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olhares.com - 'O mistério das cousas' - Pedro Gonçalves

Destino do Mundo. Artigos

O MUNDO PELO AVESSO (26/03/2004)

Especial 1964-2004

Por que o golpe no Brasil?

Surpreende que o Brasil tivesse sido tema prioritário de preocupação do governo dos EUA, como se pode ver pelas andanças de Rockfeller pelo Brasil – tratando de temas que vão do petróleo à Amazônia.

Emir Sader – Carta Maior

Apesar de ter, na época, uma esquerda relativamente mais fraca do que as do Chile, do Uruguai e da Argentina, o Brasil acabou sendo o palco do primeiro golpe militar da série que se estenderia por toda a região. Uma das razões essenciais, claro, foi que havia aqui um governo de esquerda, enquanto nos outros países, apesar da força das organizações, ainda não estavam no governo nem Perón, nem Allende, por exemplo.

Porém, ainda assim surpreende que o Brasil tivesse sido tema prioritário de preocupação do governo norte-americano, como se pode ver pelas andanças de Rockfeller pelo Brasil – tratando de temas que vão do petróleo à Amazônia – praticamente em todo o período do segundo pós-guerra. Se o México estava seguro para Washington, o Brasil aparecia como o maior desafio, dentre os países que poderiam causar problemas para a hegemonia dos EUA no continente. Desde o golpe que havia derrubado Perón, em 1955, a Argentina parecia não apresentar maiores dificuldades, em comparação com o que representou um tempo depois e em comparação com o Brasil.

O potencial de crescimento do Brasil, com o ciclo de expansão industrial em curso, a fundação da Petrobrás, além dos enormes recursos naturais de que o país dispunha, contribuíram. A fundação da Escola Superior de Guerra, quando os militares brasileiros voltaram da Itália aderidos às teses da guerra fria, representava um enraizamento concreto, institucional da estratégia baseada na Doutrina de Segurança Nacional , de que Golbery do Couto e Silva e Humberto Castelo Branco seriam representantes significativos.

O retorno de Getúlio ao governo em 1950, com um programa mais marcadamente ideológico do que no seu governo anterior – de que a campanha de “O petróleo é nosso” foi um bom exemplo – assustou os norte-americanos. O suicídio de Getúlio e a derrubada de Perón poderiam significar um alivio para eles, mas a continuação da mesma aliança – que incluía o movimento sindical e o PCB – e, principalmente, das mobilizações populares, se não impediu a vitória de Jânio Quadros, retomou seu ímpeto com a renúncia deste e a posse de Jango.

O projeto golpista centrado na ESG cruzou toda a década de 50, tentou derrubar Getúlio, tentou impedir a posse de JK, protagonizou duas isoladas tentativas de sublevação no governo deste e agiu abertamente contra a posse de João Goulart, já praticamente protagonizada pela mesma alta oficialidade que três anos mais tarde chefiaria o golpe militar. A coerência da ação e seu caráter continuado revelam a opção estratégica da linha norte-americana, com seus aliados locais, de tomada do poder, independentemente da crença real ou não de que o governo Jango representaria uma ameaça verdadeira a seus interesses.

Episódios como a sublevação dos marinheiros, que receberam a visita de Jango, o avanço na sindicalização rural, na capacidade reivindicativa dos trabalhadores sindicalizados e na extensão da sua organização - inclusive para o setor público – foram circunstâncias que demonstravam que a capacidade de controle do Estado sobre os movimentos sociais se enfraquecia. A campanha de desestabilização levada a cabo a partir do governo norte-americano, com apoio do grande empresariado nacional, das empresas transnacionais, da grande mídia e de parte da classe média, permitiu que a alta oficialidade golpista derrubasse o governo legalmente constituído de João Goulart.

A combinação desses elementos explica por que o Brasil foi o cenário do primeiro da cadeia de golpes militares que instaurariam uma verdadeira internacional do terror no cone sul latino-americano.


Mitos & Fatos

Mito

'A tradicional posição dos árabes na Palestina foi colocada em risco pelo assentamento judaico.'

Fato

Durante muitos séculos, a Palestina teve uma população esparsa, com uma terra pobremente cultivada e composta em grande parte de colinas erodidas e negligenciadas, desertos arenosos e pântanos infectados de malária. Em 1880, o cônsul americano em Jerusalém chegou a dizer num documento que a região seguia em declínio histórico: 'A população e a riqueza da Palestina não crescem há 40 anos.'

O Relatório da Comissão Real(inglesa) para a Palestina cita uma relação da Planície Marítima de 1913: 'A estrada que vai de Gaza ao norte era só uma pista de verão, adequada para o transporte em camelos e carretas(...) nenhum laranjal; pomares e vinhedos só eram vistos ao se alcançar a aldeia judaica de Yabna(Yavne) (...) As casas eram todas de barro, sem janelas por onde alguém poderia ser visto(...) Os ganhos eram muito poucos(...) As condições sanitárias nos povoados eram horríveis. Não havia escolas(...) A parte ocidental, em direção ao mar, era praticamente um deserto(...) Al aldeias nessa área eram raras e tinham poucos habitantes. Muitas ruínas de povoados estavam dispersas pela região, lugares abandonados pelos moradores devido à malária.'

Lewis French, diretor de Desenvolvimento britânico, escreveu sobre a Palestina: 'Nós a encontramos habitada por felahin(camponeses árabes) que viviam em casebres de barro e padeciam severamente da malária reinante(...) Grandes áreas(...) estavam sem cultivo(...) Os felahin, quando eles mesmos não roubavam gado, estavam sempre dispostos a oferecer abrigo a esses e a outros criminosos. Os lotes individuais(...) trocavam anualmente de mãos. Havia pouca segurança pública e a vida dos felahin se alternava entre os saques e a chantagem por parte de seus vizinhos, os beduínos. Surpreendentemente, muita gente que não simpatizava com a causa sionista acreditava que os judeus melhorariam as condições dos árabes palestinos.

Foi o caso de Dawood Barakat, editor do jornal egípcio Al-Ahram, que escreveu: 'É absolutamente necessário que os sionistas e os árabes cheguem a um entendimento porque a guerra de palavras só pode fazer mal. Os sionistas são necessários ao país. O dinheiro que vão trazer, seu conhecimento, sua inteligência e a capacidade de trabalho que os caracteriza contribuirão, sem dúvida, para o soerguimento do país.'

Mesmo um dirigente nacionalista árabe acreditava que o retorno dos judeus à sua terra natal ajudaria a ressuscitar o país. O xerife Hussein afirmou: 'Os recursos do país ainda estão no solo virgem e serão desenvolvidos pelos imigrantes judeus. Uma das coisas mais surpreendentes até os tempos recentes era que o palestino costumava abandonar seu país, vagando por alto-mar em toda direção. O solo nativo era incapaz de segurá-lo, embora seus antepassados tenham vivido nele por anos. Ao mesmo tempo, chegam à Palestina judeus de muitos países – Rússia, Alemanha, Áustria, Espanha e do continente americano. A maior das causas não poderia escapar àqueles que tinham uma capacidade mais profunda de discernimento. Eles sabiam que o país era para seus filhos originais(abna'ihilasliyin), apesar de todas as diferenças entre eles, uma pátria sagrada e amada. O retorno desses exilados(jaliya) à sua terra natal provará ser material e espiritualmente uma escola experimental para seus irmãos que estão com eles nos campos, nas fábricas, nas empresas e todas as coisas relacionadas à labuta e ao trabalho.'

Tal como Hussein previra, a recuperação econômica da Palestina e o crescimento de sua população só aconteceram depois do retorno maciço dos judeus.

Mark Twain, que visitou a Palestina em 1867, descreveu-a como 'um país desolado cujo solo é bastante rico, mas inteiramente entregue às ervas daninhas: uma terra desolada e silenciosa... A desolação aqui é tanta que nem mesmo a imaginação pode congraçar-se com o esplendor da vida e da ação(...) Jamais vimos um ser humano em toda a rota(...) Havia quando muito uma árvore ou arbusto em algum lugar. Até as oliveiras e os cactos, esses amigos constantes dos solos mais pobres, quase abandonaram o país.'

(Arquivo Mitos e Fatos)


Revista Cult

Passagem inevitável do tempo

Em A Música Desperta o Tempo, o regente Daniel Barenboim fala sobre como a música pode ser um espelho para a vida, ou melhor, para a sociedade

16/10/09 – Camila Frésca

O argentino-israelense Daniel Barenboim é uma das mais influentes figuras do mundo da música na atualidade. Exímio pianista que ainda dá recitais solo e pratica a música de câmara, regente dos mais prestigiados - atualmente é diretor da Orquestra Staatkskapelle Berlin -, é ainda criador, ao lado do intelectual norte-americano de origem palestina Edward Said, da Orquestra West-Eastern Divan, que congrega jovens músicos de Israel e de países árabes. Dele, acaba de sair A Música Desperta o Tempo[Music Quickens Time].

A ideia central que permeia os ensaios que compõem o livro é a de como a música pode ser um espelho para a vida - ou melhor, para a sociedade. Nessa arte que possui uma linguagem tão particular, poder-se-ia observar como se dá a interação entre sujeitos e elementos diversos, num equilíbrio em que somente a soma de cada parte produz um resultado satisfatório, orgânico, coerente. Como fazer, então, para que a música contribua de fato para melhorar a sociedade?

Música e vida

Barenboim cita alguns exemplos concretos nos três primeiros ensaios, que de certa forma formam a primeira parte do livro - mesmo não estando formalmente dividido dessa maneira, acredito que haja três grandes eixos a estruturar a obra. Existiria uma relação entre o som e o silêncio muito similar à que há entre a vida e a morte, por exemplo.

Da mesma forma, cada uma das notas musicais dentro de uma peça seria um protótipo do papel do indivíduo na coletividade: "As notas, que seguem umas às outras, operam claramente dentro da passagem inevitável do tempo. Na música, a expressividade é dada pela relação entre as notas (...) Isso determina que não se pode permitir que as notas desenvolvam o seu eu natural, tornando-se tão importantes a ponto de ofuscar a anterior. Cada nota deve ser consciente de si mesma e também de seus próprios limites; as regras que se aplicam aos indivíduos na sociedade aplicam-se igualmente a elas, na música.

Quando se executam cinco notas que estão ligadas, cada uma delas luta contra o poder do silêncio que quer lhes tomar a vida, e, por isso, posicionam-se em relação à nota anterior e à seguinte. Nenhuma delas pode ser altiva, querendo ser mais forte que aquela que a antecedeu (...) Esse fato tão simples me ensinou a relação entre o indivíduo e o grupo. É necessário ao ser humano contribuir para a sociedade de um modo muito individual; isso torna o todo muito maior que a soma das partes. A individualidade e o coletivismo não devem ser mutuamente exclusivos; na verdade, juntos eles são capazes de melhorar a existência humana".

O estabelecimento de tais relações, obviamente, pressupõe um conhecimento musical razoável. Tal conhecimento, no entanto, anda cada dia mais escasso no mundo, já que a música foi abolida da maioria das escolas. "Nenhuma escola eliminaria o estudo de idioma, matemática ou história de seu currículo, no entanto, o estudo da música, que abrange tantos aspectos dessas áreas do conhecimento e pode até contribuir para uma melhor compreensão deles, muitas vezes é totalmente ignorado", afirma Barenboim logo na introdução.

A ausência da música como matéria escolar certamente tem algo a ver com sociedade atual, que valoriza muito mais a visão do que a audição, outro aspecto por ele abordado. Andamos cada vez mais insensíveis às informações recebidas pelo ouvido, sendo estimulados, desde a infância, a perceber os fenômenos pela visão, o que causaria uma espécie de atrofia no potencial auditivo da maioria das pessoas.

Essa falta de educação e de atenção para a música possibilita um desvirtuamento de sua função, tornando-a descritiva ou permitindo falsas associações: "a Quinta Sinfonia de Beethoven certamente não foi criada para nos fazer pensar em chocolates, como uma fábrica norte-americana gostaria que acreditássemos". Por outro lado, também não escapam de suas críticas escolas de música e conservatórios, onde o ensino praticado é altamente especializado e desligado do sentido global da música. Ou seja, Daniel Barenboim reivindica para essa arte o papel de instrumento essencial no desenvolvimento integral do ser humano. A educação musical deve ser introduzida desde cedo, para que a música se torne tão orgânica quanto a linguagem falada.

O "Divã Ocidental-Oriental"

Tanto Paralelos e Paradoxos - seu livro anterior, na verdade um grande diálogo registrado entre Barenboim e Said sobre música e sociedade - como A Música Desperta o Tempo são dedicados aos músicos da West-Eastern Divan, projeto que em 2009 completa 10 anos. É dele que Barenboim trata na segunda e mais instigante parte do livro. A orquestra nasceu em 1999 em Weimar, ano em que a cidade foi escolhida como "capital europeia da cultura".

