

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- entrevistas concedidas na discoteca, em 01/07/2011.