O nome remete a um conjunto de poemas que Goethe escreveu inspirado pela obra do poeta persa Hafiz e que focaliza a ideia do outro. Seu princípio, segundo Barenboim, era bastante simples: "Uma vez que os jovens músicos concordassem em tocar apenas uma nota em conjunto, eles não seriam capazes de olhar uns para os outros da mesma forma novamente. Se na música eles foram capazes de seguir com um diálogo, tocando simultaneamente, então, um diálogo verbal comum, em que cada um espera até que o outro se cale, se tornaria consideravelmente mais fácil".

Barenboim afirmou diversas vezes que o objetivo da orquestra é humanista e não político, mas fica impossível separar as coisas. A West-Eastern Divan é um projeto político na medida em que concebe a política como atividade passível de ser desempenhada por qualquer cidadão envolvido com questões públicas relevantes de sua época, e interferindo de forma ativa nessa realidade.

Explicando conceitos e convicções que estão por trás do projeto, ao mesmo tempo em que revela os mais importantes fatos que sucederam ao grupo de 2004 para cá, Daniel Barenboim acaba por nos mostrar como ele mesmo se utiliza das ferramentas aprendidas na música para interferir na vida/sociedade. Numa das várias metáforas que propõe, afirma que o diálogo israelo-palestino deveria ser como uma fuga, com vozes contrapontísticas: nela, sujeito e contrassujeito têm igual importância, já que não há sentido em um sem o outro, e cada voz tem seu próprio discurso ao mesmo tempo em que é intimamente ligada à outra.

Para ele, "a Orquestra West-Eastern Divan é, obviamente, incapaz de trazer a paz, mas pode criar condições para o entendimento mútuo, sem o qual é impossível até mesmo falar de paz. Ela tem o potencial de despertar a curiosidade de cada indivíduo para ouvir a narrativa dos outros e de inspirar a coragem necessária para ouvir o que, às vezes, se prefere não dizer".

O músico

Os apêndices que compõem a última parte do livro - com entrevistas, depoimentos e artigos anteriormente publicados - nos permitem enxergar o músico em seu artesanato diário, ou explorar sua formação e idiossincrasias. A importância de Bach e Mozart em sua carreira, suas críticas ao movimento da interpretação musical historicamente orientada e seu envolvimento com a música contemporânea estão entre os temas abordados.

Em mais de uma passagem ele revela sua opinião sobre as "interpretações históricas": "Tenho dois problemas com o assim chamado movimento sonoro original. Primeiro, incomoda-me o fato de que se trate de um movimento, portanto, de uma ideologia, uma visão de mundo que coloca menos perguntas do que deveria (...) Em segundo lugar - e digo isso agora sem qualquer ironia -, essa ideologia conseguiu vender-se como progressista". "Na verdade, o meu problema maior é com alguém que tenta imitar o som de uma outra época", resume.

No sentido oposto, a música contemporânea sempre recebeu de Barenboim atenção especial. Sua longa colaboração com Pierre Boulez é destrinchada num artigo dedicado ao compositor e no qual ele revela uma opinião compartilhada por ambos: "Frequentemente, o problema com a música atual é que os trabalhos não são repetidos o suficiente. Em consequência, não é possível adquirir a familiaridade necessária - em primeiro lugar, para a orquestra. Por tocar uma nova peça apenas uma vez, mesmo depois de prepará-la muito bem e nunca mais repetir essa apresentação, a orquestra não pode chegar à familiaridade da qual necessita para tocá-la com maior liberdade. E, naturalmente, nem o público".

Criança prodígio e pianista de carreira brilhante, Daniel Barenboim desfruta hoje da posição de um dos maestros mais importantes do mundo. Aos 67 anos e após quase 60 de carreira, tudo isso não poderia parecer, por um lado, um pouco entediante e carente de desafios? O que parece claro, no entanto, é que a West-Eastern Divan fez com que o músico se reposicionasse nesse cenário, buscando na arte um papel muito mais amplo e transformador da sociedade. Na leitura reveladora de A Música Desperta o Tempo, essa e muitas outras questões são exploradas de forma instigante e apaixonada.


Tic-tac-tic-tac-tic-tac... Já volto!

Imagem de ElPaís

Israel Galván

ElPaís - no post seguinte a matéria

O que vi por aí

Especial López Vázquez ;

Especial Francisco Ayala ;

Israel Galván baila flamenco entre Coppola y la Biblia ;

"Quien no llore con 'Hachiko' es que no tiene corazón" ;

Borges oculto y a cuatro manos ;

Un sistema para cuatro cuerpos policiales ;

Hallada una película de Chaplin desconocida ;

Revista Nature faz 140 anos ;

Apple: Revista Fortune nomeia Steve Jobs como "patrão da década" ;

Jean Giraud 'Moebius': 'Un dibujante novel debe abrirse a nuevas formas de expresión' ;

Duende japonés ;

El desempleo en EEUU supera el 10%, la tasa más alta desde 1983 ;

El arquitecto Oscar Niemeyer, condecorado con la Orden de las Artes y las Letras de España ;

Gervasio Sánchez gana el Premio Nacional de Fotografía ;

La batalla, ahora, es por el gas ;

Una atenta mirada al Sur ;

"Es difícil evitar el ataque de un lobo solitario contra Obama" ;

LÉVI STRAUSS Y EL CONCIERTO NATURAL ;

España, nueva estrategia en Hong Kong ;

El sueño del otoño perfecto ;



Rebelión

Hiroaki Samura *

Menina, 16 anos, uma canção de outono

Diante do espelho d’água que reflete a lua intacta

Lembro-me de sua nuca desnuda.

Esqueço-me da minha condição

Sigo firme, cego e tateando com as mãos

Sigo léguas e léguas para o norte.

Rasgue suas mangas de cor carmim,

Morrer, viver ou amar?

&

Dançando sob as flores de Cerejeira

Dia vai, dia vem e

É primavera na cidade

Todas as manhãs

Flores vermelhas desmancham-se ao ar

Aqueles que passam sob elas

Erguem seus olhos para sentir seu perfume

E cantam uma canção passageira

Enquanto o mundo alardeia

Em saber quem é o famoso gatuno

Vejam, aquele que é levado pelas

Águas do rio Sumida

Não é o Hikoichi, filho do prefeito?

Os enamorados secretos

Entalham suas promessas nas pétalas das flores

Floresça, cerejeira!

Somos o seu alimento

Assim o destino pode se concretizar

Amarramos o nosso destino, mas

Apenas um de nós morreu

Minha amada era a segunda esposa

De um rico milionário

Os siris me beliscaram, os corvos me pisaram

Se isso também é amor, não haverá

Paz para minha alma

Pessoas vivem e não têm onde se esconder

O mundo chama isso de sonho

Pessoas odeiam e não param de odiar

O mundo chama isso de amor

O rio o leva e o seu destino é o

Outro lado da vida.

Nasci em Edo, vivi em Naniwa

Acabei morrendo em Ezo.

Uma gata preta surge no meu quintal

E começa a contar sua história

Que surpresa, como posso deixá-la

Se não é a mulher a quem amei

Em outra vida?

* Hiroaki Samura


Manga: Blade – A Lâmina do Imortal

Montanhas, rios, deus de Atatsumi, cristãos sem coração.

Esta voz que amaldiçoa a si mesmo

Desaparece entre as nuvens.

Edição 11

Para quem afio minhas presas?

Por quem quebro minhas presas?

Os mais ardentes sentimentos escondem-se

No fundo do meu coração.

Edição 12

Saber do seu coração

Sem saber do seu sonho, companheiro,

Faz as flores chorarem, faz os pássaros chorarem.

Edição 10

Silencioso, repete-se o som

Do novelo se enrolando

Tecendo para quem? Eu me pergunto.

Edição 09


Enquanto meu olhar transforma-se na luxúria

Da decadência do país, sinto seu aroma ao vento,

Que agita a bainha das nuvens dos céus.

Edição 06

Procurando o paraíso em vida

Conheci a imundície que é viver.

O desamparo da vida é como as flores

Que caem nas noites de primavera.

Edição 04

Um carmim imprudente tinge as vestes,

Não há ninguém mais que as toque.

A mulher parte, mata,

Percebe o vazio e chora.

Edição 03

Se a sua glória é cantada pelo sangue dos homens que

Jorra como chuva, vocês, sangue do meu sangue,

Acreditem que o seu destino é indestrutível.

Edição 02

Se quiser redimir-se de seus pecados

Viva ao lado do seu pecado pela eternidade.

Se até os bons têm suas almas salvas

O que dizer dos pecadores.

Edição 01


Já foram laterais no blog

A opinião indolente, embora sempre seja castigada, é o que torna viva a verdade. Então, paguemos por ela. Entenda que ser audacioso ao provocar, não basta. Desacordos, discursos de engodos, isso sim, levam ao erro.

Às vezes tento entender a linguagem da mídia(periódicos semanais) de forma pura e simples. mas não dá. há sempre algo por trás que a traz perversa, paradoxal, limitante, ultrapassada, decadente, superada, com visões tacanhas, mesquinhas, mas, ao mesmo tempo, ousada, principalmente em um país de gente temperada sem sal(dignidade). Um trabalho grotesco, beirando na ponta do abismo. Jorrando água de esgoto. Coisa mesmo do subterrâneo. O negro na escuridão da noite. Procura-se uma vela. É o caso, mas de morte do morto!

Sem ter feito um movimento sequer, a vida tem me dado muitas coincidências através das palavras - ilusão; pátria; ignorante; verdade... nunca acreditei em 'destino'. Como podemos trilhar um caminho sem sabermos que estamos nesse caminho? como podemos olhar com os olhos vendados? isto pode ser uma verdade? mais uma ilusão da casa? da casa que somos nós? esse compartimento será o do 'mistério'? vá lá... estou a refletir sobre essas coisas que não se encaixam na minha maneira de encarar a vida. Continuarei com a minha objetividade... palavras são palavras!

'Meu coração jamais terá armadura. mas lutará sempre.'- beijinhos. 'Sé donde está mi corazón.'

São contra a morte, ou contra a vida, as vozes que tão fugatamente desconversam? (JBach).

A ortotanásia faz parte de nossa linguagem, de nosso tempo, portanto, a morte não é exceção da regra, nem tampouco o sal da existência. Não estamos etiquetando pessoas. A eficácia da medicina não é uma questão filosófica. Não estamos vivendo o ódio por nós mesmos. O sujeito quando deixa de ser sujeito, falamos dele e não com quem falamos.

Sabes, chamo isso de trabalhar a pedra. esculpir. É quando como chamamos a pipa para ajeitá-la e colocá-la no ar. bach... quantos caminhos percorremos para que os outros possam 'ver' a luz do sol. vá lá... assuma a obra.

Sabes, penso cá, comigo, poemas nunca são traduzidos. cada vez que você faz isso, você está, automaticamente, recriando, criando, outro poema. Não sei se o meu pensamento está correto, mas vou por ai. É por isso que sinto dificuldade em traduzir peças para o português. Dói-me a alma em mexer na tal obra. É como se eu estivesse mutilando aquela luminosidade. Portanto, cada um tem que ter a sua luz própria. Daí, não mergulhar em águas alheias. Ding? Falo disto hoje porque estava procurando um poema de Benedetti para traduzir e veio-me este pensamento. Então, o deixei quieto e fiquei também. Às vezes tenho umas coisas que talvez ninguém entenda, mas, eu me entendo, e isso me basta. Viva o poema. Viva a poesia. como foram criados. Amo a América Latina. Adoro o meu país, mais do que tudo neste mundo!!!!

Se um dia eu te encontrar, ainda nesta vida de cachorro, não sei se te darei um cheiro ou te morderei. Mais provável a segunda opção, depois da primeira, claro...(rsrs). bach... É uma flor de Lácio. Estava escrito nas espadas com sangue.

A mais absoluta verdade: a morte é um fato, assim como a fome é afeto. Então, digo cá, aos meus botões, paciência, fazer o que?' beijos.


Oi, sexta.

olhares.com - 'Borboleta Zebra'- Fernando Alves

Blog do Planalto

Recorde de universidades

Com a sanção por parte de José Alencar, presidente da República em exercício, do projeto de lei que cria a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), o governo Lula atingiu nesta quinta-feira (5) a marca de 12 universidades criadas – recorde histórico no Brasil. A marca anterior era do presidente Juscelino Kubstichek, com 10 universidades federais.

O novo campus será inaugurado na primeira semana de dezembro e abrigará 1,4 mil universitários. Segundo Alencar, quando assumiu o governo teve uma conversa com o presidente Lula na qual ressaltava o fato de não terem curso superior: “O presidente Lula sempre diz assim: isso vai ficar para a história porque os brasileiros elegeram dois políticos que não têm curso superior. Por isso, nos compete fazer algo especial pela educação”.


Quinta-feira

Destino do Mundo 12

Quinta-feira
No Brasil, pode-se falar de uma verdadeira 'pré-revolução industrial' com a abolição da escravatura(1888), a proclamação da República Federal(1889), o desenvolvimento do ciclo do café de São Paulo, a Bolsa do Rio, os primeiros altos-fornos e o desenvolvimento de diversas manufaturas, sobretudo têxteis, graças aos lucros do café, ou às indústrias substitutivas de importações, em caso de crise do café.

Quanto a economia mexicana, também experimentou um desenvolvimento considerável em 1876 e 1910(Governo Porfírio Diaz).

Estas três revoluções econômicas foram conduzidas por homens fortemente inspirados nas ideias positivistas de Augusto Comte. No Brasil, o comtismo triunfa nos textos oficiais, nos emblemas nacionais, e mesmo na divisa da República: Ordem e Progresso. Em oposição a este pensamento francês e latino, alimentado de abstração, os Ingleses adotarão com igual constância, da Índia à Rodésia, o empirismo e o utilitarismo de Herber Spencer e de Jeremy Bentham.


Destino do Mundo 11


A expansão demográfica terá sido a única forma de expansão latina entre 1870 e 1914, face ao comércio e aos investimentos ingleses, holandeses, alemães, americanos? Em suma, a Europa latina participa pouco no grande movimento da segunda expansão europeia de além-mar. Quanto mais pobre é, mais importante é o seu tributo demográfico e menos o são as outras formas de participação. Só a França se encontra financeiramente presente, porque a sua sociedade 'aristocrática' rural acumulou pés-de-meia, que coloca prudentemente em vez de investir – mesmo na América Latina, onde impera a confiança entre Latinos. A solidariedade latina que, antes de se manifestar pela União Monetária Latina de 1865 – um 'bimetalismo coxo' que completa bastante bem o monometalismo ouro anglo-saxônico – se deu a conhecer através da famosa Expedição do México. Reencontramos, portanto, nos colonizadores latinos, mesmo nesta época de explosão econômica, estas preocupações ideológicas, institucionais, administrativas e políticas tradicionais, secundárias nos Anglo-Saxônicos ou nos Alemães. Os países latinos da América, por seu lado, sofrem toda uma série de transformações no século XIX, particularmente significativas na Argentina, no Brasil, no México. A Argentina viveu uma verdadeira revolução econômica, passando de uma economia cerealífera que remeteu para os limites do país a exploração dos animais. A prosperidade reina e reinará até à guerra de 1914 e mais para além, até à crise de 1929. Resultado: o desenvolvimento de uma enorme metrópole, Buenos Aires, e dos seus satélites – La Plata, Rosário, Santa Sé, todas italo-ibéricas.


Destino do Mundo. Artigos

04/11/2009 - Carta Maior

Capitalismo e modernidade no Brasil

Na melhor tradição do pensamento social brasileiro, o livro "Capitalismo tardio e sociabilidade moderna", de João Manuel Cardoso e Fernando Novais, destaca como ao mesmo tempo em que criávamos condições para o nascimento e o desenvolvimento do capitalismo, impúnhamos obstáculos para o florescimento e a consolidação da modernidade no país. Esse pequeno ensaio sobre a modernidade brasileira reúne o método crítico de um historiador reconhecido por sua habilidade em clarificar a nossa herança mercantil e a perspectiva analítica de um economista conhecido por sua destreza em esclarecer o nosso fado industrial. A resenha é de William Vella Nozaki.

William Vella Nozaki (*)

Resenha do livro:

MELLO, João Manuel Cardoso de & NOVAIS, Fernando. Capitalismo tardio e sociabilidade moderna. Unesp/Facamp: Campinas, 2009.

O Brasil ontem e hoje

O que se tornou o capitalismo brasileiro? Essa questão elementar não cessa de ser formulada. Muitos a perguntam na discrição das reflexões solitárias ou na distração das conversas informais; alguns a respondem de forma excessivamente retórica ou de maneira demasiadamente abstrata.

Tratada de maneira indireta e oblíqua essa indagação soa mais como demonstração de estilo do que como manifestação de perplexidade. Talvez isso ocorra porque de tão natural, direta e ingênua, tal questão só possa mesmo ser feita por um pensamento maduro, cansado de tergiversar e pronto para a hora de falar concretamente. É precisamente esse o exercício proposto em Capitalismo tardio e sociabilidade moderna.

O texto foi escrito no bojo dos ataques contra o neoliberalismo e veio a lume pela primeira vez como parte da coleção História da Vida Privada no Brasil, em 1998. Trata-se de obra com espírito crítico e com ímpeto de balanço, que, publicada agora como livro, não deixa de revelar sua atualidade.

Esse pequeno ensaio sobre a modernidade brasileira reúne o método crítico de um historiador reconhecido por sua habilidade em clarificar a nossa herança mercantil e a perspectiva analítica de um economista conhecido por sua destreza em esclarecer o nosso fado industrial. Ao atarem essas duas pontas, Fernando Novais e João Manuel Cardoso de Mello, produzem um curto-circuito revelando como a industrialização brasileira criou e foi tragada por uma sociedade mercantil nos trópicos.

A interpretação dos dois autores aborda meia dúzia de décadas fundamentais para a compreensão do Brasil. Parte-se do otimismo da década de 1930, período em que o progresso industrial colore a nação, e caminha-se em direção à desilusão da década de 1990, momento em que o regresso monetário descaracteriza qualquer nacionalismo.

O livro se divide em sete pequenos capítulos, neles se analisam: (1) a indústria e o consumo; (2) o campo e a cidade; (3) a estrutura de classes e a mobilidade social; (4) os valores capitalistas e os princípios modernos; (5) a concentração de riqueza e a distribuição de renda; (6) o autoritarismo político-econômico e a massificação sócio-cultural; (7) a globalização e o neoliberalismo no Brasil.

Capitalismo

Nos três primeiros capítulos do livro abordam-se as principais transformações responsáveis pela modernização do país, trata-se de enfatizar a aura de otimismo que tomou conta do país apesar da manutenção de algumas distorções.

Retomando interpretações consagradas, os autores relembram como nas décadas entre 1930 e 1950 acelera-se o processo brasileiro de industrialização, modernizam-se os setores industriais mais tradicionais (alimentos, têxteis, calçados, móveis) e formam-se os setores industriais mais complexos (aço, petróleo, alumínio, químicos e farmacêuticos). Além disso, ensaiando interpretações inéditas, enfatiza-se como nesse período emergem mudanças significativas no processo de comercialização dos produtos, com o surgimento dos supermercados, shopping centers, cadeias de lojas de eletrodomésticos, revendedora de automóveis e lojas de departamento.

O objetivo é demonstrar como as relações entre a alteração na oferta de produtos e na circulação de mercadorias implicaram novos hábitos de vestuário, de alimentação, de higiene pessoal, de limpeza da casa etc. ensejando um novo padrão de consumo.

Para tanto, os exemplos mobilizados são muitos e diversos, trata-se de ilustrar a relação entre as mudanças na estrutura produtiva e as transformações na dinâmica do consumo. Como, por vezes, a profusão de casos listados pode ofuscar a interpretação sugerida pelos autores, aos deslumbrados com os exemplos recomenda-se cautela, aos ansiosos pela análise pede-se paciência. A leitura ponderada será recompensada ao final.

Durante esse período, notam ainda os autores, a industrialização acelerada não poderia deixar de significar também uma urbanização desenfreada. Assim é que a estrutura rígida do campo cede lugar à estrutura competitiva da cidade; a extrema pobreza e a miséria são sobrepujadas pela esperança e pelo desejo da migração; a família conjugal, dos compadres e vizinhos, é substituída pela família unicelular, de pais e filhos; e a educação pelo trabalho é trocada pela educação escolar.

Nesse processo o imigrante estrangeiro pôde usufruir de sua pequena vitória na luta por melhores posições sociais, dada sua melhor posição financeira de saída, muitos passaram de mascates a empresários, de trabalhadores especializados converteram-se em profissionais liberais. A mesma sorte não se deu com os migrantes rurais, ainda que sua situação tenha melhorado, a pobreza do campo foi substituída por não mais do que algumas tarefas de pouca qualificação e de baixa remuneração. Os negros urbanos, em sua grande maioria, permaneceram confinados ao trabalho subalterno, rotineiro e mecânico.

Tais mudanças e permanências, denunciam os autores, revelam como o capitalismo cria a ilusão de que as oportunidades econômicas são iguais para todos, quando na realidade a mercantilização da sociedade é que se apresenta como o único denominador comum.

No topo dessa sociedade abriga-se um pequeno conjunto de capitalistas, banqueiros e industriais, menos interessados em liderar o desenvolvimento econômico do país e mais interessados em tirar proveito da ação do Estado e da atuação da grande empresa multinacional. Na faixa intermediária, acotovelam-se uma classe média alta de profissionais em busca da qualificação fundada no ensino superior e uma classe média baixa de operários à procura de especialização. Na base dessa pirâmide subsistem incontáveis famílias de trabalhadores comuns, de migrantes recém-chegados e de citadinos empobrecidos.

O que os separa é uma hierarquia rígida de trabalhos e remunerações, o que os une são certas necessidades e desejos de consumo. Sendo assim, ressaltam os autores, é importante notar como entre nós os processos de diferenciação do trabalho e de generalização do consumo se deram no mesmo compasso. Desse modo, entre nós a corrida pela ascensão social apresentou-se menos como um fruto do progresso industrial e tecnológico e mais como uma corrida de miseráveis, pobres, remediados e ricos pela atualização dos padrões de consumo.

Modernidade

Desse descompasso entre a produção industrial e a circulação mercantil é que emerge nossa modernidade interrompida. Esse tema encontra-se muito bem desenvolvido no quarto capítulo, que é uma espécie de ponto de viragem no livro, fazendo a passagem entre a formação da nossa economia capitalista e a deformação da nossa sociedade de mercado.

Nos três últimos capítulos do livro, dessa vez, abordam-se as principais patologias e distorções responsáveis por interditar a modernização do país, trata-se de encarar o fantasma da desilusão que se generalizou pelo Brasil.

Isso porque entre as décadas de 1960 e 1980, os valores capitalistas foram reinventados entre nós sem grandes contestações. O privatismo patriarcalista da casa-grande se prolongou no familismo empresarial; a desvalorização do trabalho, herança da escravidão, se redefiniu na cisão entre funções intelectuais e tarefas manuais; a reverência pela hierarquia das ordens tradicionais se transfigurou na suposta concorrência que seleciona superiores e inferiores; e a idéia de país tomado como negócio, mas não como nação, ganhou fôlego redobrado. Isso tudo porque a aspiração à ascensão individual no Brasil não se lastreou no progresso técnico, mas na corrida pelo consumo.

Em contrapartida, os valores modernos foram obstruídos por grandes barreiras. A secularização, o racionalismo e a ilustração, capazes de inculcar as idéias de autonomia, igualdade e liberdade, trazem consigo conteúdos éticos e humanistas que não ecoam diante dos limites impostos pela lógica utilitarista e mercantil vigente no Brasil. Ou seja, sem os valores modernos capazes de refrear os valores capitalistas, imperou entre nós a exploração econômica e a dominação política que perpetuam as desigualdades sociais fundadas num capitalismo sem iluminismo. Em última instância, pode-se dizer que o industrialismo foi sobrepujado pelo consumismo como lógica de organização social.

Tal alteração ocorre, precisamente, por ocasião do Golpe de 1964, a política econômica capaz de combinar crescimento econômico e concentração de renda abria espaço para a acumulação de lucros e riqueza ao mesmo tempo em que patrocinava a diferenciação entre os salários e, por extensão, entre as capacidades de consumo.

O que se originava era uma sociedade deformada, fraturada em três dimensões: um mundo desfrutado por ricos e privilegiados, caracterizado pelo consumo de luxo, regado à ostentações e suntuosidades; um mundo permeado pelas várias classes médias e remediados, marcado por um tipo de consumo que é o simulacro e a imitação do primeiro; e, por fim, um mundo povoado por pobres e miseráveis, nesse ambiente os salários baixos permitem a reprodução daqueles padrões de consumo, mas impedem a difusão da capacidade de consumir.

Mas as agruras impostas ao país pela ditadura militar não se restringiram ao plano político e econômico, notam os autores, elas também se esprairam pela esfera social e cultural. Isso porque ao cerceamento do espaço público seguiu-se, imediatamente, o estabelecimento de uma opinião privada. Disfarçando-se em meio a entretenimentos ou revestindo-se de objetividades, as empresas televisivas e jornalísticas formavam uma pequena confraria que, com a anuência do governo militar, patrocinavam a instauração de uma indústria cultural americanizada no país.

A prioridade da TV e do entretenimento sobre a informação e a educação, e a preeminência de empresas privadas sobre a opinião pública, apontam os autores, promoveu, novamente, o triunfo de normas mercadológicas sobre princípios modernizantes. Desse modo, a sociedade brasileira passava diretamente da deseducação para a massificação, criavam-se consumidores sem que se houvesse formado cidadãos. Esse será o país lançado, nos anos 1990, sobre os estertores da globalização e do neoliberalismo.

Na melhor tradição do pensamento social brasileiro, o livro destaca como ao mesmo tempo em que criávamos condições para o nascimento e o desenvolvimento do capitalismo, impúnhamos obstáculos para o florescimento e a consolidação da modernidade no país. Tudo analisado à partir das justaposições entre a produção econômica e a reprodução social, entre a lógica da industrialização e os nexos do consumismo.

(*) Bacharel em Ciências Sociais (FFLCH/USP); mestrando em Desenvolvimento Econômico (IE/UNICAMP).


Destino do Mundo 10


Mas esta emigração não é homogênea. O Sul do Brasil(Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná) acolheu imigrantes italianos reputados de qualidade por virem do Norte da península, enquanto o Mezzogiorno(sul da Itália e parte do Lácio) já se esvaziara em direção ao Rio de la Plata, a São Paulo ou mesmo aos Estados Unidos. Uma verdadeira elite atravessou o Atlântico. Os italianos vão dedicar-se à agricultura, à criação de animais, à viticultura, mas também a ofícios mais urbanos, como hotelaria, restaurantes, comércio de alimentação, no ensino e nos negócios.

A emigração portuguesa também não é desprezível. A população excedentária de Portugal continental dirigi-se ao Brasil. É uma imigração pobre que substitui progressivamente a mão-de-obra negra. Os espanhóis continuam a emigrar para a América Latina, mas também para o Brasil, Estados Unidos e Canadá. Quanto aos Franceses, não conhecem a emigração maciça, pois o sistema agrícola francês retém uma massa considerável de camponeses. Emigraram poucos, no entanto, colonizam povoamento na Argélia, antes e depois de 1870, com a emigração de Alsacianos e de Lorenos expulsos pela anexação alemã, aos quais se juntam Latinos – Espanhóis ou Italianos da Tunísia, em particular – que adquirem a nacionalidade francesa.


Destino do Mundo 09


As modalidades da segunda expansão(1870-1914). Marca o apogeu do segundo grande império construído pela Europa. Alguns países parecem ter atingido o máximo das suas conquistas territoriais. E a Espanha perderá Cuba, Porto Rico e as Filipinas depois da guerra hispano-americana de 1898.

A França, instalada na Argélia, na África Oriental, no oceano Índico e na Indochina, vai completar o seu império e estimular as novas implantações dos seus coloniais, apesar de não lhes fornecer quaisquer meios e dos empreendimentos coloniais interessarem muito pouco a opinião pública e os homens de negócios franceses. Só as empresas subdimensionadas julgam avistar a possibilidade de novas saídas, protegidas pelas barreiras alfandegárias. Mais uma vez, a França encontra-se dividida entre a sua vocação continental e a sua vocação marítima, ao contrário do que acontece com a Inglaterra, liberta de preocupações europeias e que só pretende aumentar o seu império. Vai prosseguir, portanto, a grande rivalidade entre a latinidade, representada em primeiro lugar pela França, e o mundo anglo-saxônico, com a Inglaterra à frente, entre 1870 e os primeiros anos do século XX, quando os fracassos da Espanha em Cuba, da Itália em Adoua e sobretudo da França em Fachoda, obrigam os Latinos a repatriar as suas ambições para a bacia do Mediterrâneo, Marrocos para a França, Líbia para a Itália.

Mas outra expansão, humana e econômica, transforma o mundo. Os países latinos participarão largamente nesta expansão. Os italianos sentem-se atraídos pela Tunísia(mas escapa-lhes politicamente), menos pela Líbia, e menos ainda pela Eritreia ou pela Somália. Pelo contrário, afluem à Argentina, ao Uruguai, ao Brasil, assim como à América do Norte, para onde emigram em massa.


Inté. Cuidado com os espinhos.

olhares.com - 'Castanha'- Nuno Bernardo

Como falamos


Sobre os média. Sobre nós. Tenho cá, um pensamento meio que esdrúxulo, excêntrico, esquisito, extravagante, parece-me, no primeiro momento. Mas, cá trago também, opiniões formadas ao longo do tempo, independente de ser da área ou não. Então, vejamos estas aberrações e julgue-me, se for capaz, e espero que sejas.

Se você acompanhar a história de guerras, de desavenças, e entre opositores, falo politicamente na história, sintomático. O que se percebe? Que o perdedor sempre perdeu por falta de sabedoria e nunca, nunca, por contigências físicas, numerais e de valores. Ok. Atualizemos o pensamento. Foi preciso que existisse uma ferramenta on line, ou www, como prefira, para que os atingidos respondessem, como estão respondendo, com organizações semelhantes aos dominadores. Ora bolas, veja o caso Honduras. Quase que 100% do que ocorre por lá, é de forma primitiva. Acompanhas-me? Lembra-se do post que fiz sobre o Voltaire? Como ele se virava para combater os seus opositores? Aonde quero chegar:

Toda a grande imprensa se preocupa em oferecer qualidade. Por que? É como a isca para pegar um peixe, dois peixes, e por aí vai. Espalha-se. E fico, até hoje, até agora, neste instante, surpresa, quando vejo pessoas ditas intelectuais, pinçarem informações dos ditos meios que trafegam pela hipocrisia das informações. Inclinam-se, curvam-se, aos que pensam de uma forma monstruosa sobre o que é ser ético, doutrinário, abusado, usado e vezeiro. Linkan fontes dos que se vendem para garantir cada vez mais a sua fortuna. Citam páginas dos opressores, enganadores, subalternos da mediocridade reinante na política, como um todo, em todos os setores. Às vezes, o pragmatismo nos torna pragmáticos, quando faz a curva. Não entendo, cá pra nós.

Se é para combater, vá lá, mas não me link por linkar. Os erros são os mesmos seculares. Os atingidos esperam as pedras, para pegar no bodoque. Observo que aos poucos estamos criando mídas paralelas para combater o que já existe desde que mundo é mundo. Nunca é tarde, diz o papagaio falador. Mas que comprova falta de inteligência, isso comprova e assina no tempo. Será que já se pensou em outra fórmula que não seja a mesma, da imagem do espelho?

Um exemplo: Fala-se muito, e como resposta, ao triste e derradeiro discurso textual de Fernando Henrique Cardoso. Todos levaram e levam, para a questão política, o rebate. Reflita comigo. FHC escreveu obras e uma delas, cheguei a colocar no blog – Cartas a um jovem político: para construir um país melhor. A primeira lição que o sociólogo oferece ao jovem: estudar a mídia e o seu processo de existência, seu funcionamento, melhor esclarecendo. Dias antes, disponibilizei na lateral do blog, o também livro de outro sociólogo, Edgar Morin, e era tão sublime a diferença: questão humanitária. Não vi, perdoa-me se estou cometendo uma injustiça, respostas neste sentido, de nossos intelectuais e que transitam em páginas de mudanças e de respostas dos que estão sempre sendo bombardeados.

Por que aguardamos as táticas de lá? Somos incapazes de produzir as nossas? Ou seja, apesar da existência do www ainda somos os mesmos. Veja os blogs e sites. Quando é sobre lixo orgânico, catadores de lixo, cambio climático, etc., você não precisa visitar várias páginas. Umas duas, está de bom tamanho. Estamos buscando as coisas que não prestam pela ausência das prestáveis. O nosso mundo está no subsolo, em tudo. Falam da bíblia, do verde que se transformou na cor do dinheiro, do fim disso e daquilo outro, da vacina que serve e que não serve, mas faz média, e não falamos da vida pura e simples, de pesquisas avançadas, de alternativas verdadeiras para o futuro. Tudo serve para manter o controle de poder. Um século de hipocrisia, imoralidade, a época dos insanos e enganadores. Penso, que o Brasil ainda não é o do futuro. Roma se desfez por conta de ambições imensuradas, apesar de construir pontes e estradas. Precisamos emergir, rapidamente.


Sabes...


Eu não olho em determinadas páginas para fazer a minha pauta no blog. Ela surge de necessidade d'alma, de extravasar pensamentos que incomodam, de replicar pensamentos opostos e de pensamentos éticos, princípios humanos que adquirimos em parte e, a outra, já carregamos conosco geneticamente. Não faço média em cima dos outros. Tento reescrever as minhas verdades, a que minha família me passou, a dos livros dos saberes, e a colagem da vida, através de sofrimentos, alegrias, sentimentos somados durante o percurso de nossa vida e vivência quando nos arriscamos abertamente para sedimentar o nosso caráter, a nossa história única, enquanto passageiro da agonia humanitária.

Ainda, penso que dialogar francamente seja a melhor opção para cristalizar a transparência, como se fosse possível uma pessoa deixar de ser o que é. Não enganamos o outro, é que o outro não foi capaz de nos perceber. Sabes, nunca eu jogo a carga para o lado negativo ou positivo, como fórmula matemática, uma equação para se chegar ao denominador comum. Estou eternamente fazendo os meus cálculos. Eu somo – eu subtraio – eu multiplico – eu divido. Isto posto, quero dizer, que sou a dona, a proprietária, de minhas observações. E só eu, e tão somente eu, sou capaz de me punir ou de me vangloriar, ou mesmo me deixar enganar por outrem. Por que digo desta maneira? Cada um é o que é. Basta saber olhar. E você é o dono de seus olhos.

Enfim, estou chegando no clímax. Dignidade é patrimônio, li por aí, certo dia, e recentemente. E por ser como tal, pecam alguns, ou pecamos nós, quando há transgressões de postura. Patrimônio é algo secular e não temporal, chego até a sorrir, com sarcasmo nos lábios e na mente, de que o homem precisa até de um documento, para preservá-lo no mundo. E que dirá, o nosso patrimônio interno. O homem não renasce das cinzas porque ele nunca foi queimado, metaforicamente falando, é claro e óbvio. O homem é como uma parede que se descasca com o tempo. Vai-se perdendo a cor, o material vai se degradando, tijolos são desmanchados por conta de uma massa que parece estar sempre quente e pronta para o molde. Uma parede traduz melhor o que o fogo faz. Ela se reconstrói e o fogo arde, simplesmente. Só aniquila. Uma parede, assim como o relógio, marca o tempo de desgaste e de recomeço, por obra do artífice humano. Entendo que patrimônio e dignidade não caminham lado a lado. Dignidade não sofre altos e baixos. É permanente. Ou se tem ou não se tem. Ou é fogo, ou é água. Patrimônio é modelar porque necessita acompanhar a era. Dignidade só precisa de honestidade. E isso, é bagagem infinitamente, milesimamente pessoal. De caráter. De genes. De família. De educação. Nunca 100% do meio. Dignidade é o inteiro, indivisível. Intacto. Insubstituível.


piu,piu,piu...

De poucas palavras

Dizem que assim como o vinho, o homem fica melhor com o passar do tempo. Não gosto muito de falar de forma generalizada, alguns contém em sua química um teor maior de álcool, outros são secos demais ou doces demais, só sei que é difícil de encontrar um bom vinho que agrupe todas as qualidades equilibradas. Diria uma, em um milhão. A Ruth e o Pedro(tempos idos), me indicaram uma vez um vinho barato e que passei a gostar muito, principalmente porque se adequa ao nosso clima e bolso, que é o português Casal Garcia. Diria, ainda, que é capaz de ressuscitar mortos e com data vencida. Será? A outra questão refere-se ao valor de nossa cultura. Já nem falo mais dos mortos culturais, os que só são lembrados quando partem, e isso, quando acontece, porque estamos abandonando cada vez mais as nossas raízes e nos transformando em uma linda, vasta e deserta pradaria. E isso é no mundo todo. Espanha luta para reavivar o flamenco. A diferença, que percebo, é que as artes têm que se unir como salvação e que não contem com a boa vontade política dos homens sem bagagem no tempo e sem proposta histórica. Sobre o mundo entre quatro paredes, como penso que sejam as nossas instituições de ensino superior, isoladas do real, o problema se dá por conta de formas e modelos e não de conteúdos. As nossas universidades se transformaram em meras produtoras de estudos padronizados, ou seja, é como um piso liso e bonito, cores elegantes, glamour nos móveis, mas sem utilidade, sem frescor, sem arte. É um simples cola e copia da aprendizagem. Como reverter este quadro? E sobre o erotismo japonês, Junichiro Tanizaki, o qual já falei por estas bandas, gostava de escrever justamente sobre as relações humanas na sua cultura. Mas podemos conhecer, também, através de outros olhos. Confira.


Quarta-feira

Inté.

Quarta-feira
olhares.com - 'Lampides Boeticus'- Eduardo Castro
Obs. As melhores imagens da olhares.com, de borb, são desse cara, podes acreditar! beijocas.

Duas falas:

Com tempo para prosas

Li no Luis Nassif uma questão de plágio acadêmico. Já vi muita gente ser injustiçada nesse meio por conta disso. Como também, no mundo literário. Por incrível que nos pareça, os pensamentos às vezes são idênticos, principalmente nas áreas de pesquisa e da literatura. Existem expressões 'universais', se é que posso falar assim, de forma que não dá para fugir a uma definição, por exemplo. Para quem dar aula, aí é mais complexo ainda, porque as bibliografias são amplas. Trabalhei na Biblioteca da Cultura e o que encontrei de igual para igual em nossa literatura, não é brincadeira. Tenho observado no mundo virtual muitas reflexões semelhantes, as vezes até na maneira da própria colocação da ideia. E vão surgir várias e várias. Por que? Porque não somos diferentes quando trabalhamos com as palavras. Podemos mudar aqui, ali, acolá, mas a substância será o espelho de outro. E é por isso que sou ferrenha em colocar links, citar a obra, e/ou autor. Quando é um retalho de ideias e esqueço de colocar a relação pesquisada, tenho a preocupação de voltar e pelo menos nomear as editoras. É que faço tudo correndo no blog. As minhas séries, geralmente indico no início o autor, ou deixo para o final, como é o caso da atual, sobre o 'Destino no Mundo'. Na sua última parte indicarei o meu farol, mas foram inúmeros livros para certificações. Vou dar um exemplo recente de como as coisas acontecem. Falei esta semana sobre o mnemônico. A Cultura distribuiu, na semana passada para os funcionários, a sua nova revista do mês. Peguei a minha por estes dias, porque trabalho no horário da noite(inclusive o Juca está em uma das matérias). E pasme, pois o artigo da Regina Lima, presidente da Cultura e minha amiga, antes de tudo, fala justamente da mnemônica e nunca conversamos sobre o assunto. Cara, me senti horrível, como se tivesse chupado a ideia. Pra completar, ela inicia o texto com uma citação bibliográfica. Aí que ficou pior o negócio porque também começo o post com a citação de um autor literário. As coisas acontecem assim.

A segunda fala refere-se a questão de assinar ou não o Editorial de um média. Penso cá, que todo editorial deve ter sim, o nome do autor. Não é autoral? Em casos legais, o média entrará como entidade abstrata? Existe isso? Gosto de saber de que cabeça saiu aquela opinião. Nem todos pensam como eu, no local em que trabalho. Se o mundo acha que um média deve falar por si só, que fale. Mas não concordo. Isso é uma coisa em que admiro na revista CartaCapital. Ninguém fala pelo Mino Carta. Ninguém fala pela revista. Às vezes penso que a editoria é testa de ferro ou laranja, como queira chamar, do próprio dono do média. Veja lá, isto tudo colocado neste post, é de minha opinião, tão somente. Não me considero a dona da verdade, apenas uma cabeça dura que gosta de dar pitacos alheios. Se você se aborreceu, deixe sair na urina... rsrs... como falamos no rádio. É uma brincadeira. É isso. Beijos. Ah(1), hoje vi no ElMundo uma matéria em que Picasso gostava de rabiscar o erotismo japonês e quis logo trazer para o blog, mas quando vi um quadro, com os desenhos de pintos, cara, fiquei horrizada... será que é daí que vem o nome dele?.. rsrs

Ah(2), hoje fiz uma poesia. Espero que goste:

stricto sensu

não vou inventar a tua presença

e nem driblar o pensamento,

contudo, garanto-te que irei

enganar a minha alma, de

que és único.

Cris Moreno

* Achei tão lindinha, e você? rsrs - sou tão gaiata...você nem imagina(rsrs).


Roubei da Marise Morbach

Destino do Mundo 08


A transição(1763-1870). Das três metrópoles da Europa latina a França se defende melhor porque mantém praticamente todas as suas posições no oceano Índico(exceção da ilha de França) e no Mediterrâneo Americano, nas Antilhas, contudo perde a Luisiana, vendida aos Estados Unidos, e São Domingos(Haiti). Mas as colônias foram arruinadas após 15 anos de conflitos entre Napoleão e a Inglaterra, e depois pela interdição da escravatura, imposta pela Inglaterra à França em 1815, durante cinco anos. A segunda República abole a escravatura ao mesmo tempo em que triunfa no ultramar. Espanha e Portugal, pelo contrário, o século XIX foi determinante para as antigas dependências de além-mar. O espírito de independência, a mentalidade 'crioula', alastrava nas elites, mesmo no fundo dos conventos, desde o século XVIII. O exemplo dos jovens nos Estados Unidos, a influência das ideias francesa e mesmo inglesas, as pressões exercidas pelo comércio britânico e francês, a aliança dos comerciantes crioulos e dos hacendados, tudo concorria para o movimento de libertação. Personagens excepcionais, como Bolívar, San Martín, Sucre funcionaram como catalizadores. Mas, se a geografia jogava a favor da América Latina, também jogava a favor da divisão de novos Estados, o que foi praticamente realizado a partir das antigas divisões administrativas espanholas. A América espanhola, apesar dos esforços desesperados de um Bolívar para evitar a balcanização, vai explodir, depois da independência, por ação de várias Repúblicas para dotar-se de um Estado e de uma identidade própria.

Por outro lado, o Brasil conserva-se português pela presença do soberano de Lisboa no Rio, e mantido os interesses, mesmo depois da independência porque permanece a tradição romana e a necessidade de manter a unidade, no entanto, o Brasil se torna o primeiro produtor mundial de café.

A terceira de zona de povoamento latino se dá no Canadá francês. As colônias ibéricas libertam-se das metrópoles, mas o Canadá vive sob tutela britânica.


Destino do Mundo. Editorial

EDITORIAL- El País.com

Otro año de recesión

El Gobierno se escuda en la mejora comparativa del paro, aunque lo relevante es su larga duración

Casi todos los pronósticos de las instituciones internacionales discrepan del optimismo del Gobierno español, que prevé una recuperación económica en 2010. Las previsiones de la Comisión Europea (CE) conocidas ayer establecen que la economía española volverá a registrar crecimientos anuales positivos en 2011, ejercicio para el que prevé un aumento del PIB del 1%. Pero en 2009 y 2010 seguirá en recesión; las previsiones son del -3,7% y -0,8% respectivamente. Lo peor de las previsiones comunitarias es que este tortuoso retorno al crecimiento deberá sufrir la pesada prueba de una tasa de paro que duplica la media europea y que llegará al 20,5% a finales de este año o comienzos del próximo. No es una predicción descabellada. El paro registrado aumentó en casi 99.000 personas en octubre sobre el mes de septiembre, con lo que el total de desempleados en los servicios públicos de empleo supera los 3.800.000.

El informe de Bruselas no constituye una sorpresa. Desde mediados de 2008 se sabe que la recesión española seguiría una evolución distinta de la que experimentarán los países centrales de la zona euro como Francia o Alemania. La diferencia fundamental es que España tendrá que soportar tasas muy elevadas de paro incluso cuando se consigan crecimientos intertrimestrales del PIB. Es decir, aunque la Comisión indica que en 2011 la economía española volverá a tasas positivas de crecimiento, lo cierto es que la recuperación efectiva, es decir, aquella en la cual se crea empleo, no llegará hasta finales de 2011 o principios de 2012. La razón hay que buscarla en la incapacidad de la economía para generar puestos de trabajo con crecimientos por debajo del 2%.

Por tanto, es una distracción poco productiva centrarse solamente en las variaciones intertrimestrales de crecimiento. Son importantes, pero lo decisivo es crear empleo. Deberían abandonarse las comparaciones oportunistas de las estadísticas del paro, empeñadas en señalar el hecho poco meritorio de que el desempleo en octubre de este año aumentó menos que en octubre de 2008, y centrarse en establecer -y si es posible adelantar- cuándo se alcanzarán niveles de crecimiento que aumenten la ocupación y reduzcan el paro. Bien sabe el equipo económico que, como dice abiertamente la Comisión, si se prolonga la crisis del mercado laboral, puede deteriorarse la sostenibilidad de las finanzas públicas.


Destino do Mundo 07


Vamos para o segundo império. Depois dos descobrimentos, do império do caos do império colonial europeu(entendeu?), ligado ao desenvolvimento do capitalismo comercial do Renascimento, o mundo conhece uma nova expansão europeia, interligada com a revolução e o capitalismo industriais: revolução agrícola, revolução demográfica, social, política e ideológica, revolução científica, revolução espiritual.

Nessa, os latinos não são os líderes, mas os Anglo-Saxões. A França, somente, consegue criar um novo império colonial e posicionar-se logo a seguir à Grã-Bretanha como potência imperial europeia. A Espanha dificilmente conseguirá conservar, até o fim do século XIX, Cuba, Porto Rico e as Filipinas. Quanto à Itália e a Portugal, a primeira, durante a ditadura de Mussolini, forma, entre as duas guerras mundiais, um império africano tão efêmero como o seu dono e Portugal, a partir dos restos do seu imenso império, e beneficiado das conferências internacionais sobre a partilha colonial(Berlim, 1884-1885), cria além-mar um conjunto de dimensões superiores à Europa, que se desmorona, de um dia para o outro, depois da queda de Salazar, em 1974.


Destino do Mundo 06


E as consequências também foram diversas. A ambição sem medida dos espanhóis de ocupar territórios enfrentou limites em número de homens e capacidades materiais. Faltavam homens e dinheiro. E cede partes a particulares, o adelantado nas Antilhas(início do século XVI); o encomendero(século XVI); substituído pelo hacendado. São poderes de administração local e de fato, em determinadas áreas. Fazem de tudo, convivem com uma moeda convencional, exercem uma justiça por vezes sumária, reforçam alianças ou guerras, mantêm uma guarda pessoal de matadores profissionais, e é um verdadeiro sistema político feudal baseado nos laços pessoais e familiares de dominação. O mesmo que subsistiu na América hispânica até o século XX, principalmente até às reformas agrárias de 1920, no México, de 1949, na Bolívia. Mesmo depois da independência do continente sul-americano(1810-1825), tudo desenvolve-se mal. O ponto positivo foi a mestiçagem que incluiu o índio na sua história.

Do império português, no fim do século XVIII, para além do Brasil, restam apenas feitorias, pedaços de costa que prolongam faixas de território imperfeitamente controladas, particularmente em África, e algumas ilhas. Mas estes mil e um pedaços estarão na origem do segundo império colonial português, a partir de 1870. E no Brasil, administrativamente, era uma sociedade esclavagista, policial e patriarcal – madeira, brasil, açúcar, ouro – mantém a escravatura e que permitirá no século XIX, o ciclo do café. Substitui a das Índias Orientais. E a independência do Brasil é uma perda irreparável.

Mas nos dois mundos, a herança cultural é que é expressiva.

Da colonização francesa as consequências são menos espetaculares. Se no fim do século XVIII a França conserva apenas feitorias(Índias e oceano Índico), a América, pelo contrário, escapa a esta mediocridade graças às pérolas das Antilhas, ao Canadá, à Luisiana e à Acádia. Em 1789, a França já só possui as Antilhas Francesas e a Guiana. Os outros territórios são verdadeiras colônias sem bandeira. Uma população não branca foi latinizada. Mas constrói, de forma positiva, o seu segundo império, baseado neste.


LFP & JP

O Jornal Pessoal do Lúcio Flávio Pinto já está nas 'melhores casas do ramo'. É o da primeira quinzena de novembro: Uma esfinge.

Vai uma por conta do 'Contra o Poder'(livro do Lúcio)

- A Imprensa que imprensa - 'A imprensa acompanha com muito interesse todas as transações comerciais e as articulações políticas dos outros, mas não gosta de ver exposto o seu telhado de vidro.'

Imagem

olhares.com - 'Micro Flor' - Benjamin Vieira

O que vi por aí

Sisseck, madridista y torero ;

Morreu Claude Lévi-Strauss ;

Cultura paraense perde Mestre Verequete ;

Los republicanos ensombrecen el aniversario de Obama al frente de la Casa Blanca ;

La 'Messenger' desvela zonas desconocidas de Mercurio ;

África da un golpe sobre la mesa y bloquea un día la cumbre del clima ;

Google choca con los escritores chinos ;

El golpe gana en Tegucigalpa ;

El Tratado de Lisboa salva el último obstáculo ;

Merkel promete a EE UU una alianza fuerte y segura ;

Muere a los 100 años Lévi-Strauss, padre de la antropología moderna ;

Descubierto un gigantesco conjunto de galaxias situado a 6.700 millones de años luz de la Tierra ;

Diecisiete provincias en alerta por el viento de hasta 80 kilómetros hora ;

Los partos prematuros disparan la mortalidad infantil en Estados Unidos ;

El mundo de la cultura honra al maestro centenario ;

Violencia en Irán en el aniversario de la toma de la Embajada de EEUU ;

La Marina israelí detiene un barco que transportaba un depósito de armas ;



Quarta. Quatro


Em Sintonia. Divulgação

Bossa Nova , Novas Bossas

05/11 – 5a.-feira(amanhã)

João Gilberto cantando 'Acapulco' de sua autoria do disco de 1970(Ela é Carioca), lançado no Mexico quando gravou 'Farolito' em espanhol. Tom Jobim e Billy Blanco 'Esperança Perdida'. É um disco histórico de João Gilberto.

Joyce Moreno cantando a desconhecida canção do Marcos Valle e Paulo S. Valle 'Amor é Chamas'. Bela interpretação.

Rosa Passos com 'Cadê Você', composição do cd 'Romance', lançado em 2008 e é do João Donato e Chico Buarque.

Lisa Ono e sua versão da conhecida composição do Duke Ellington e Tizol 'Caravan', numa fusão de Bossa Nova e um som caribenho.

93,7 Cultura FM – Às 09h00 da noite e reprisa no domingo 01h00 da tarde. Produção e apresentação Don Luizão Costa.


Destino do Mundo. Documentos


"De conformidad con los artículos 5 y 11 del Acuerdo de Misiones Militares de 1974, Colombia otorgará al personal de los Estados Unidos y a las personas a cargo los privilegios, exenciones e inmunidades otorgadas al personal administrativo y técnico de una misión diplomática, bajo la Convención de Viena", reza una parte del Acuerdo para la instalación de siete bases militares de Estados Unidos en Colombia.

El Gobierno de la República de Colombia (''Colombia'') y el Gobierno de los Estados Unidos de América (''los Estados Unidos''), en adelante ''las Partes'' o ''la Parte'', según convenga:

Han convenido en lo siguiente:


Destino do Mundo. Artigos


Por Emir Sader- Carta Maior

25/10/2009

A América Latina e o período histórico atual

O período histórico atual foi aberto pela confluência de três viradas, todas elas de caráter regressivo:

- a passagem de um mundo bipolar a um mundo unipolar, sob hegemonia imperial norteamericana;

- a passagem de um ciclo longo expansivo do capitalismo a um ciclo longo de caráter recessivo;

- a passagem da hegemonia de um modelo regulador – ou keynesiano ou de bem-estar social, como se queria chamá-lo – a um modelo neoliberal, desregulador, de livre mercado.

O triunfo do bloco sob direção norteamericana levou, depois de muitas décadas, a um mundo unipolar, com uma hegemonia inquestionável de uma única superpotência e a derrota e desaparição da outra – situação nunca antes vivida no mundo. Todo o papel de freio relativo à expansão imperial dos EUA deixou de existir, foram possíveis as guerras das duas últimas décadas – algumas chamadas de “guerras humanitárias”, violando a soberania de países, o que não acontecia desde o fim da primeira guerra mundial.

A irrupção de um mundo unipolar permite a apropriação militar e econômica pelo bloco ocidental e, em particular, pelos EUA, que puderam estender a economia de mercado a territórios insuspeitados como a China, a Rússia e os países do leste europeu. Permitiu incorporar à União Européia e à Otan a países antes membros do Pacto de Varsóvia. Configura-se assim um sistema mundial único, nos planos econômico, político e militar, sob direção norteamericana. Um único império mundial, mesmo se com contradições e disputas internas, reina no mundo. As guerras se dão desse bloco dominante contra zonas de resistência à sua dominação – Iugoslávia, Iraque, Afeganistão.

A passagem do ciclo longo expansivo – o de maior desenvolvimento capitalista, que Eric Hobsbawn caracterizou como a “era de ouro” desse sistema – ao ciclo longo recessivo tem repercussões importantes. Aquela ciclo teve a convergência dos três vetores fundamentais da economia mundial – os EUA (com a Alemanha e o Japão crescendo ao mesmo tempo que os EUA, fenômeno único), o campo socialista e economias da periferia (como México, Argentina e Brasil). Na sua convergência, produziram o maior ritmo de crescimento da economia mundial. Foi também o período de consolidação da hegemonia econômica norteamericana e do bloco ocidental.

A passagem ao ciclo longo recessivo não apenas significou a diminuição radical dos ritmos de crescimento, mas também a substituição do tema central do período anterior – o crescimento econômico – pelo de estabilização. De uma pata desenvolvimentista, a uma conservadora. Ao mesmo tempo que foi introduzida a temática da “ingovernabilidade” como central. Esta expressaria o conflito entre condições de produção da economia e demandas, como reflexo do ciclo longo recessivo e dos direitos acumulados ao longo das décadas de expansão econômica.

Esse conflito foi também o responsável pela irrupção de crises inflacionarias, especialmente nos países da periferia. Foi nesse hiato que se insinuou o FMI, com empréstimos em troca de cartas de intenções, que impunham duros ajustes fiscais, que preparam o caminho para Estados mínimos e políticas neoliberais.

O terceiro fator, a hegemonia de modelos neoliberais, com uma abrangência mundial que nenhum outro modelo tinha conseguido, teve a ver com essa transição de ciclo longo. Os programas neoliberais consolidaram uma nova relação de forças em escala mundial, iniciada com o fim da bipolaridade. A globalização e seus programas de desregulação, de abertura das economias, de privatizações, de precarização das relações de trabalho, de Estado mínimo, alteraram de forma radical a relação de forças entre os países do centro e da periferia, e entre as classes sociais dentro de cada país.

Intensificou-se a concentração econômica e de poder a favor das potências globalizadoras, em detrimento dos países da periferia. Estes, com Estados vítimas de acelerados processos de abertura econômica, viveram crises de caráter neoliberal, como foram os casos do México, da Rússia, dos países do sudeste asiático, do Brasil e da Argentina, em particular.

Modificou-se também radicalmente a correlação interna entre as classes em cada país, a favor das elites dominantes, com políticas neoliberais de precarização das relações de trabalho, com o aumento do desemprego aberto e da fragmentação do mundo do trabalho.

2. Na sua confluência de todos esses fatores essa mudança de período representa uma alteração de grandes proporções nas relações de força em escala mundial, com seus reflexos em cada região e em cada país. É preciso detalhar mais algumas das suas conseqüências.

A hegemonia dos EUA como superpotência representou que ele se tornou a única potência política mundial, que tem interesses em todas as partes do mundo, tem políticas para todos os temas e lugares. Sua superioridade militar se tornou incomensurável. A vitória na guerra fria significou também o triunfo ideológico da interpretação do mundo do campo vencedor.

Para o campo socialista o enfrentamento central da nossa época se dava entre o socialismo e o capitalismo. Para o campo imperialista, se daria entre totalitarismo e democracia. Teria sido derrotado o totalitarismo nazista e fascista, em seguida teria sido derrotado o totalitarismo comunista, agora se buscaria derrotar o totalitarismo islâmico e terrorista.

Com o triunfo do campo ocidental, desapareceram as alternativas no horizonte histórico contemporâneo, as propostas anticapitalistas. Cuba entrou no seu “período especial” diante do fim do campo socialista e da URSS, buscando evitar retrocessos. A China optou pela via de uma economia de mercado.

Democracia liberal passou a sintetizar democracia, economia capitalista se dissolveu no marco de uma suposta economia internacional ou economia de mercado. Foi uma vitória de uma visão do mundo e de uma forma determinada de vida – “o modo de vida norteamericano”. Este se transformou no elemento de mais força na hegemonia dos EUA no mundo, praticando não deixando intacto nenhum rincão do mundo – da China à periferia das grandes metrópoles – imune à sua influência.

Se esse é o elemento de maior força, a esfera econômica está entre seus pontos mais débeis. A desregulação econômica promovida pelo neoliberalismo, propiciou a hegemonia acelerada e generalizada do capital financeiro sob sua forma especulativa, tendo como resultado a financeirização das economias. Esse processo costuma marcar as fases finais dos modelos hegemônicos, que desembocam em fases de hegemonia do capital financeiro, característico de momentos de estagnação, como o atual ciclo longo recessivo da economia. Uma hegemonia que é difícil de reverter, uma vez enfraquecidos os estímulos para os investimentos produtivos, o que define um horizonte econômico de instabilidade e de estagnação ou de baixos níveis de crescimento.

A crise atual, que afeta profunda e extensamente a economia dos EUA e se estendeu pelo resto do mundo, nasceu exatamente dessas debilidades – da hegemonia do capital financeiro – para depois se manifestar como recessão econômica aberta. Uma crise que produz uma recessão longa e profunda na economia dos EUA e dos países do centro do capitalismo, sem que tenha a capacidade de reverter a sua raiz – a financeirização da economia.

Ao mesmo tempo, apesar de ter se transformado em única superpotência, com forte predominância no plano militar, os EUA não conseguem resolver duas guerras ao mesmo tempo – Iraque e Afeganistão.

Nenhuma outra potência ou conjunto de potências consegue rivalizar com os EUA, apesar das debilidades que este apresenta. Da mesma forma que, apesar do seu esgotamento, o modelo neoliberal, como não é simplesmente uma política de governo, passível de ser mudada de um momento a outro, mas de um modelo hegemônico, que inclui valores, ideologia, cultura, além de profundas e extensas raízes econômicas, tampouco se divisa outro modelo, por enquanto, que possa sucedê-lo.

Assim, entramos em um período de enfraquecimento relativo da capacidade hegemônica dos EUA, e esgotamento do modelo neoliberal, sem que alternativas tenham ainda capacidade de se impor. Porque no momento em que o capitalismo revela mais claramente seus limites, suas vísceras, ao mesmo tempo os chamados “fatores subjetivos” de construção de alternativas para a sua superação, também sofreram grandes retrocessos.

Instaura-se assim uma crise hegemônica, em que o velho não se resigna a morrer e o novo morrer e o novo tem dificuldades para nascer e substituí-lo. Como busca sobreviver o velho? Baseado em dois eixos: as políticas internacionais de livre comércio, com as instituições que os multiplicam,como o FMI, o Banco Mundial, a OMC. E, dentro de cada país, na ideologia do consumo, do shopping-center, do mercado.

Mas tem contra si a hegemonia do capital financeiro sob sua forma especulativa, que não apenas bloqueia a possibilidade de retomada de um novo ciclo expansivo da economia, como promove instabilidade, pela livre circulação dos capitais financeiros. Mas, ao mesmo tempo, não surge um modelo alternativo ao modelo neoliberal.

A construção de alternativas se choca assim com uma estrutura econômica, comercial e financeira, internacional, que reproduz o livre comércio, propicio às políticas neoliberais. E como ideologias consolidadas nas formas de comportamento e de busca e acesso a bens de consumo na vida cotidiana das pessoas.

Pode-se prever assim que estamos em período mais ou menos longo de instabilidade e de turbulências, tanto políticas, quanto econômicas, até que se forjem as condições de hegemonia de um modelo pósneoliberal e de uma hegemonia política mundial alternativa a dos Estados Unidos.

3. A América Latina sofreu diretamente a passagem ao novo período histórico. Praticamente todos os seus países foram vítimas das crises das dívidas, entrando na espiral viciosa de crise fiscal, empréstimo e cartas de intenções do FMI, enfraquecimento do Estado e das políticas sociais, hegemonia do capital financeiro, retração do desenvolvimento econômico, substituído pelo tema da estabilidade monetária e dos ajustes fiscais. Afetados centralmente por essas transformações, a América Latina passou a ser o continente privilegiado dos experimentos neoliberais.

As ditaduras militares em alguns desses países, entre os que se situam aqueles de maior força, até então do campo popular, como o Brasil, o Chile, a Argentina, o Uruguai, haviam quebrado a capacidade de resistências dos movimentos populares a políticas concentradoras de renda. Isso preparou o caminho para a hegemonia de políticas neoliberais.

Essas políticas foram se impondo, desde o Chile do Pinochet e a Bolívia do MNR, passando pela adesão de forças nacionalistas, como no México e na Argentina, até chegar a partidos social-democratas, como os casos da Venezuela, do Chile, do Brasil, quase que generalizando-se a todos o espectro político. A década de 1990 foi a do predomínio generalizado de governos neoliberais, alguns prolongados no tempo – como os do PRI no México, de Carlos Menem na Argentina, de FHC no Brasil, de Albertu Fujimori no Peru, no Chile de Pinochet e da Concertação (PS-DC); outros entrecortados por movimentos populares que derrubaram presidentes, como na Bolívia e no Equador, ou que fracassaram, como na Venezuela (com AD e com COPPEI).

Paralelamente foram se dando crises nas principais economias da região: México 1994, Brasil 1999, Argentina 2001-2002. Até que começaram a surgir governos eleitos pelo voto de rejeição do neoliberalismo, começando com a eleição de Hugo Chavez em 1998, seguida pelas de Lula em 2002, de Tabaré Vazquez em 2003, pela de Nestor Kirchmer em 2003, de Evo Morales em 2005, de Rafael Correa em 2006, de Mauricio Funes em 2009.

Revelando como o continente sofria as conseqüências dos governos neoliberais, houve um claro deslocamento para a esquerda no voto nos distintos países que foram tendo eleições. Nunca o continente, nem qualquer outra região do mundo teve simultaneamente tantos governos progressistas ao mesmo tempo.

O que unifica a esses governos, além do voto que derrotou governos neoliberais – de Carlos Menem a Carlos Andrés Perez, de FHC a Lacalle, de Sanchez de Losada a Lucio Gutierrez – há dois aspectos comuns: a opção pelos processos de integração regional ao invés dos Tratados de Livre Comércio e a prioridade das políticas sociais. São os dois pontos de maior fragilidade dos governos neoliberais, cuja lógica de abertura das economias, privilegiou as políticas de livre comércio e os Tratados de Livre Comércio com os Estados Unidos, e a prioridade do ajuste fiscal e da estabilidade monetária, sobre as políticas sociais. São as políticas sociais que dão legitimidade a esses governos, que sofrem, todos, forte oposição dos monopólios da mídia privada, mas conseguiram até aqui se reeleger pelo voto popular, dos setores , mais pobres das nossas sociedades.

Esses governos têm diferenças entre si, embora se unifiquem pela prioridade dos processos de integração regional e das políticas sociais. Nesse marco comum, se diferenciam porque alguns deles – Venezuela, Bolívia, Equador – avançam mais claramente na direção da construção de modelos alternativos ao neoliberalismo. Já na estratégia que os levou ao governo, combinaram sublevações populares, saída eleitoral, mas depois se propuseram a refundar o Estado, apontando para uma nova estratégia da esquerda latinoamericana, nem a tradicional de reformas, nem a luta armada, mas a combinação das duas numa síntese nova.

No outro campo estão os países que privilegiam os Tratados de Livre Comércio - como o México, o Chile, o Peru, a Colômbia, a Costa Rica. O primeiro pais a seguir esse caminho, o México, assinou um Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos e com o Canadá, no entanto o privilegio aberto foi com os EUA, com quem o México passou a ter mais de 90% do seu comércio exterior.

A crise econômica atual permite medir o significado das duas formas distintas de inserção no mercado internacional. O México, por exemplo, país paradigmático por ter sido o primeiro – e, originalmente, deveria ser o caminho que os EUA apontavam para todos os países do continente – teve a pior regressão econômica entre todas as economias, com cerca de 10% menos no primeiro semestre deste ano. Paga um preço caro por ter privilegiado o comércio com os EUA, epicentro da crise, que tem uma recessão profunda e prolongada, com todas suas repercussões negativas para o México.

Enquanto que um país como o Brasil, com uma economia mais ou menos similar que a mexicana, pôde sair de forma mais ou menos rápida da crise, por ter diversificado o comércio internacional, a ponto que o principal parceiro comercial do Brasil já não os EUA, mas a China. Ao mesmo tempo o país intensificou o comércio intraregional – mais concentradamente com a Argentina e a Venezuela, mas intensificado com todos os países que participam dos processos de integração regional -, e principalmente, expandiu enormemente o mercado interno de consumo popular. Este foi o principal responsável pela superação rápida da crise, fazendo com que, pela primeira vez, durante uma crise, as políticas de redistribuição de renda e de extensão dos direitos sociais, se mantivessem, mesmo na recessão.

Depois de uma fase de relativamente rápida expansão de governos progressistas no continente, a direita recuperou capacidade de iniciativa e busca reconquistar governos, para colocar em prática governos de restauração conservadora. Desde a tentativa de golpe de Estado na Venezuela, em 2002, passando por ofensivas contra os governos do Brasil, da Bolívia, da Argentina, a direita tenta colocar sua força econômica e midiática a serviço da recomposição de sua força política, derrotada pelos governos progressistas.

Podemos prever que a crise hegemônica se prolongará por um bom tempo no continente, entre um mundo velho superado, mas que insiste em sobreviver - o dos programas neoliberais – e um mundo novo que tem dificuldades para sobreviver – o de governos posneoliberais. As próximas eleições – especialmente as do Brasil, Bolívia, Uruguai, Argentina, - definirão se esses governos são um parênteses na longa sequência de governos conservadores ou se consolidarão e aprofundarão os processos de construção de alternativas pós neolliberais, de que a América Latina é um cenário privilegiado.


Terça-feira

Destino do Mundo 05

Terça-feira

Por que as coisas aconteceram mais rapidamente para este lado do mundo? Porque geograficamente, os portugueses descobrem nos oceanos os ventos alísios que favorecem a navegação. Dominando essa característica da natureza, vão mais longe, daí a expansão para o Norte da África. O que diferencia Espanha e Portugal nesses empreendimentos de conquistas? Estava na própria Constituição espanhola: a concepção territorial e religiosa da expansão, e não a ambição comercial e econômica. E o português é, em primeiro lugar, agricultor e marinheiro e só depois comerciante. Porém, diante das circunstâncias ou à geografia, o que encontram modifica essa determinação nos dois povos romanizados por César. Vocação marítima conduz à vocação comercial.

A verdade é que portugueses, espanhóis, italianos e franceses descobriram, visitaram, ocuparam novos mundos, mesmo quando se tratava de impérios milenares. Mas só a citação geográfica não esclarece tudo. Os espanhóis iniciam com a passagem ocidental para a Ásia, mas descobrem o continente americano. Os portugueses chegaram à América depois de terem construído um império marítimo na África Meridional e no oceano Índico. Os franceses abraçam a aventura colonial nos séculos XVII e XVIII, ao constituírem um Império do Oriente(do Levante) e um Império do Ocidente(do Poente). As três grandes expansões latinas são muito diferentes.


Destino do Mundo 04


Como se faz um mapa. Na época medieval, a relação era de senhores e vassalos, dentro de seu sistema político de sociedade. E no seu sistema econômico, quase fechado na base de senhorio agrupado a uma relação doméstica camponês ou urbano. A partir do século XII surgem novas formas econômicas e se desenvolverão mais no final do século XV e no século XVI. Mas a agricultura permanece fortalecida. No entanto, qualitativamente, são outras atividades que entram no circuito e prevalecem. Os comerciantes começam a investir nos produtos têxteis. É o nascimento do capitalismo comercial. Junta-se homens trabalhando, matéria-prima, máquinas, transportes(indústria naval). Com as grandes descobertas e a colonização, as empresas capitalistas comerciais, estimuladas pelo progresso dos instrumentos de crédito(letra de câmbio e ordem de pagamento), e também pela exploração das minas e metais preciosos dentro e fora da Europa, em três séculos centuplicam a massa monetária. Politicamente, imperador(rei) e papa(igreja) perdem parte de seus poderes e são a favor da consolidação com outros Estados: França, Espanha, Inglaterra, Províncias-Unidas.

Aos portugueses coube o papel principal. Eram os mais precoces nesse tipo de exploração além-mar, e já vinham da reconquista aos muçulmanos no século XII. Cristóvão Colombo apresentou um grande projeto de viagem para o Ocidente ao rei de Portugal, negado, então oferece a Isabel, de Espanha. Vasco da Gama traz da Índia especiarias. Álvares Cabral descobre o Brasil. Sintomas de partilhas. Enquanto os portugueses se contentam com feitorias, postos e portos nas costas africanas do Atlântico e no conjunto das costas do oceano Índico, além da ocupação do Brasil que durante muito tempo foi apenas costeira, os Espanhóis apoderam-se de metade da América do Sul, de toda a América Central, de uma grande parte das Caraíbas, renunciando apenas às ilhas pequenas, e de uma parte da América do Norte, correspondente ao México, Texas, Novo México, Arizona, e à Califórnia. Expansão territorial – conquista dos dois grandes impérios pré-colombianos, asteca e inca, criação de um sistema marítimo e terrestre, de estradas e urbano, político e militar. Um novo império.

Os italianos estão um pouco por toda parte, na América, África, Ásia. No século XVI ainda dominam a finança europeia. Os franceses, embora tardiamente, exploram o Canadá(1534), mas só um século depois o irão ocupar. Nas Antilhas, tanto franceses como ingleses, durante o século XVII, instalam-se, mas nas áreas desprezadas pelos espanhóis. No século XVIII manifestam-se na Ásia, com destaque na Índia. Enfim, na expansão além-mar, são contemporâneos dos povos do Norte, como os ingleses, holandeses, do que da Europa mediterrânica.


Destino do Mundo 03


Sobre as vantagens, os latinos foram os primeiros a conquistar o além-mar porque estavam mais próximos geograficamente, e também porque a sua civilização era a mais avançada. Os países do Norte da Europa, com a revolução industrial, principalmente a Inglaterra, se beneficiaram das 'falhas' dos latinos na sua ambição de estabelecer uma dominação, contudo, a II GM conduz o caminho além-atlântico. Mas fatores foram observados para essa derrota do Império em querer dominar o mundo de forma política e militar, espiritual, ideológica e cultural. Sociedades estatistas e aristocráticas diante das sociedades mercantis protestantes que reduzem o papel do aparelho de Estado e da aristocracia, além das fraquezas dos latinos e da falta de carvão ou de ferro. Mas o mundo é o que é, graças à contradição dos latinos herdada diretamente de Roma. Vá lá, glória ou desgraça. E somos o que somos.

Destino do Mundo 02


Em menos de 30 anos, e depois da II GM, a descolonização atingirá todos os colonizadores latinos e anglo-saxões. Assim como acontece com o Tratado de Lisboa, a Conferência de Fontainebleau(1946) é vencida, desenvolvendo-se a guerra da Indochina, e em 1954 conduz à independência, com acordos de Genebra. Inicia a guerra da Argélia, e encerra com acordos de Évian(1962). É concedida a independência a Marrocos e à Tunisía(1956). Itália sem as suas colônias, perdidas após a derrota da II GM. Portugal renuncia aos territórios de ultramar(Revolução dos Cravos e queda do regime salazarista. 1974). Só em 1962 é que a Espanha inicia a sua descolonização.

Destino do Mundo 01


Os latinos foram os primeiros a dominar o planeta e os últimos a viver a descolonização. E depois, Kant é do modus cogitandi latino, o que trabalha a realidade de forma abstrata, consequentemente, irrealizável. Foi o primeiro ponto que me chamou a atenção na entrevista do Público. O segundo, é que faz tempo que venho observando o movimento de nosso império latino-americano, se organizando e se fortalecendo. Neste primeiro momento quero falar de império mesmo, na sua originalidade. Darei continuidade a esta ideia através de uma entrevista com um cientista político. Posso dizer, então, que esta é a primeira parte.

Havia três Europas, isto por volta de 1400 – eslava, germânica e latina. A partir do século XV os latinos dominam tudo. A língua idem. E com ela vem o direito romano e com ele, o fundamento de Estado. Como o poder era dividido com a igreja, cria-se a ideia real do Estado nacional e como num jogo de quebra-cabeça, os Estados têm por princípio, equilíbrio de forças, guerra e diplomacia. E é claro, para sustentar a nova ordem, a economia é colocada ao serviço do Estado. Produzir e vender para garantir a política externa(política sobre a economia). Expansão além-mar após o Renascimento, com duas bases: a primeira, desenvolvimento do capitalismo comercial(XV até XVIII); desenvolvimento do capitalismo industrial(XIX e a primeira metade do XX). A segunda, contemporânea do triunfo e depois do declínio do liberalismo – descolonização(1914-1985).

A descolonização vem com o desenrolar da I GM e é o primeiro sinal de crise e declínio da Europa e que marca o período entre as duas guerras. Época da depressão econômica e o seu forte será na crise dos anos 30. Os Estados Unidos se movimentam para substituir a Europa na dominação do mundo. Uma indústria local começa a substituir as indústrias europeias no mercado interno. É a descolonização dos anos 50. Apesar de algumas conquistas da Europa, através da França, Itália, Espanha e Portugal(último a ser descolonizado), mas que mais adiante perdem tudo após a II GM.

Relacionado com a matéria do Público.PT(3o. post abaixo)


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Lá, como cá, o 'barro' é o mesmo!

'The Guardian' llama al director del 'Journal' 'perro de presa' de Murdoch


Tenho uma opinião formada sobre...

O destino da Europa só pode ser o mesmo dos EUA: uma federação democrática

Os Estados europeus encontraram na União Europeia o substituto para os seus antigos impérios. São hoje um "império" ainda à procura de destino num mundo em que o Estado soberano está em perda de protagonismo.

Por Teresa de Sousa

Para um ouvido leigo, falar de impérios, sobretudo do império europeu, não soa a normalidade. A história da Europa encarregou-se de fazer com que os europeus se dêem mal com a palavra. A obra de Josep Colomer, académico catalão da Universidade Pompeu Fabra de Barcelona, reintroduz o conceito - historicamente tão válido como o de Estado ou de cidade - como instrumento de análise útil para a compreensão da realidade actual. Compara os processos "imperiais" de constituição dos EUA e da União Europeia para chegar à conclusão de que dificilmente a Europa evitará o seu destino de federação democrática. O mesmo dos Estados Unidos.

Colomer veio a Lisboa para proferir a "Palestra A. Sedas Nunes" no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. O livro que inspirou esta entrevista data de 2007: Great Empires, Small Nations - the uncertain future of the sovereign state.

A ideia de império, de que fala nas suas obras, é uma ideia negativa. Por que é que teve necessidade de recuperar este conceito para a análise política?

O império é apenas uma das formas políticas históricas que se podem distinguir: cidade, Estado, império. Nos últimos 300 anos, o Estado foi a forma dominante, mas creio que hoje os Estados soberanos, sobretudo na Europa, já não são, em muitos aspectos, realmente soberanos e creio que a forma de império pode ajudar a entender algumas realidades políticas actuais. Se olhar para a realidade do ponto de vista histórico, os grandes Estados - incluindo Portugal, Espanha, Grã-Bretanha, França - desenvolveram-se como Estados porque tiveram impérios coloniais.

Mas não é o mesmo conceito de império que agora introduz nos seus livros.

Não. Não é o mesmo, quando se compara com o império romano-germânico, o império romano, o austro-húngaro. Mas quando os impérios coloniais europeus desapareceram também acabou o período de grandes guerras entre Estados na Europa, em parte devidas à rivalidade colonial. Esses impérios coloniais foram substituídos por um acordo de cooperação económica e militar entre os Estados europeus que é hoje a União Europeia. Uma coisa substitui outra. É um acordo entre as antigas potências coloniais que necessitam de um âmbito territorial muito mais amplo que o dos Estados e que tiveram de deixar de tê-lo nas colónias.

E que o senhor diz que é um império, mesmo que de outro tipo...

É um império no sentido em que também o foram os Estados Unidos no seu início e muitas outras experiências históricas semelhantes - no sentido de que não é um Estado. A UE não é nem será um Estado nacional soberano. Mas também não é apenas uma organização internacional como a ONU ou a OCDE. É mais do que isso. Eu digo que é um império no sentido em que os limites territoriais não estão pré-determinados, em que não há fronteiras fixas e não sabemos ainda qual é o seu limite, e em que existe uma grande descentralização interna e uma grande variedade de níveis institucionais distintos, unidos no seu topo por instituições ainda relativamente débeis mas que tomam decisões vinculativas para todos os membros...

O que está a dizer é que, nesse conceito de império que define, os EUA não são hoje um império mas que foram um império até chegarem à sua forma actual?

Passaram 120 anos desde que as 13 colónias se tornaram independentes em finais do século XVIII até que se estabeleceram os limites dos EUA actuais e se consolidaram as instituições centrais. Levou esse tempo todo a construir a federação democrática dos EUA. Na Europa, apenas levamos cerca de 50 anos de construção europeia e ainda não terminámos. Comparo as duas experiências no sentido de que uma estrutura de tipo imperial pode acabar convertendo-se numa federação democrática mais estável.

Os EUA são um império acabado que se converte numa federação democrática.

Escreveu, precisamente, um ensaio comparando os dois caminhos de unificação da UE e dos EUA. Mas há uma diferença básica: a Europa nasceu da longa história das guerras entre os Estados e tem na sua origem a negação da ideia de nacionalismo. Os EUA nascem da ideia da liberdade religiosa. Essa diferença de génese não pode fazer toda a diferença quanto ao destino final?

A constituição dos EUA também começou como um projecto e levou mais de 100 anos até tornar-se numa realidade com instituições estáveis.

Nos EUA não havia a História.

Apesar disso, tiveram uma guerra civil tremenda 70 ou 80 anos depois da independência, comparável à II Guerra em termos de mortandade e de destruição. Na Europa até estamos a ser mais rápidos comparativamente, apesar do lastro histórico que os países trazem consigo. O ponto de partida pode ser diferente dos EUA, mas resulta da grande destruição da II Guerra. Que esteve a ponto de destruir os Estados europeus.

A Europa, com a adopção do Tratado de Lisboa, acaba de dizer que não quer ir no sentido dos EUA. É só uma paragem?

Até agora todos os avanços da integração resultaram de um alargamento. Quando estamos a chegar próximo do limite desse alargamento, os avanços só podem fazer-se com mais integração interna. Depois da expansão territorial, vem maior integração interna. Creio que não nos vamos ficar pelo Tratado de Lisboa.

Insiste na importância de definir as fronteiras. É um dos temas centrais do debate europeu. Há os que defendem a continuação do alargamento, incluindo à Turquia, para a Europa ganhar dimensão geopolítica mundial e há quem diga que é preciso estabelecer limites para poder consolidar-se politicamente. Os EUA também iniciaram a sua expansão sem limites prévios e, num certo momento, chegaram à conclusão de que já não podiam assimilar mais. Havia, na altura, muita gente que defendia que o México deveria ser integralmente assimilado - acabou por ser mais de metade. Outros defendiam que a integração deveria ir até às Caraíbas, incluindo Cuba, o que provocou a guerra com Espanha no final século XIX. Porto Rico, que está muito mais longe dos EUA, acabou associado e Cuba não.

Creio que os Balcãs são as Caraíbas da Europa. Se não forem integrados, serão uma fonte de conflito permanente. Para mim, a Turquia é o México - não se pode integrar, é demasiado grande e demasiado diferente. Em contrapartida, penso que a Turquia, com todos os seus avanços de democratização e de liberalização, podia ser uma referência para o Médio Oriente e teria um papel muito mais construtivo do que aspirar à UE, que creio que seria muito perturbador.

A definição das fronteiras é também uma condição para uma política externa comum que, entre outras coisas, pode conseguir estabilizar as relações com a Rússia ou com o Médio Oriente.

Precisamente, a região que separa a UE da Rússia parece ser um problema muito complicado de relação entre impérios.

Sim. Ucrânia, Geórgia, Moldávia são países internamente divididos. As revoluções democráticas recentes mostraram que há uma parte desses países que é pró-europeia e outra que é pró-russa. Essa é a questão da fronteira, no sentido americano de frontier e não de border.

O Wild West é o Wild East?

Exactamente. É o Wild East, "the frontier but not yet the border". São linhas de conflito que são, de facto, problemas. Mas essas linhas de conflito, nos Balcãs, na Turquia, na Ucrânia, são muito menos conflituosas do que as linhas de conflito que existiram entre a França, a Inglaterra, a Alemanha.

O que diz também é que a Europa, para manter a sua lógica interna, só pode ter como destino uma federação democrática?

Ou isso ou creio que acabará por ter menos relevância no mundo, que acabará por estar nas mãos dos Estados Unidos, China, Rússia e das grandes unidades que têm muito mais capacidade de coordenação a nível global.

No seu livro, argumenta que estas grandes unidades territoriais - EUA, UE, China, Rússia, Índia... - podem ter um papel estabilizador da ordem internacional. Está a falar da ideia de integração regional a partir de um grande país?

Desde o século XVII que a construção de Estados soberanos comportou guerras cada vez mais frequentes e cada vez mais mortais entre eles. Basta olhar para a Europa. Sobretudo entre a França e a Alemanha, mas também as guerras de sucessão da Espanha, da Áustria, as guerras napoleónicas, as guerras franco-prussianas, e depois a I e a II guerras mundiais.

Entre Estados ou entre impérios?

Entre Estados. Cada um tinha as suas fronteiras, rivalidades, desejo de expansão e conflitos coloniais. A época dos Estados foi uma época de guerras. Na Europa só há paz e democracia estável desde há cerca de 60 anos, quando os Estados cederam poderes a uma união mais ampla.

Na Europa isso é claro. Mas pode ser transposto para outras realidades mundiais?

Se o mundo estiver organizado em 10 impérios, mais do que em quase 200 Estados soberanos, as linhas de fronteira são menores e os conflitos potenciais também podem ser menores. A paz perpétua seria, como diz Kant, um governo mundial, uma grande federação de povos livres. Isso ainda não está no horizonte das nossas vidas. Mas a simplificação em grandes unidades internamente descentralizadas pode reduzir as linhas de conflito em comparação com as guerras permanentes entre Estados que vivemos nos séculos anteriores.

E como é que isso se articula à escala mundial?

Algumas organizações internacionais apontam nessa direcção. As Nações Unidas têm um Conselho de Segurança com cinco membros permanentes, que são basicamente os antigos impérios. Mas isso já foi substituído pelo G8 ou G9 ou G10 e, agora, o G20. Considera-se que é suficientemente representativo da população e da economia mundial para actuar como uma espécie de governo provisório em formação deste mundo que já não é feito de 200 Estados mas de organizações muito maiores.


Com Lupa


Procura-se uma identidade!

¿En qué consiste ser francés?



Entre as manias que eu tenho...

Moedas, Selos, Latas e Rótulos

A linha Conceito Vintage é uma recuperação dos estilos dos anos 20, 30, 40, e 50 do século passado.
Vintage é uma designação aplicada a colheitas de uvas, como para o vinho do Porto, em que as condições de produção, colheita, estágio e outros fatores de produção contribuem para uma qualidade excepcional.
A sua origem ou significado vem de vint relativo à safra de uvas e age de idade. O termo Vintage foi acolhido pelo mundo da arte, moda e decoração, para designar peças que marcam uma época.
Os rótulos das latas Vintage Candles são a melhor representação de um boom comercial do início do século XX, conseqüência da revolução industrial, com a implantação de novidades, como a impressão de rótulos a cores.

Fonte: blogspot - vintagecandlesmini


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Mitos & Fatos


Mito

'Os judeus roubaram a terra dos árabes'

Fato

Apesar do crescimento de sua população, os árabes continuaram a afirmar que estavam sendo desalojados. A verdade é que, desde o início da I GM, parte da terra da Palestina estava nas mãos de proprietários ausentes que viviam no Cairo, em Damasco e em Beirute. Por volta de 80% dos árabes palestinos eram camponeses, seminômades e beduínos endividados.

Na realidade, os judeus se esforçaram para evitar a compra de terras em áreas onde os árabes pudessem ser alojados. Eles buscaram terras que eram praticamente não-cultivadas, pantonosas, baratas e, o mais importante, desabitadas. Em 1920, o líder trabalhista sionista David Ben-Gurion expressou preocupação acerca dos felahin árabes, os quais via como 'o ativo mais importante da população nativa'. Ben-Gurion disse que 'sob nenhuma circunstância devemos tocar a terra pertencente aos felahin ou trabalhada por eles'. Ele defendeu que eles fossem libertados de seus opressores. 'Somente no caso de um felah abandonar o seu lugar de assentamento', acrescentou Ben-Gurion, 'é que devemos nos oferecer a comprar sua terra, e por um preço adequado'.

Só depois que os judeus compraram toda a terra não-cultivada disponível foi que adquiriram as cultivadas. Muitos árabes desejavam vendê-las, seja porque queriam se mudar para as cidades do litoral, seja porque precisavam de dinheiro para investir na indústria de cítricos.

Quando John Hope Simpson chegou à Palestina em maio de 1930, comentou: 'Eles[os judeus] pagaram altos preços pela terra; além disso, pagaram a alguns dos seus ocupantes um montante considerável de dinheiro que legalmente não eram obrigados a pagar'.

Em 1931, Lewis French levantou a quantidade de árabes sem-terra e ofereceu lotes aos interessados. Foram recebidas três mil inscrições, das quais 80% foram consideradas inválidas pelo assessor legal do governo, porque os inscritos não atendiam ao requisito básico, ou seja, não eram árabes sem-terra. Sobraram apenas 600 inscritos, dos quais cem aceitaram a oferta de terras do governo.

Em abril de 1936, uma nova sequência de ataques árabes aos judeus foi instigada por um guerrilheiro sírio chamado Fawzi al Cawukji, comandante do Exército de Libertação Árabe. Em novembro, quando os britânicos finalmente enviaram uma nova comissão de investigação encabeçada por Lord Peel, 89 judeus haviam sido mortos e mais de 300 feridos.

O relatório da Comissão Peel descobriu que as queixas árabes sobre a aquisição de terras pelos judeus eram infundadas. Ele indicou que 'grande parte da terra agora carregada de laranjais antes eram dunas de areia ou pântanos e não-cultivadas quando foram compradas (...) havia, na época das primeiras vendas, poucas evidências de que os proprietários possuíssem até mesmo recursos ou preparo necessário para desenvolver a terra'.

Além disso, a comissão descobriu que a escassez 'se devia menos à quantidade de terra adquirida pelos judeus do que pelo crescimento da população árabe'. O relatório concluiu que a presença de judeus na Palestina, juntamente com o trabalho da administração britânica, resultaram em maiores ganhos, padrão de vida mais elevado e amplas oportunidades de emprego.

Em suas memórias, o rei Abdula da Transjordânia escreveu:

'Está bastante claro para todos, tanto pelo mapa traçado pela Comissão Simpson quanto por outro compilado pela Comissão Peel, que os árabes são tão pródigos em vender suas terras como o são em prantos e choros inúteis'.

Mesmo na época da revolta árabe de 1938, o Alto-Comissariado britânico para a Palestina acreditava que os proprietários árabes se queixavam das vendas aos judeus para aumentar os preços das terras que pretendiam vender. Muitos deles foram tão aterrorizados por rebeldes árabes que decidiram abandonar a Palestina e vender suas propriedades aos judeus.

Os judeus pagavam preços exorbitantes a ricos proprietários de terra por pequenos lotes de terra árida. 'Em 1944, os judeus pagavam entre US$ 1.000 e US$ 1.100 por acre na Palestina, em sua maior parte terras áridas ou semiáridas; no mesmo ano, a rica terra preta de Lowa(EUA) era vendida por aproximadamente US$ 110 por acre.'

Por volta de 1947, as propriedades judaicas na Palestina somavam por volta de 463 mil acres(1.874km2), dos quais aproximadamente 45 mil adquiridos do governo do Mandato Britânico, 30 mil de diversas igrejas e 387.500 dos árabes. Análises das compras de terra entre 1880 e 1948 mostram que 73% dos lotes judaicos foram comprados de grandes proprietários de terra, não dos pobres felahin.

Entre os que venderam terra estavam os governantes de Gaza, Jerusalém e Lafo. As'ad el-Shukeiri, um erudito religioso muçulmano e pai do presidente da OLP Ahmed Shukeiri, recebeu dinheiro dos judeus por sua terra. Até mesmo o rei Abdula arrendou terras aos judeus. Na verdade, muitos líderes do movimento nacionalista árabe, inclusive membros do Conselho Supremo Muçulmano, venderam terra aos judeus.

(Consultar arquivo mitos e fatos).

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